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Homilias de Dom Fernando Antônio Figueiredo

Mt 6, 1-6.16-18 - A esmola em segredo



Para os judeus, a esmola, a oração e o jejum, frequentemente recomendados nas Escrituras, eram as colunas mestras da vida religiosa e os sinais característicos da pessoa piedosa. Porém, no tempo de Jesus, havia quem os praticasse com o simples intuito de se mostrar justo diante dos homens, sem um correlato interior. Daí o alerta de Jesus: “Guardai-vos de praticar a vossa justiça diante dos homens para serdes vistos por eles”. A questão não é de ser visto, mas de fazer para ser visto pelos outros, fato que afeta a liberdade interior, ou seja, a possibilidade de ouvir Deus, cujas “palavras são espírito e vida” e devem ser traduzidas em ações concretas de união com Deus e com o próximo. Como se depreende, a verdadeira piedade, mais do que parecer ser bom e santo, é acolher conscientemente o outro e estabelecer com ele uma convivência pacífica e solidária.


Ao contrário, a vaidade, a vanglória e a avidez tendem a deixar a pessoa espiritualmente insensível e a levam a se enclausurar em seu próprio “eu”, afastando-a de Deus e ignorando o próximo. É a cegueira do coração, superada pela oração e pela prática das obras de misericórdia, numa permanente batalha, salientada por Orígenes, que observa: “Como a água está sempre em luta com o fogo e o fogo com a água, por serem opostos um ao outro, assim também o egoísmo e a virtude jamais poderão coexistir na mesma alma”.


Por conseguinte, por uma vida de piedade, marcada pela amizade desinteressada e pela solidariedade, o discípulo não se deixa vencer pelo egoísmo (philautia), mas é guiado pelo compromisso de viver o amor, como projeto de vida, no diálogo com seus semelhantes e no cuidado da “casa comum”, o mundo. Introduzido pelo Senhor no círculo de sua vida, seus atos serão realizados no segredo do seu coração, de modo sincero, espontâneo e modesto e não “de pé” para visto por todos. Dizia um autor anônimo dos primeiros tempos: “Deus reside no segredo do coração e não num lugar secreto; é o próprio Deus que revela o bem realizado nesta vida e, na outra, glorificará quem o fez, pois a glória é de Deus”. Em síntese, no silêncio da alma, “no segredo do coração”, encontramo-nos com o Filho unigênito do Pai eterno, no qual vivemos, com quem rezamos, jejuamos e damos esmola.


Dom Fernando Antônio Figueiredo, ofm

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