A dinâmica da espiritualidade quaresmal consiste:
Numa configuração mais profunda com Cristo morto e ressuscitado, realizada pela ação do Espírito através das realidades simbólicas e sacramentais da liturgia;
Na experiência cada vez mais intensa da existência cristã, pela participação e comunhão no mistério pascal de Cristo.
A Quaresma cristã não tem sentido algum sem a relação com a Páscoa; mas a força renovadora da celebração da Vigília da Ressurreição depende da vivência intensa da quaresma.
É tempo designado pela Liturgia como “sacramento quaresmal” enquanto período sagrado de salvação e símbolo sacramental da graça de Cristo por vontade da Igreja. Propõe-nos os “passos” indispensáveis para todo o homem procurar o encontro com o Deus vivo!
O Espírito Santo, Luz e educados das Consciências
Revisão da vida cristã
a) O Espírito, que convence o mundo quanto ao pecado, à justiça e ao juízo (cfr. Jo 16, 8 – 11), é a luz para reconhecermos os nossos pecados como raiz de todos os males;
b) A criatura, sem o Criador, perde sentido! O esquecimento de Deus obscurece a criatura. A morte de Deus na consciência conduz à morte do homem;
c) O Espírito que perscruta as profundezas de Deus é o mesmo que perscruta as profundezas do mal do homem, iluminando-o para que se arrependa e se converta.
d) É o Criador de um coração novo, de uma consciência pura, capaz de discernir o bem do mal;
e) Os desequilíbrios mais fundamentais do mundo radicam no coração do homem. Precisamos de um coração novo. Precisamos da força divina para nos libertarmos de nós mesmos, clarificar e vencera luta que se trava dentro de nós próprios.
Revisão dos compromissos do Batismo
a) Recuperação do sentido de ser discípulo de Cristo; a nossa vocação para a liberdade de filhos de Deus;
b) Morte com Cristo; inclui a morte do homem velho para viver segundo o Espírito;
c) O sentido da cruz faz parte da vida cristã na sua identificação com Cristo Redentor do mundo e da sintonia interior do espírito com a Paixão de Cristo;
d) Somos crucificados com Cristo, para com Ele sermos glorificados. Esta é a santidade pascal da vida.
e) Revisão das nossas responsabilidades como membros da Igreja na sua missão no mundo.
Purificação da vida
a) A nossa transfiguração existencial em Cristo exige a superação das tendências egoístas: o egocentrismo;
b) Oposição à tendência para o hedonismo, sensualidade, luxos, prepotências, etc.
c) Melhorar a qualidade da vida cristã, contra a degradação da nossa vida pela influência do meio ambiente pagão e materialista.
d) Não à libertinagem apoiada pela “moral da cobardia”.
e) Superar a consciência farisaica, que tende mais a desculpar-se do que a sentir-se culpada; mais a desculpar-se do que a acusar-se.
f) Evitar o criticismo desmoralizante e patológico de quem denuncia os pecados dos outros, esquecendo os seus e absolutizando a sua sinceridade subjetiva; etc.
Fonte: SDPL