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Homilias de Dom Fernando Antônio Figueiredo

25.01.2017

Mc 16, 15-18 - Conversão do Apóstolo S. Paulo

                 

 

 

Enviado para aprisionar os cristãos, Paulo chega às portas da cidade de Damasco, onde se converte e recebe o chamado do Senhor para levar seu nome a todos os povos. Nos Atos dos Apóstolos, S. Lucas fala de uma luz celestial, que deixa Paulo como que cego, para assim acentuar sua passagem da descrença à fé, que, qual luz interior, o iluminará, ao longo da vida. Educado para ser fariseu, ele observava fielmente a Lei mosaica e julgava ter como missão a obrigação de eliminar o cristianismo, que se desgarrara do judaísmo. 

 

Em sua conversão, houve uma interferência repentina de Deus? Embora seja sempre surpreendente, Deus não dispensa o homem de sua ação livre e consciente. Assim, o acontecimento, que transformou a vida de Paulo, foi o momento culminante de um longo processo, percorrido por ele em busca de sua justificação perante Deus. Às portas de Damasco, o próprio Senhor o interpela: “Saulo, Saulo, por que me persegues? ”. Ele, sem dúvida, conhecia a vida, morte e ressurreição de Jesus, mas aquelas palavras levam-no a replicar: “Quem és tu, Senhor? ”. A voz inesperada derruba-o de suas seguranças pessoais, fruto da rigorosa observância da Lei. Abre-se para ele um novo horizonte: o Senhor está presente naqueles que ele persegue e a justificação não resulta de seus trabalhos e obras, mas do cumprimento da Lei em sua intenção escondida e suprema, intenção expressa no duplo mandamento do amor. 

 

Até aquele instante, seguindo uma mentalidade casuística, ele defendia que a observância de um mandamento da Lei significava “mérito” e o seu não cumprimento, “castigo”. A partir de então, ele percebe ter descurado, apesar de uma vida severa e uma prática moral rigorosa, “das coisas mais importantes da Lei: a justiça, a misericórdia e a fidelidade”: mais que as ações realizadas, o que importa é a intenção daquele que decide. No dizer do Papa Francisco, ele “deixou-se surpreender por Jesus”, agora, reconhecido, ele confessa que no batismo, recebido das mãos de Ananias, o Senhor gratuitamente o tocou, deixando gravadas em seu coração, de modo indelével, as palavras ditas aos Apóstolos, após a Ressurreição: “Sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria e até os confins da terra”. Não mais perseguidor dos cristãos, Paulo emerge das águas batismais como o grande arauto, que irá anunciar, segundo as proféticas palavras de Ananias, “as coisas que ouviste e viste, diante de todos os homens”.

 

Dom Fernando Antônio Figueiredo, ofm

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