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Homilias de Dom Fernando Antônio Figueiredo

20.02.2017

Mc 9,14-29 - A cura do endemoninhado epilético

 

        

 

As pessoas “admiravam-se” não só das palavras de Jesus, cheias de bondade e compreensão, mas também dos seus milagres, vistos como manifestações do seu poder sobre as doenças e as forças da natureza. No entanto, Jesus não deseja realizar milagres em benefício próprio, para legitimar a sua missão. São sinais que revelam sua compaixão para com os que chegam a Ele com sua miséria e que têm um coração aberto para receber a boa nova alegre do Evangelho. Estes são aqueles que reconhecem, por trás de seus atos, como também de suas palavras, a realidade espiritual de sua mensagem sobre o Reino de Deus, e experimentam a proximidade de um Deus, que age simplesmente por misericórdia.    

 

No Evangelho de hoje, diante de Jesus encontra-se um pai com seu filho epilético e endemoninhado. Na ausência do Mestre, o pai havia recorrido aos discípulos, “mas eles não foram capazes de curá-lo”. O olhar tranquilo e severo do Senhor dirige-se primeiramente aos Apóstolos, os quais Ele repreende: “Ó geração incrédula e perversa, até quando, estarei convosco? ”. Mas, o pai do menino doente, ao ouvi-lo dizer: “Tudo é possível para quem tem fé”, num fio de voz, proclama: “Eu creio! Ajuda minha falta de fé”.  Em sua bondade misericordiosa, e cumprindo sua missão de levar todos a terem fé em Deus, Jesus cura o jovem e o liberta do demônio.

 

Pasmos, os discípulos lhe perguntam: “Por que nós não conseguimos expulsá-lo”? Embora não queira chamar a atenção sobre si mesmo e apresentar-se como alguém que saiba curar, a resposta de Jesus é direta: “Foi por causa da fraqueza da vossa fé”: Ele fala do poder da fé em contraste com uma fé fraca, e isso na realidade de seus discípulos. Mas, para que eles compreendessem que a fé é confiança em sua pessoa, através de uma hipérbole rabínica, acrescentou: “Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Transporta-te daqui para lá, e ele se transportará, e nada vos será impossível”. No sol da manhã, avistava-se o monte Tabor, que dava um sabor especial às suas palavras.

 

A fé, fonte de salvação, se for realmente autêntica, mesmo “do tamanho de uma sementinha de mostarda”, realizará outro milagre muito mais profundo: a pertença ao Reino de Deus. Pela fé, “primeira oferta do homem a Deus”, no dizer de S. Agostinho, nós já participamos da intimidade de Deus e, confiando em Jesus, sentimo-nos serenos e livres de todos os males espirituais.

 

 

Dom Fernando Antônio Figueiredo, ofm

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