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Homilia de Dom Fernando Antônio Figueiredo

05.11.2016

Lc 16,9-15 - Deus e o dinheiro

 

  

 

Jesus está à procura não de servos, mas sim de irmãos e de amigos, que estejam prontos a acolher a dádiva divina, o presente de Deus para nós: Seu Filho muito amado. Com divina sensibilidade, Jesus nos deixa como legado uma vida de pobreza, alçada a ideal, fruto da escolha entre dois senhores. Diz Ele: “Ou odiará um e amará o outro, ou se apegará ao primeiro e desprezará o segundo. Não se pode servir a Deus e ao dinheiro”. Diante dessas considerações, os doutos da Lei se sentem incomodados, não só por causa do amor deles pelo dinheiro, mas porque as palavras de Jesus contrariavam a ideia comum de seus compatriotas, que consideravam a prosperidade terrena como sinal do favor de Deus. No entanto, o povo o ouvia cheio de esperança e de suave inquietação.

 

É evidente que a liberdade com que Jesus falava causava espanto e mesmo temor. Na realidade, Ele vai à questão essencial, que é apresentada aos discípulos, de maneira singela e direta, sob a forma de uma decisão a ser tomada: se eles queriam ou não receber amor, bondade e misericórdia, e, caso quisessem recebê-los, se estariam ou não dispostos a uma mudança em seu próprio modo de ser e de viver. Mudança não apenas aparente, mas decisiva e permanente, pois a opção por Deus significa ter o mesmo estilo de vida de Jesus: ser interiormente livre, pobre e simples. No suor do coração, eles compreendem que suas palavras não são meras prescrições; indicando um caminho sem fim, mas não sem perspectiva; são atitudes concretas e precisas de amor, de misericórdia e de solidariedade. O fim supremo é servir a Deus e aos seus semelhantes, uma vez que, segundo S. Gregório de Nissa, “os pobres são os ecônomos de nossa esperança e guardiães do Reino de Deus”.  

  

Jesus urge que os discípulos se decidam “por um ou por outro mestre”, pois mestre é aquele que comanda o modo de pensar e de agir do seu seguidor. Por isso, eles ficam desconcertados, quando Ele dá a entender que quem se deixa guiar pelos bens materiais converte-se em inimigo de Deus. Por outro lado, os que O seguem se sentem cheios de esperança, porque livres de toda inquietação (mérimna), ansiedade e dubiedade, eles alcançam a serenidade e a tranquilidade de espírito: bênçãos do Pai, que sempre está atento às necessidades vitais de seus filhos, que jamais ficarão desatendidos. Caso contrário, comenta S. João Crisóstomo, “sem Deus, nada subsistiria e pereceríamos todos inevitavelmente com as nossas preocupações, inquietudes e fadigas”.

 

 

Dom Fernando Antônio Figueiredo, OFM

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