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Homilia de Dom Fernando Antônio Figueiredo

07.11.2016

Lc 17,1-6 – Correção fraterna

 

 

 

 

Nesta passagem, Jesus fala aos seus discípulos sobre a liberdade espiritual necessária para restaurar a boa convivência e a amizade entre as pessoas. E mostra que não se trata simplesmente de um procedimento social ou de uma reconciliação da boca para fora, mas de uma atitude mística, nascida da comunhão com Deus. Aquele que trouxer o amor (ágape) divino, em seu coração, jamais abrirá espaço para algo que possa prejudicar a vida de seu semelhante. Ao contrário, será abençoado por uma harmoniosa relação entre o espírito e a graça, que o conduzirá à união com Deus, fonte de íntimo e verdadeiro respeito para com todos. A paz e a união devem prevalecer sempre. A vigilância dos homens em relação a isso há de ser constante e não menos incessante o desejo da correção fraterna: reorientar para Deus aquele que errou ou praticou o mal.

O modo como Jesus apresenta a correção fraterna aos discípulos – e podemos nos incluir entre eles – é bastante simples. Exige apenas um pouco de sensibilidade e delicadeza. Para alcançá-la, há três etapas possíveis. Na primeira, tentamos resolver a questão pessoalmente e se não tivermos sucesso, podemos contar com a ajuda de mediadores, amigos ou parentes, que servirão de agentes e testemunhas da reconciliação. Se ainda assim fracassarmos, podemos recorrer aos representantes da Igreja. Neste caso, entra a função sacramental do sacerdote.

    De fato, temos a obrigação de repreender imediatamente nosso irmão para que, ao nos fazer o mal, ele não permaneça no pecado. Escreve São Jerônimo: “Não só temos o poder de perdoá-lo, mas somos obrigados a fazê-lo, pois nos foi ordenado perdoar os que nos ofenderam”. Aquele que pensa ser mais fácil esquecer a ofensa e deixar o pecador entregue ao seu próprio destino está bastante enganado. O que deve nos mover é o desejo de realizar em nosso irmão uma mudança de conduta que transforme sua vida. Caso ele não nos escute, nem mesmo diante de duas ou três testemunhas, melhor seguir a recomendação de Santo Agostinho: “Ainda que ele não seja considerado mais, pela Igreja, como um dos teus irmãos, nem por isso deixes de te preocupar com a sua salvação”.

    Em outras palavras, nossa vida fraterna se apoia no infinito amor de Deus, compartilhado por todos nós. Amor não possessivo, mas impregnado de respeito e de afeto desinteressado, que nos leva a sair de nós mesmos para sentir o outro e, com ele, estabelecer a vitória do bem sobre o mal. Dissolve-se então em nós o rancor, o ressentimento e o ódio, e o amor ao próximo torna-se sempre mais vigoroso em nossos corações. Uma de suas expressões será a correção fraterna.

 

 

Dom Fernando Antônio Figueiredo, OFM

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