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Homilias de Dom Fernando Antônio Figueiredo

07.02.2017

Mc 7,1-23 Discussão sobre as tradições farisaicas

        

 

 

A leitura deste texto coloca-nos no clima vivido pelos Apóstolos, que se sentiam alegres e libertados pelas palavras do Mestre. Ao Senhor, não lhe era estranho o pensamento dos que o rodeavam, nem as considerações evasivas dos doutores da Lei. Nada passava despercebido àquele que conhece, no dizer de S. Clemente de Roma, “até as intenções interiores mais profundas”. Porém, a questão que agora está em jogo é maior do que a observância ou não de certos ritos ou o fato de jejuar ou não, mas a atitude livre do Senhor e dos Apóstolos diante da vida. Por isso, firme e suavemente, o Mestre leva seus discípulos a se desprenderem das práticas farisaicas, meramente exteriores e insuficientes, impostas ao povo, qual fardo insuportável. De fato, por atribuírem o máximo valor aos insignificantes preceitos da Lei e estendendo-os à vida comum de cada dia, os fariseus são recriminados por Jesus pela sua hipocrisia, não por simularem, mas pelo exagerado legalismo, que impedia o povo de reconhecer a misericórdia como Lei básica da Aliança divina. Aliás, a substituição da Lei de Deus por leis humanas provocava reações, sobretudo, entre os judeus da Diáspora, desejosos de recuperar a verdadeira intenção das “leis divinas”.    

 

Ao se colocar acima das prescrições e da casuística das interpretações da Lei, e ao incutir em seus discípulos a honra e o culto devidos ao Pai, Jesus corresponde totalmente à tradição profética. Ouvindo-o, a multidão se alegrava, permanecendo, porém, um tanto ressabiada, porque acolher a palavra de Jesus significava colocar-se contra os escribas e fariseus. No entanto, pouco a pouco, seus ouvintes tomam consciência da intransigência dos fariseus, que se tinham afastado da doutrina dos profetas e deixado de anunciar a justiça e a misericórdia divina. Ao contrário deles, na pregação de Jesus não há espaço para um moralismo negativo, com proibições e “virtudes” formais, pois, ao invés de escravizar, sua atuação liberta os corações para amar a Deus e ao próximo. Nesse sentido, transmitindo um Deus que quer ser profundamente humano, Jesus encanta a todos, tornando-os participantes de sua misericórdia e bondade.  

 

No entanto, àqueles que não reconhecem a presença salvadora de Jesus, suas palavras são incompreensíveis; escandalizam-se ao ouvi-lo dizer que a verdadeira impureza não procede do exterior, mas sim do interior da pessoa: “Nada há no exterior do homem que, penetrando nele, o possa tornar impuro; mas o que sai do homem, isso é o que o torna impuro”. Embora a indignação deles aumentasse a cada instante, Ele não cede: apregoa que para viver a pureza de coração é necessário passar das práticas exteriores às interiores, porquanto o encontro com Deus não se restringe aos atos externos; é fruto de uma intenção reta, íntegra e de uma liberdade humana a serviço de seus semelhantes. Se os chefes do povo não o compreendem e, mais tarde, irão bradar injúrias contra Ele, a multidão, confortada e alegre, irá guardar a lembrança do seu convívio festivo com Ele. 

 

 

Dom Fernando Antônio Figueiredo, ofm

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