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Arábia Saudita usa dinheiro do petróleo para difundir o islã radical, alerta sacerdote

07.11.2016

 

 

Roma - O Pe. Samir Khalil Samir, doutor em Islamologia e professor do Pontifício Instituto Oriental e do Pontifício Instituto de Estudos Árabes e Islamistas, em Roma (Itália), advertiu que graças ao dinheiro arrecadado com a venda do petróleo, a Arábia Saudita difundiu nos últimos 50 anos o wahabismo, uma corrente radical do islã.

 

O sacerdote, autor de 60 livros – entre eles “Cem perguntas sobre o islã”–, fez esta afirmação durante uma entrevista publicada pelo semanário italiano ‘Tempi’, na qual recordou o apelo feito anteriormente pelo Pe. Khalil sobre a necessidade de uma reforma dentro do islã que coloque em seu contexto histórico os trechos mais controversos do Corão, sobretudo a teologia da guerra santa ou jihad.

 

“Inclusive, se não há um papa no islã, em cada país que se define islâmico há autoridades que teriam o poder de promover uma reforma. Se no Egito a Universidade de Al-Azhar formulasse um ensino que marginaliza uma leitura político-militar do Corão, que estabeleça que os versos do Corão relativos ao dever da guerra santa estão contextualizados à época na qual o Corão apareceu, os imãs do país se conformariam com aquele ensinamento”, afirmou.

 

Nesse sentido, explicou que “no passado o islã procedeu várias vezes a uma reforma da sua interpretação, mas as coisas mudaram nos últimos 50 anos, quando a Arábia Saudita, graças aos recursos econômicos provenientes da venda do petróleo, pôde impor na maior parte do mundo islâmico a sua interpretação do islã, que é o wahabismo”.

 

O sacerdote indicou que o wahabismo é a “convergência entre a teologia de Muhammad Ibn’Abd al-Wahab e os interesses políticos da família Saud” e é um islã com “preceitos terríveis para os não muçulmanos, sobre a condição da mulher, dos xiitas, coisas que os muçulmanos razoáveis normalmente não aceitariam”.

 

Entretanto, o dinheiro do petróleo “permitiu a Riad (capital da Arábia Saudita) penetrar por todos os lugares”, advertiu o Pe. Khalil e recordou que na década de 1960 eram poucas as mulheres que usavam o véu islâmico no Egito; mas hoje também as cristãs devem usá-lo nos bairros populares se não quiserem sofrer represálias.

 

“As autoridades islâmicas são temerosas: Quando vão à Grozny, na Chechênia, o grande imã de Al-Azhar, Ahmed al-Tayeb, aprova um documento que declara que o wahabismo não faz parte da tradição sunita.

Quando está no Cairo, onde há uma forte influência econômica saudita, ele cala”, assinalou em referência à conferência que os líderes muçulmanos tiveram em setembro.

 

Nesse sentido, advertiu que a situação piorou para os cristãos coptos no Egito, pois são atacados pelos Irmãos Muçulmanos e outros grupos extremistas, especialmente na província de Minia.

 

Indicou que o presidente egípcio, Al-Sisi, faz o possível para proteger as minorias, “mas o preconceito contra os cristãos existe há algum tempo: no Egito, segundo a lei, um cristão não pode ensinar o idioma árabe nas escolas, porque é um ensinamento centrado especialmente na leitura e na análise linguística do Corão, pois consideram que um cristão não está apto para fazê-lo”.

 

Além disso, assinalou que neste país “é quase impossível construir uma igreja, devido às leis discriminatórias contra os cristãos”.

 

Finalmente, sobre qual poderia ser “o rosto do islã” no Oriente Médio e na Europa em dez anos, o sacerdote indicou que “é impossível prevê-lo. Esperemos uma volta na direção reformista, que seria acolhida favoravelmente pela maioria de muçulmanos”.

 

“Mas se analisarmos os acontecimentos, vemos que os únicos países com sistema laico da região, Iraque e Síria, foram politicamente e materialmente destruídos com a desculpa de que eram ditaduras. Como se os outros chefes de Estado (liderados pelo rei) dos países árabes também não fossem ditadores”, assinalou.

 

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