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Homilias de Dom Fernando Antônio Figueiredo

19.02.2017

Mt 5,38-42 - Olho por olho e dente por dente

 

 

Ao interpretar a Torá, dá-se, com Jesus, a mudança da esfera cultual para a esfera moral-espiritual. Se os códigos do Antigo Testamento falam do princípio de compensação, referendada pela lei romana do “talión”: “Vida por vida, olho por olho”, Jesus fala da justiça misericordiosa e do amor devido aos próprios inimigos. Aliás, no tempo de Jesus, a prática da Lei do Talião já estava perdendo força, assumindo, provavelmente, a forma de uma compensação pecuniária.   

 

Em suas pregações, Jesus destaca que a verdadeira relação de aliança com Deus compreende a comunhão com o próximo, de maneira que uma oferta feita a Deus, pelos pecados, só terá força se for acompanhada pela reconciliação com o próximo ofendido. Para Ele, o objetivo principal da Lei não consiste em frear o desejo de vingança pessoal, mas conduzir o faltoso à santidade de vida ou à caridade generosa. Perante seu apelo incisivo para que todos se assemelhem ao Pai, os doutores da Lei, surpreendidos, não o compreendem ao ouvi-lo dizer: “Sede perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito”.  A perfeição é possível neste mundo, pois, em Jesus, diz S. Agostinho, “a violência perde o seu ímpeto e é envolvida pelas redes da paciente caridade”; o discípulo não só vence o mal com o bem, mas chega, até mesmo, a desejar o bem daqueles que o ofendem. Tarefa ousada, resultante de uma grande força interior e espiritual.    

 

Jesus subordina o ato jurídico estrito à misericórdia divina, centro e vértice espiritual dos Dez Mandamentos do Sinai. A obediência servil é rejeitada; a obediência filial da fé, fruto do amor fraterno, torna-se força universal, o espírito do universo, que sintetiza o sentido da existência humana. Por isso, Ele proclama: “Àquele que quer pleitear contigo, para tomar-te a túnica, deixa-lhe também a veste; e se alguém te obriga a andar uma milha, caminha com ele duas”. 

 

A Lei mosaica é superada pela Lei evangélica, introduzida por Jesus, que, sem deixar de ser judeu, questiona-os: “Se amais somente aqueles que vos amam, que mérito tereis com isso? Não agem da mesma forma os pecadores? ” Eis o objetivo principal ou o ideal a ser buscado pelos seus seguidores: serem todos, efetivamente, “filhos do Pai que está nos céus, que faz nascer o Sol sobre os maus e os bons, e chover sobre os justos e os injustos”. Assim, sem cair numa visão casuística, Ele os exorta a almejar a perfeição espiritual, graças à qual eles se tornam partícipes, desde já, da feliz eternidade do Pai.

 

 

Dom Fernando Antônio Figueiredo, ofm

 

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