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Homilias de Dom Fernando Antônio Figueiredo

12.01.2017

Mc 1,40-45 - A cura de um leproso

 

 

Pela Lei mosaica, a lepra era considerada uma doença passível de excomunhão, que tornava quem a contraísse excluído do convívio comunitário. Por acaso, se alguém fosse curado, ele devia submeter-se ao rito de purificação, sinal de um mundo em estado de salvação e da proximidade imediata do Reino escatológico de Deus. Indubitavelmente, Jesus se revela como o Messias prometido a Israel.

                            

Apesar das normas levíticas e das restrições prescritas, que o obrigavam a retirar-se para uma vida isolada, “um homem, cheio de lepra” não hesita em aproxima-se do Mestre, que, sereno, não se afasta, acolhe-o. A pureza interior de Jesus é intocável, cena que comove os Apóstolos, levando-os à admiração e ao enlevo espiritual. De sua parte, profundamente sensibilizado, o leproso se prosterna, em sinal de adoração e, num ato de profunda humildade e de abandono confiante, implora: “Senhor, se queres, tens poder para limpar-me”. 

 

Colocando-se acima da interdição da Lei, Jesus, “movido de compaixão, estendeu a mão, tocou-o e disse: ‘Eu quero, sê curado’”. Gesto que faz pensar nas palavras de S. Cirilo de Alexandria: “Ele lhe concede o toque de sua mão santa e onipotente e, imediatamente, a lepra se afastou dele e o seu sofrimento terminou”. O santo alexandrino exclama: “Uni-vos a mim na adoração a Cristo, que exercia contemporaneamente o poder divino e corpóreo, Ele o cura e o toca”. Orígenes dirá que Jesus “o tocou para demonstrar humildade e ensinar-nos a não desprezar ninguém, por causa das feridas ou manchas do corpo”. 

 

Apesar de ser miraculosa, a cura do leproso não é, simplesmente, uma ocorrência medicinal: é fruto da misericórdia de Jesus, que vê na Lei um sinal da presença benfazeja de Deus. A intenção de Jesus é incluir todos, trazê-los à comunhão, como aquele leproso, que curado em sua carne, sente-se amado, acolhido, reabilitado. Esse sentido humano e espiritual do milagre é compreendido pelos santos, como S. Francisco de Assis, que beija o leproso, encontrado por ele num dos caminhos de Assis. Seu amor, cuja fonte era Deus, chegava aos seus irmãos e às mais humildes criaturas, transformando o que antes ele achava amargo em verdadeira doçura de espírito. As experiências não foram muitas, bastou esse simples encontro com o leproso para irromper, em seu coração, um imenso amor pelos pobres e pelos pequeninos. Na alegria, cantando, Francisco contempla um mundo novo, mais fraterno e solidário. 

 

Curado, o leproso reconhece, como Francisco de Assis, que seu encontro com Jesus significou a reconstrução de sua vida na força de um Salvador, que é o Messias. Ambos, o leproso e Francisco de Assis, se tornam Apóstolos do Evangelho do perdão e da misericórdia, presença da salvação divina para Israel e para toda a humanidade.

 

Dom Fernando Antônio Figueiredo, ofm

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