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Dom Lahham: morte de Hattar teve motivação política, e não religiosa

27.09.2016

Assassinato do conhecido intelectual Nahed Hattar causou indignação na sociedade jordaniana - AFP

 

Amã – O brutal assassinato do intelectual e ativista político jordaniano Nahed Hattar, morto no domingo em Amã, na entrada do Tribunal, provocou a indignação e o pesar também dos católicos jordanianos.

 

O Arcebispo Maroun Lahham, Vigário Patriarcal para a Jordânia do Patriarcado Latino de Jerusalém, manifesta a reprovação de toda a comunidade pelo crime brutal, e que a seu juízo, não deve ser apresentado como um crime provocado por motivação de natureza religiosa.

Motivação político-ideológica

 

“O fator motivador – refere o Arcebispo à Agência Fides -  é político-ideológico. E não religioso”. Um conceito expresso também em um comunicado divulgado pelo Vigário Patriarcal, onde é recordado que “as diferenças político-ideológicas devem ser tratadas e enfrentadas com os instrumentos de diálogo e de debate, e não devem nunca levar à morte e ao derramamento de sangue”.

 

Não comprometer a unidade nacional

 

O comunicado do Vicariato contém também uma invocação ao Onipotente, para que “proteja a nossa querida Jordânia de toda intenção voltada a comprometer a unidade nacional, e o país se fortaleça sob a guia de Sua Majestade o Rei Abdullah II Ibn al Hussein”.

 

Não-praticante

 

A mensagem expressa também as condolências a todos os familiares do intelectual assassinado. Nahed Hattar pertencia a uma família católica de rito latino, mas não era praticante. Desde os tempos de estudante era conhecido pela sua adesão militante à posições políticas muito críticas de esquerda. Em diversas ocasiões no passado teve que defender suas opiniões no tribunal,  também da acusação de ter denegrido a Monarquia Hashemita.

 

Hattar defendeu-se, dizendo ser não-praticante

 

Em agosto, o intelectual de 56 anos foi chamado em juízo por ter compartilhado no facebook uma charge intitulada “o deus do Daesh”, em que retratava um conhecido jihadista do autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) - recentemente morto em um ataque estadunidense - enquanto na sua tenda no paraíso, na cama com duas mulheres, ordenava com menosprezo a Deus para levar a ele uma taça de vinho.

 

A publicação da charge pelo conhecido intelectual suscitou reações ressentidas nas redes sociais, com ataques ferozes contra Hattar também enquanto “cristão”. Ele respondeu às acusações definindo-se como “não praticante”, enquanto os grupos islâmicos faziam  apelo às autoridades civis pedindo que fossem perseguidos pela leis aqueles que divulgam material que mina a unidade nacional. Havia um mandato de prisão contra Hattar desde 12 de agosto. O intelectual foi levado à juízo também com a acusação de ter divulgado “material voltado a ferir o sentimento e a crença religiosa”.

 

Dom Lahham augura que parlamentares islâmicos entrem na dialética política

 

Os resultados das eleições legislativas jordanianas realizadas na última semana, confirmaram que o bloco guiado pela Frente da Ação Islâmica, braço político da Irmandade Muçulmana, haviam boicotado as eleições legislativas em 2010 e em 2013. Trata-se do bloco político mais compacto e organizado, visto que os outros candidatos eleitos são em boa parte representantes de grupos tribais ou de clãs, unidos entre si somente pela compartilhada lealdade em relação à monarquia Hashemita.

 

“Em todo caso – referiu o Arcebispo à Fides – não é dito que os parlamentares islâmicos se colocarão em uma posição de oposição frontal em relação ao atual equilíbrio político da Jordânia: os elementos mais fanáticos não foram eleitos e aqueles entre eles que entraram no Parlamento, representam a ala política mais competente, capaz de tratar com os outros parlamentares e com o governo segundo as lógicas próprias da dialética política”.

 

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