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Papa a religiosos: Em abusos cometidos por sacerdotes está a ação do diabo

13.02.2017

 

Papa Francisco. Foto: Daniel Ibáñez / ACI Prensa

 

VATICANO - Em um colóquio com os superiores das ordens religiosas transcrito pela revista jesuíta ‘La Civiltà Cattolica’ por ocasião da edição número 4000, o Papa Francisco fala sobre temas como a sua vida no Vaticano e seus problemas, os abusos sexuais cometidos pelo clero, a JMJ Panamá 2019 e o Sínodo dos Bispos em 2018 sobre o discernimento e os jovens.

 

O encontro do Santo Padre com os superiores aconteceu em 25 de novembro de 2016 e durou aproximadamente três horas. O Pontífice respondeu as perguntas que eles fizeram naquele dia sobre os temas mencionados, entre outros.

 

Abusos sexuais na Igreja

Ao responder sobre o trabalho da Igreja para evitar os abusos sexuais cometidos pelo clero, o Pontífice afirma que “talvez não haja tempo para uma resposta muito articulada e confio na sabedoria de vocês”.

 

“Em relação ao tema do abuso sexual: Parece que de 4 pessoas que abusam, 2 foram abusadas. Se semeia o abuso no futuro: é devastador. Se estão envolvidos sacerdotes ou religiosos, é claro que está em ação a presença do diabo que arruína o trabalho de Jesus através daquele que devia anunciar Jesus”.

 

“Mas vamos ser claro: isto é uma doença. Se não estamos convencidos de que esta é uma doença, não poderemos resolver bem o problema. Portanto, atenção ao receber em formação candidatos à vida religiosa sem ter conhecimento da sua adequada maturidade afetiva. Por exemplo: jamais receber na vida religiosa ou em uma diocese candidatos que tenham sido rejeitados por outro seminário ou outro Instituto sem pedir informações muito claras e detalhadas sobre a motivação da rejeição”.

 

Por outro lado, assinala que “o Senhor quer tanto que os religiosos sejam pobres. Quando eles não são, o Senhor envia um ecônomo que leva o Instituto a falência!”.

 

O “segredo” da sua serenidade e a corrupção no Vaticano

“Qual é a fonte da sua serenidade?”, perguntam ao Papa Francisco. “Não, eu não tomo comprimidos tranquilizantes!”, respondeu. “Os italianos dão um bom conselho: para viver em paz é necessária uma saudável indiferença. Não tenho problema nenhum em dizer que o que estou vivendo é uma experiência completamente nova para mim. Em Buenos Aires era mais ansioso, admito. Sentia-me mais tenso e preocupado. Definitivamente, não era como agora. Tive uma experiência muito especial de profunda paz. E não me deixa mais. Eu vivo em paz. Eu não sei explicar”.

 

Francisco assegura: “Eu vivo em paz. Eu não sei explicar. Nas Congregações Gerais (realizadas antes dos conclaves durante a sede vacante) se falava dos problemas do Vaticano, se falava de reformas. Todo mundo queria. Há corrupção no Vaticano. Mas eu estou em paz. Se há um problema, eu escrevo um bilhete para São José e o coloco sob uma estátua que eu tenho no meu quarto. É a estátua de São José que dorme. E agora ele dorme sob um colchão de bilhetes! Por isso, eu durmo bem: é uma graça de Deus”.

 

Sínodo sobre a fé, a juventude e o discernimento

Questionado sobre as razões que o levaram a decidir que o próximo Sínodo dos Bispos de 2018 reflita sobre os jovens, a fé e o discernimento, explica que, “pessoalmente, tenho muito presente no coração o tema do discernimento. O discernimento une a questão da formação dos jovens à vida: de todos os jovens, em particular, com maior razão, também dos seminaristas e dos futuros sacerdotes”.

 

O Santo Padre acrescenta que “a formação que acompanha ao sacerdócio tem necessidade de discernimento. Neste momento, é um dos maiores problemas que temos na formação sacerdotal. Na formação, estamos acostumados às fórmulas, ao preto no branco, mas não aos cinzas da vida. E o que conta é a vida, não as fórmulas”.

 

“Devemos crescer em discernimento. A lógica do branco e do preto pode levar à abstração casuística. Entretanto, o discernimento é ir ao cinza da vida, segundo a vontade de Deus. E a vontade de Deus se busca segundo a verdadeira doutrina do Evangelho e não na fixação de uma doutrina abstrata”.

 

Relacionando a formação dos jovens e a formação dos seminaristas, decidiu o tema final, conforme foi anunciado: “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”, disse o Papa. “A Igreja deve acompanhar os jovens em seu caminho para a maturidade e somente com o discernimento e não com as abstrações os jovens podem descobrir seu projeto de vida e viver uma vida de verdade aberta a Deus e ao mundo”.

