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Homilia Dom Fernando Antônio Figueiredo

20.10.2016

 

Lc 12, 49-53 - Jesus diante de sua Paixão (sinal de contradição)

    

 

O sol surgia no horizonte. A cidade despertava. Parecendo romper as barreiras do mundo físico, a voz do Senhor soou forte: “Eu vim trazer fogo à terra, e como desejaria que já estivesse aceso! ”. Pasmos, os discípulos se perguntavam: “Que fogo é esse? ”. Certamente, não é o fogo vingador ou o da Geena, mas aquele anunciado por S. João Batista, o fogo do batismo. S. Cirilo de Alexandria diz por sua vez que esse fogo “é a salvífica mensagem do Evangelho, é o poder dos ensinamentos do Messias. Poder que inflama a terra e conduz os homens a uma vida de piedade e de amor”. Com a vinda de Jesus, resplandeceu no mundo a justiça e a santidade de Deus, a caridade iluminou a todos e a fé, qual fogo divino, brilhou nos corações: “Quem está perto de mim está perto do fogo; quem está longe de mim está longe do Reino” (Orígenes). 

 

No relato de S. Lucas, todos os acontecimentos da vida pública de Jesus, inclusive o batismo por João Batista, se orientam para Jerusalém, onde Ele seria crucificado. Sua missão se desenrola entre o batismo e a morte na cruz, seu batismo doloroso, que a encerra. Segundo as palavras do profeta, seus seguidores serão “batizados no Espírito Santo e no fogo”, provocando a alternativa: permanecer unido ou não a Ele; deixar-se queimar por Ele ou se excluir do Reino. Ele espera pela decisão deles: acolher ou não o Evangelho do amor e da misericórdia; abraçar ou não a cruz, itinerário de serviço, o mesmo percorrido por Ele como caminho de salvação. Realizam-se assim as palavras do velho profeta Simeão, declarando-o “sinal de contradição”, o que Ele próprio recorda, ao dizer: “Não vim estabelecer a paz, mais uma divisão. Pois, doravante, numa casa com cinco pessoas, estarão divididas três contra duas e duas contra três”.

 

 Ele é o profeta da salvação, e sua vinda é tempo de decisão, pois se Ele reenvia ao fim dos tempos, também ao hoje totalmente atual. A verdade de sua Palavra é força purificadora e renovadora, que como uma espada penetra nossa condição de morte e de divisão, para tudo preencher de luz e de esperança. Mas, porventura, está o nosso coração fechado à misericórdia e ao amor? A opção por Jesus nos torna um sinal profético de solidariedade e de doação fraterna, porque nosso amor ao próximo resulta do amor a Jesus e a acolhida do pobre significa nossa adesão de vida a Cristo. Nele, concretiza-se a Aliança permanente de Deus, anunciada pelos profetas, pois, graças à conversão, sempre há uma nova chance de salvação: o louvor a Deus jamais cessou, até nossos dias.

 

Dom Fernando Antônio Figueiredo, OFM

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