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Jesus inicia sua missão

20.01.2017

 

 

Das festas natalinas e de fim de ano muita gente nem se lembra mais. Janeiro vai chegando ao fim. Entramos de vez no Ano Novo. No calendário da Igreja, estamos no chamado Tempo Comum. O calendário religioso dura também doze meses, mas não está dividido em meses e sim em cinco tempos litúrgicos, com duração desigual: Advento, Natal, Quaresma, Páscoa e Comum. Ao longo desse tempo anual, a Igreja celebra na Liturgia e traz para o cotidiano dos cristãos a memória da vida de Jesus Cristo, desde a sua encarnação no seio da Virgem Maria até à sua ascensão ao céu. Cada um desses cinco tempos foca um aspecto essencial da vida de Jesus. O Advento prepara para o Natal, tendo presente o anúncio do Anjo Gabriel à Virgem Maria. O Natal comemora o nascimento de Jesus e vai até o seu Batismo por João. A Quaresma prepara para a Páscoa, convidando à penitência e à conversão. Na Páscoa se comemora a paixão, morte, ressurreição e ascensão de Jesus, em suma, a Páscoa de Cristo e da Igreja. O Comum é o tempo em que se celebra o mistério pascal de Cristo no dia a dia, sobretudo nos domingos, em que a Liturgia prioriza em geral os sermões de Jesus, seus milagres, suas orações, suas preocupações, suas relações com as pessoas, suas andanças missionárias, suas ações de misericórdia para com os pobres, os pecadores e os sofredores. Tudo isso para seguimos Jesus no seu dia a dia. 

 

No trecho evangélico da Missa de hoje - Mt 4,12-23 - São Mateus relata aspectos do início da missão de Jesus. Diz que Jesus, sabendo que João tinha sido preso, foi morar em Cafarnaum e começou a pregar ao povo da região do outro lado do Jordão, a Galiléia dos pagãos, dizendo: “Convertei-vos, porque o reino dos céus está próximo”. Porque também, considerando-se o que acontecera com o Batista, seria arriscada a iniciativa de começar a pregar à Galiléia dos hebreus. E ainda porque, segundo destaca Mateus, devia ser cumprida a profecia de Isaías que anunciou que naquela terra de Zabulon e Neftali, caminho do mar, sobre o seu povo que vivia nas trevas brilhou uma grande luz que o afastou da escuridão da morte. Prosseguindo, Mateus sublinha que Jesus escolheu discípulos dentre pescadores dali do mar da Galiléia: Os irmãos Simão Pedro e André, dizendo-lhes: “Segui-me e Eu farei de vós pescadores de homens”, e os irmãos Tiago e João, filhos de Zebedeu. Eles imediatamente deixaram as redes e O seguiram. Esta passagem evangélica se encerra com o registro de Mateus que diz que “Jesus andava por toda a Galiléia, ensinando em suas sinagogas, pregando o Evangelho do reino e curando todo tipo de doença e enfermidade do povo”. Dessa maneira, ficamos sabendo por Mateus como Jesus iniciou a sua vida apostólica e missionária. Sobressaem-se aspectos importantes. Tais como o conteúdo da sua pregação: o reino dos céus e a necessidade da conversão; Jesus precisava se cuidar porque sofreria perseguição das autoridades civis e religiosas; Jesus devia pregar também aos pagãos e não só aos filhos de Israel; Jesus começava a escolher discípulos para formar a sua equipe de trabalho; os discípulos deviam deixar tudo e segui-Lo; Jesus andava por toda Galiléia pregando o evangelho do reino e fazendo o bem. Está posto aqui por Mateus resumidamente tudo sobre a vida e a missão de Jesus que ele contará em detalhes na sequência do seu Evangelho conforme os fatos foram acontecendo.

 

 Na semana passada, escrevi dizendo que, segundo minha ínfima opinião, as virtudes máximas para o cristão hoje são: fé, esperança e caridade, humildade e coragem. Estão aqui três virtudes teologais que valem sempre e em todas as circunstâncias e duas que fazem muita falta, sobretudo a humildade, na situação trágica da vida arrogante atual. Repito, essas virtudes teologais com a humildade e a coragem são absolutamente indispensáveis para o enfrentamento dos tormentos e angústias que assolam multidões incautas e, por isso, enganadas pelas falsas promessas de sucesso fácil ou pelas ideologias secularistas que prometem a imortalidade e o paraíso terrestre por meio da simples autossuficiência de si mesmos e do mundo, que não se realizam. Os mistérios da fé e da esperança, porém, não podem ser compreendidos pela inteligência humana porque não são verdades científicas, senão que o podem pela faculdade da alma de se achegar a Deus por amor sobrenatural, pois somente neste amor de Deus é que se assentam as verdades sobre a fé e a esperança e em nenhuma outra razão. Sem o amor de Deus ninguém conseguirá aderir aos mistérios da fé e da esperança. É por isso que a Sagrada Escritura afirma que o amor ou a caridade é maior do que a fé e a esperança, não acaba nunca, mas perdura por toda a eternidade, pois Deus é amor. Sem o amor de Deus, o amor a Deus e ao próximo, nada de sólido pode sustentar de pé o homem diante dos problemas da vida. A humildade é virtude antiga, é o reconhecimento de que somos um nada, uma simples criatura e, mais ainda, pecadora. Relevando o exagero da linguagem mística medieval, São Francisco de Assis rezava assim: “Quem sois vós, Senhor, e quem sou eu? Vós, o Criador do céu e da terra. Eu, ínfima criatura vossa, um vermesinho, pobre e pecador. A vós, o sumo bem e o amor perfeito, o louvor e a glória”. A coragem tem mais presença no mundo, mas não é suficientemente poderosa para manter de pé a maioria das pessoas que soçobram nos turbilhões do mar da vida, porque confiando apenas em si deixam de segurar na mão estendida do Senhor que caminha sobre as ondas como aconteceu a Pedro, e, assim sendo, esmorecendo as forças da coragem, sucumbem no desespero. Só quem assenta sua coragem sobre a rocha da fé em Deus, e não sobre as areais da autoconfiança, nunca desanima nem jamais esmorece.

 

Traços da condição humana como ansiedade, medo, velhice, doença e morte colocam a sociedade moderna, laica, racionalista em desespero. Em face dessas questões tão velhas quanto a humanidade a reproposição de virtudes igualmente antigas como as aqui referidas com as quais nossos antepassados compreenderam os problemas da contingência humana e com eles conviveram me parece oportuna, especialmente no começar do Ano Novo.

 

Autor: Dom Caetano Ferrari

Diocese de Bauru, SP

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