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Homilias de Dom Fernando Antônio Figueiredo

Mc 2,18-22 - Discurso sobre o jejum



Apesar de os profetas terem insistido menos sobre a severidade do jejum e muito mais sobre a conduta justa e caritativa para com o próximo, os discípulos de João Batista e os fariseus multiplicavam jejuns e orações. A voz dos profetas tem sua plena realização em Jesus. Num horizonte mais amplo, após afirmar que a sorte do mundo e o destino do homem estão intimamente unidos, Ele anuncia a transfiguração do ser humano, no qual tudo se renova e adquire novas qualidades de acordo com seu sentido último em Deus, “pois dele, por Ele e para Ele são todas as coisas” (Rm 11,36). Nesse sentido, deixando para trás toda tendência à vitimização ou à teatralização, o jejum significa a renovação do homem e do mundo e constitui um gesto religioso, que prepara o homem para acolher, de modo incondicional, o Reino de Deus, que não é só iminente, mas já “está entre nós”.


Para uma melhor compreensão, Jesus se apresenta como o “noivo” das núpcias de Deus com o seu povo, e os discípulos são descritos como os amigos do noivo. Aos que criticam os Apóstolos por não jejuarem, Jesus, com certa ironia, pergunta-lhes: “Podem os amigos do noivo jejuar enquanto o noivo está com eles? ”. S. Hilário de Poitiers conclui que “o fato de eles não jejuarem demonstra a alegria dos discípulos com a presença de Jesus. Nesse período, não se há de jejuar, porque o Esposo está lá e com Ele o tempo messiânico, tempo de núpcias, de abundância e de alegria”. Mas a observação do Senhor não lhes escapa: “Quando Ele lhes for tirado, eles jejuarão”. Ou, no dizer de S. Basílio Magno: “Eles então jejuarão, pois suas vidas estarão orientadas para as realidades, que ultrapassam os bens simplesmente materiais e carnais”. Não só, mas pela prática do jejum, os discípulos estarão proclamando, em seu corpo particularizado, isto é, em sua individualidade, sua participação no corpo transfigurado de Jesus.


O tempo em que vivemos é um tempo messiânico, início de nossa transfiguração, resposta ao desejo de continuidade do ser humano em sua totalidade, corpo e alma, como bem recorda S. Agostinho a uma irmã, que se sentia desconsolada pela morte de seu irmão: “O amor de teu irmão não pereceu, pois ele te amou e ele te ama; ele permanece conservado em teu tesouro e escondido com Cristo no Senhor”. Um pouco adiante, ele conclui: “Nós não perdemos os que emigraram desta vida antes de nós: nós os enviamos à outra vida onde nós nos reencontraremos, e onde eles serão ainda mais caros a nós do que são intimamente conhecidos”.


Dom Fernando Antônio Figueiredo, ofm

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