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Homilias de Dom Fernando Antônio Figueiredo

Mt 17, 10-13 - Questões sobre Elias



Ao longo da História da Salvação, Deus oferece sinais e suscita profetas para despertar confiança e paz no coração de seus filhos, pois, apesar de ser transcendente ao mundo, Ele “não vive no repouso celeste”; em seu amor para conosco, Deus penetra a nossa história com um objetivo específico: a nossa salvação, profunda intimidade com Deus, felicidade e paz.


Todas as suas intervenções na história se orientam para a vinda do seu Filho, Jesus Cristo, que não é só um grande “sinal” de sua presença, mas é o centro e a plenitude da revelação: mais do que todos os profetas, Ele manifesta aos homens a vontade do Pai, Ele é o Deus conosco. Entre os profetas, sobressaem Isaías e Elias. Este deverá vir e restabelecer todas as coisas, e ele veio, diz o Evangelho, na pessoa de S. João Batista, o Precursor imediato do Messias, que, de modo claro e solene, anuncia o batismo de arrependimento e de conversão. Neste sentido, S. João Crisóstomo refere-se ao fato de “Jesus chamar João Batista de Elias, não porque fosse Elias, mas porque ele realizava o ministério próprio do profeta, convocando todos à conversão”.


A conversão é mais do que uma simples mudança de comportamento e de práticas exteriores. Caso assim fosse, ela poderia tornar-se um álibi, pois estaria exteriorizando uma realidade diferente do que de fato a pessoa é em sua interioridade: acomodada, fechada em seu egoísmo e presa a uma piedade subjetiva e individualista. O resultado seria a anemia do espírito. Ao invés, a conversão, provada pelas ações, exige ascese, isto é, exercício ou esforço, que permite vencer o Mal pela prática do Bem. Se o pecado constrói um muro entre a alma e Deus, a conversão o destrói.


Elias já voltou; os que o reconheceram na pessoa de João Batista acolhem Jesus Cristo, que os liberta do pecado e dos grilhões do egoísmo e da maldade. Então, leves, a exemplo do Apóstolo João, eles repousarão sua cabeça no peito do Senhor e, ouvindo as batidas do seu coração humano, são introduzidos na intimidade da vida divina. Assim, na grandeza de alma, eles se convertem e se transfiguram já não mais por causa de Elias, tampouco por causa de João Batista, mas graças àquele que “batiza no Espírito Santo”, o Messias, o Filho de Deus, nascido de Maria. Desde as primeiras palavras do Mestre: “Fazei penitência”, “Convertei-vos”, eles o seguiram, vivendo o Êxodo, ou seja, o “Retornai ao vosso Pai”, para o qual convergem o Antigo Testamento e os Evangelhos, no seu cumprimento total e escatológico.



Dom Fernando Antônio Figueiredo, OFM

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