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HOMILIAS DE DOM FERNANDO ANTÔNIO FIGUEIREDO

03.12.2016

Mt 9,35-10, 1.6-8 - Compaixão pela multidão e missão dos Doze

 

        

 

O seguidor de Jesus compreende que aceitar a salvação é transformar a morte e todas as formas de morte em passagem para a vida. Por isso, deixando-se iluminar por Cristo, ele não mais vaga na incerteza de sua sorte ou na timidez de um destino desconhecido. Com S. Agostinho, ele exclama: “Senhor, fizeste-nos para ti”! Não para indicar a ideia de que Deus o criou por necessidade, mas para significar que o seu coração foi criado de modo a ser capaz de abrir-se a Deus e de se relacionar com Ele. Sua real realização consiste em estar alegremente voltado a um Deus transcendente, tornado presente entre nós em seu Filho Jesus, em quem, dizia Pascal, “o homem ultrapassa infinitamente o homem” e toma consciência de que viver é ser pura dádiva a Deus e aos seus semelhantes.  

   

Esta boa notícia do Evangelho do amor e da misericórdia, os Apóstolos irão anunciar a todos os povos, levando o consolo divino e a cura da alma e do corpo às pessoas cansadas e abatidas, que jazem como ovelhas abandonadas pelo pastor, entregues à sua própria sorte. Eles não buscarão bens ou riquezas materiais, mas, quais peregrinos desapegados de tudo, viverão sem preocupações, como os pássaros do céu, sempre guiados e inspirados pelas palavras: “Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso”. Deleite maior, porém, era anunciar a Palavra e servir, cuidando das feridas e fraturas do coração pecador, transformando-as em fonte de alegria e fruto de purificação interior.  

 

No desejo de reunir todo o Israel sob o bom Pastor, Jesus recomenda aos Apóstolos de não começarem a divulgar a mensagem evangelizadora pelos pagãos ou samaritanos, mas que eles fossem primeiramente “às ovelhas perdidas de Israel”.  Essa missão dos discípulos parece indicar que Jesus contava que sua mensagem fosse acolhida por muitos, mas também não desconhecia a possibilidade de muitos a rejeitarem. Seus adversários seriam numerosos e haveria aqueles que perseguiriam os discípulos.  Daí a advertência: “Eu vos mando como ovelhas para o meio de lobos; sede, pois, astutos como as serpentes, mas simples como as pombas”. Ele, porém, não os deixará, estará sempre com eles, envolvendo-os e conduzindo-os à intimidade de vida com o Pai: “Vocês não são servos, mas sim meus amigos”, palavras que ficarão gravadas no coração de cada um deles.

 

 

Dom Fernando Antônio Figueiredo, OFM

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