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Homilias de Dom Fernando Antônio Figueiredo

28.02.2017

Mc 10, 28-31 - A recompensa pelo desprendimento

 

        

 

Bondade, caridade, desprendimento dos bens materiais, homem de paz, Francisco de Assis transmite uma vida pobre, alegre e despojada. Canta o amor universal a todas as criaturas, poetiza a natureza e uma nova compreensão da vida, cujo modelo é Cristo, torna-se possível neste mundo. O pobre de Assis vive em simplicidade a realidade de Deus, que prefere a caridade aos sacrifícios e à observância exterior das normas e leis. Abraça os leprosos, estende a mãos aos doentes e pecadores, e aproxima todos de Deus, ao cântico da passarada, que o rodeava chilreando por onde passava. 

 

É impossível prendê-lo numa época. Já nos primeiros séculos, Evágrio destaca uma das características da vida cristã, que encontramos em são Francisco: “O reto caminho da paz, que permite ao corpo, sentir-se ligeiro, feliz, e munido de asas”. Bem antes, os ícones antigos representavam S. João Batista com asas, para significar o desprendimento interior de si mesmo e sua união com Deus. Livre e contente com o que Deus lhe concedia, Francisco é capaz de levantar-se, em dia de jejum, pôr a mesa e chamar todos os frades a uma ceia, para que o frade esgotado pelo jejum não se sentisse humilhado, por comer só. Como nada mais lhe restasse, a um pobre que lhe suplicava, mandou dar-lhe seu único bem: a Bíblia.

 

Muitos outros termos, que remontam às tradições pré-cristãs, foram adotados pelos cristãos para designar o desprendimento ou a renúncia: purificação, ascese, mortificação e domínio de si mesmo. Sem conotação negativa, tais termos exprimem o incomparável desejo espiritual de entrega a Deus e nos permitem olhar para as coisas comuns e para as pessoas comuns, de modo a deixar, no dizer de Orígenes, “o divino Mestre liberar do meio das areias, presentes no fundo de nossa alma, o poço de água viva, na qual se vislumbra a imagem divina escondida em nós”. É a consagração a Deus, em que aquele que se converte, graças à mensagem de Cristo, doa aos pobres seus bens e se dedica à caridade.    

                 

Através do desprendimento, frutificam e florescem o amor e a ternura no coração do cristão, que já participa da paz e da tranquilidade interior (hesequia), recompensa prometida para o final dos tempos. Passagem, não ruptura, para um mundo novo, verdadeira nova criação, ainda velada, no entanto, já presente, em cada instante da vida. Em síntese, o desprendimento, portal para uma vida plena, é fruto da audácia de se viver na bondade e na misericórdia divina, pois concretiza a resposta amorosa da natureza humana, em seu desejo de felicidade e de comunhão com Deus. Com efeito, ele proclama que Deus continua a abençoar a criação e a dizer que “ela é sinal, segundo S. João Crisóstomo, de sua benevolência e bondade”. 

 

 

Dom Fernando Antônio Figueiredo, ofm

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