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Homilias de Dom Fernando Antônio Figueiredo

13.02.2017

Mc 8,11-13 - Os fariseus pedem um sinal do céu

 

        

 

Nos Evangelhos, os fariseus, palavra hebraica, que significa: “separados”, por causa da pureza ritual que defendiam, são descritos, com cores negativas, como o protótipo de um adversário do Senhor. A intenção deles, por vezes, deformada por seus intérpretes, foi popularizada em nossas expressões e linguagem e, mesmo, nas reflexões teológicas. Na verdade, eles se diferenciavam da gente comum e simples, que não se preocupava muito com a observância estrita da Lei e não seguia as mesmas normas adotadas por eles. Após a morte de Judas Macabeu, em 160 a.C., eles permaneceram fiéis à política religioso-nacional dos asmoneus, que alimentavam certo ceticismo em relação a uma expectativa próxima do fim dos tempos, e sustentavam a realização do reino de Deus já neste mundo. 

 

No entanto, no campo religioso, para eles, a explicação da Lei gozava de uma grande importância, seja em vista da preservação da identidade de Israel em relação à assimilação dos valores pagãos, seja, sobretudo, como fonte de santificação do cotidiano da vida. Daí a grande relevância dada à interpretação da Lei, halakha, que abrangia comentários jurídicos e cultuais, considerados como medidas preventivas para salvaguardar a Lei. Ademais, diante da vida de piedade e da prática habitual da temperança, eles eram muito populares e estimados pelo povo, e exerciam uma grande influência sobre as pessoas. 

 

No entanto, em algumas passagens do Evangelho, foi-lhes construída uma “imagem hostil” à mensagem de Jesus e à atuação dos Apóstolos, a tal ponto que o próprio Jesus, com o intuito de que suas palavras fossem além das barreiras existentes entre judeus e pagãos, os acusa de “anular o mandamento de Deus em favor da tradição dos homens” (Mc 7,9). Embora o compreendessem, mas no desejo de colocar à prova sua pretensão de Enviado de Deus, eles pedem um sinal “do céu”, um milagre especial, que o credenciasse como profeta. Sem demonstrar animosidade, a resposta de Jesus: “A esta geração nenhum sinal lhe será dado”, visa livrar os discípulos das representações e conjeturas messiânicas político-sociais: Ele não faz milagres “por encomenda”, mas para atender as necessidades das pessoas ou aliviá-las de seus sofrimentos. A ideia de ser definido como um milagreiro é inadmissível, aliás, Ele será conhecido, segundo S. Lucas, como aquele que passou “fazendo o bem”.

 

 

Dom Fernando Antônio Figueiredo, ofm

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