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Homilias de Dom Fernando Antônio Figueiredo

14.12.2016

Lc 7,19-30 - Testemunho de Jesus sobre João Batista

 

 

 

 

João encontra-se no cárcere. Ao tomar conhecimento das atividades de Jesus, possivelmente, a cura do servo do centurião e a ressurreição do filho da viúva de Naim, ele envia dois discípulos, para perguntar-lhe: “És tu aquele que há de vir ou devemos esperar outro? ”. Por “aquele que há de vir”, João entende o Messias, a grande esperança de todo o povo de Israel. Os antigos profetas falavam do Dia do Senhor, dia de uma nova aliança, que jamais será ultrapassada nem destruída, dia de uma criação nova, que irá inaugurar o Reino, que não terá fim e se dilatará para além das fronteiras de Israel. 

 

Jesus responde mostrando as obras realizadas por Ele, que atestam a sua missão, talvez não como a tenha pensado João Batista. Elas evidenciam a presença atuante de um Deus de bondade, cuja característica é ser misericordioso, até para com os injustos e pecadores. Por isso, aos emissários de João, Jesus diz: “Ide contar a João o que estais ouvindo e vendo: os cegos recuperam a vista, os coxos andam, os leprosos são purificados e os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobres são evangelizados”. Admirado, S. Cirilo de Alexandria vê nessas palavras “a esplêndida arte da resposta do Salvador: ele não diz simplesmente ‘sou eu’. Se o tivesse feito, teria dito a verdade, mas ele os conduz à prova manifestada pelas suas próprias obras”. O testemunho das obras é mais forte do que o das palavras. 

 

Dissipada a dúvida, eles se afastam e retornam a João. Se João diz não ser o Messias, Jesus, embora Ele mesmo não se dê o título de Messias, não rejeita ser assim chamado. Uma única vez, no Evangelho de S. Mateus, quando o Apóstolo Pedro confessa: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”, Ele diz claramente: “Bem-aventurado és tu, Simão, filho de João, porque não foi carne ou sangue que te revelaram isto, e sim o meu Pai que está nos céus” (l6,16s). Porém, no momento mesmo em que aceita o título, Ele anuncia, pela primeira vez, sua paixão e morte, modificando, totalmente, o que os discípulos acreditavam ser o Messias. Nesse sentido, será decisiva a passagem que relata seu comparecimento diante do Sinédrio. À pergunta do sumo sacerdote: “És tu o Messias? ”, Ele responde claramente: “Eu o sou”.

 

Mas, para eliminar a pretensão de uma realeza terrestre e destacar o triunfo da misericórdia divina, Ele acrescenta: “Desde agora, o Filho do Homem estará sentado à direita de Deus Poderoso! ” (Lc 22,69). Eis a grande novidade apregoada por Jesus: o carro triunfal, que o conduz ao trono de glória, continua a ser a cruz do Servo sofredor.

 

 

Dom Fernando Antônio Figueiredo, o.f.m.

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