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Homilia de Dom Fernando Antônio Figueiredo

09.11.2016

 

Lc 17,7-10 - Servir com humildade

 

 

Muitos são os projetos de vida que pretendem conduzir o mundo à salvação definitiva. Porém, segundo o anúncio profético, esse objetivo só pode ser atingido graças à ação benevolente e misericordiosa de Deus, único que tem o poder de vencer a morte e conduzir todos à unidade no amor. O estado de salvação, que não é compreendido simplesmente como “salvação da alma”, se realiza na medida em que se estabelece a relação harmoniosa de uns com os outros, e dos homens com Deus. Com efeito, Jesus, presença do amor misericordioso do Pai, empenha suas forças para que seus discípulos evitem cair no proselitismo, guiados por uma visão egoísta e discriminatória, mas se sintam profundamente solidarizados, colocando-se a serviço de um “ecumenismo” religioso, social e político: eles representam a vinda do Reino de Deus.

 

No desejo, porém, de se tornarem mais fortes na fé, os Apóstolos suplicam ao Senhor: “Aumentai a nossa fé”. Sem negar-lhes o pedido, o Senhor lhes apresenta uma exigência: fustigar a arrogância, a atitude altiva e desdenhosa, e ser humilde no serviço. Fala-lhes, então, do patrão que diz ao servo, após ter trabalhado o dia todo: “Prepara-me o jantar e serve-me, até que eu tenha comido e bebido; depois, comerás, por sua vez”. O servo, simples e disponível, não alimentando qualquer pretensão, age de modo desinteressado e dá o melhor de si mesmo.
                

No entanto, Jesus recomenda-lhes que não se deixem ensoberbecer pelo que hão de fazer, mas, como servidores, sejam animados por uma atitude religiosa e espiritual, que não lhes permita estabelecer condições, nem colocar limites ao dom recebido de Deus, pois o próprio Filho se fez “servidor” e foi “entregue” por nós, corpo e alma, até à morte e morte de cruz. 

 

O distintivo cristão reflete a praxe da vida de Jesus, que é bondade e compaixão para com seus semelhantes, e misericordioso até para com os inimigos e ingratos. Eis a energia que sustenta a vida dos discípulos e os torna profundamente humanos, capazes de unir todas as pessoas; Deus não é apenas aquele que conserva o mundo, mas é também a força que conduz à verdadeira humanidade: sendo amor que vence toda opressão de natureza ideológica, Ele permite que todos, tornando-se uma comunidade de fé, se reconheçam irmãos e encontrem a salvação definitiva. 

 

 

 

Dom Fernando Antônio Figueiredo, OFM

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