 

“Portanto, escolhi este tema para introduzir o discernimento com maior força na vida da Igreja. Outro dia, tivemos a segunda reunião do Conselho pós-sinodal. Discutiu-se bastante sobre este argumento. Prepararam o primeiro rascunho sobre os Lineamenta que deverá ser enviado rapidamente às Conferências Episcopais. Trabalharam também religiosos. Saiu um rascunho bem preparado”.

 

Francisco acrescenta que o “ponto chave” é o discernimento “que é sempre dinâmico, como a vida”. “As coisas estáticas não funcionam, sobretudo, com os jovens”, diz.

 

“Quando era jovem, a moda era fazer reuniões, hoje as coisas estáticas como as reuniões não funcionam bem. Deve-se trabalhar com os jovens fazendo coisas, trabalhando, com missões populares, trabalho social, ir todas as semanas distribuir alimentos aos sem-teto. Os jovens encontram o Senhor na ação. Depois da ação, deve-se fazer uma reflexão. Mas, a reflexão por si só não ajuda: são ideias... somente ideias. Portanto, duas palavras: escuta e movimento. Isto é importante”.

 

Francisco afirma que não se deve apenas formar “os jovens na escuta, mas, antes de tudo, escutá-los, os próprios jovens. Esta é uma primeira tarefa importantíssima da Igreja: a escuta dos jovens. E, na preparação do Sínodo, a presença dos religiosos é verdadeiramente importante, porque os religiosos trabalham muito com os jovens”.

 

Panamá JMJ 2019

O Pontífice também fala sobre os 3 temas marianos escolhidos para a JMJ de Panamá que acontecerá entre os dias 22 e 27 de janeiro de 2019: “Os temas marianos para as próximas três Jornadas Mundiais não fui eu quem os escolhi! Da América Latina eles pediram isto: uma presença mariana. É verdade que a América Latina é muito mariana e me pareceu uma coisa muito boa. Eu não tive outras propostas e fiquei contente com esse pedido. Mas a verdadeira Nossa Senhora! Não, Nossa Senhora não é um Correio que todos os dias envia uma carta diferente, dizendo: ‘Meus filhos, façam isso e, em seguida, no dia seguinte diz falam isso aqui’”.

 

Francisco sublinha que “a verdadeira Nossa Senhora é aquela que gera Jesus em nossos corações, e que é Mãe. Esta moda de Nossa Senhora ‘superstar’, como uma protagonista que se coloca no centro, não é ‘Católica’”.

 

Vida religiosa e profecia

O Papa Francisco assegura que é preciso “ser radicais na profecia”. “Isso me importa muito. Tomarei como ‘ícone’ Joel 3. Muitas vezes, me vêm à mente e sei que vem de Deus. Diz: ‘Os idosos terão sonhos e os jovens profetizarão’. Este versículo é um núcleo da espiritualidade das gerações”, assegura.

 

O Pontífice acrescenta que “ser radicais na profecia é o famoso ‘sine glosa’, a regra ‘sine glosa’, o Evangelho ‘sine glosa’. Ou seja, sem calmantes!”. “O Evangelho é tomado sem calmantes. Até mesmo o asceta pode ser mundano. E, em seu lugar, deve ser profético. Quando entrei no noviciado dos jesuítas, me deram o cilício. Está bem também o cilício, mas cuidado: não deve me ajudar a demonstrar o bom ou o forte que sou. A verdadeira ascese deve me tornar livre”.

 

O que os religiosos trazem para a Igreja

O Papa Francisco indica que “o clima mundano e principesco entra nas estruturas da Igreja e os religiosos podem contribuir para destruir este clima nefasto. E não é necessário se tornar cardeais para se achar príncipes! Basta ser clericais. Isto é o pior que há na organização da Igreja. Os religiosos podem dar o testemunho de um iceberg de cabeça para baixo, no qual a ponta, ou seja, o vértice, o chefe, está do outro lado, está embaixo”.

 

Uma Igreja em saída

O Pontífice sublinha que “a Igreja nasce em saída”. “Estava fechada no Cenáculo e depois saiu. E deve permanecer em saída. Não deve se fechar novamente no Cenáculo. Jesus quis que fosse assim. E ‘fora’ é o que eu chamo de periferias, existenciais e sociais”.

 

“Os pobres existenciais e sociais impulsionam a Igreja para fora de si mesma. Pensemos em uma forma de pobreza, ligada ao problema dos imigrantes e dos refugiados: mais importante do que os acordos internacionais são as vidas dessas pessoas! Recordemos sempre: a misericórdia de Deus é em saída. E Deus sempre é misericordioso. Vós também deveis sair!”.

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