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Homilias de Dom Fernando Antônio Figueiredo

Mc 8, 22-26 - A cura do cego de Betsaida



Com esta passagem, conclui-se a controvérsia de Jesus com os fariseus sobre os ritos de purificação. Logo após atender ao pedido da Cananeia e ainda na região da Decápole, Ele realiza a cura do cego de Betsaida, reafirmando a ideia de que a verdadeira pureza brota do interior do coração e é fruto da fé concedida por Deus. A repreensão feita, anteriormente, aos fariseus e aos discípulos, por não terem compreendido suas palavras, é compreendida como uma dramática preparação para a cura desse cego.


Talvez para provocá-los, por causa da incompreensão deles, o Mestre leva o cego a um lugar à parte, e lhe restitui gradativamente a visão, em dois tempos, para, justamente, incentivá-los no processo de conversão interior ou na cura da cegueira espiritual. De fato, primeiramente, aquele que era cego vê, de modo turvo, as “pessoas que nem árvores andando”. De modo semelhante, também os discípulos, que, apesar do contato assíduo com Ele, não captam imediatamente o sentido de suas palavras: há necessidade de uma preparação para se chegar à grandeza da fé e, portanto, à compreensão de suas palavras.


Em sua divina pedagogia, Jesus utiliza um modo simples e direto para levá-los ao significado mais abrangente de sua pessoa e de seus ensinamentos. No primeiro momento, durante sua vida terrena, os discípulos o reconhecem em sua natureza humana, só posteriormente, após a Ressurreição, eles irão confessar a sua natureza divina, não como um divino anônimo, mas como o rosto humano de um Deus, que “se aniquila”, com amorosa loucura, no cumprimento pessoal de uma missão salvadora.


Mergulhados no imenso movimento de encarnação do Filho de Deus, os discípulos, de ontem e do futuro, tomam consciência de sua pouca fé e se voltam para Ele, o Crucificado ressuscitado. E, então, novamente unidos a Jesus, eles são convocados a reunir os povos pagãos com os judeus numa única comunidade, o que lhes recorda os momentos diversos em que Jesus se revelou como o Profeta, “a luz do mundo”, que restauraria a unidade de todos os povos na única humanidade querida por Deus. Fortalecidos e iluminados pelo Senhor, eles reavivam a experiência do perdão e da misericórdia e são confirmados na missão de evangelizadores. Eles irão declarar o que dirá, mais tarde, S. Atanásio: “Deus se tornou portador da carne, para que o homem pudesse tornar-se portador do Espírito divino”.


Dom Fernando Antônio Figueiredo, ofm

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