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Homilias de Dom Fernando Antônio Figueiredo

04.03.2017

Lc 5,27-32 - Vocação de Mateus

 

        

Jesus se encontra em Cafarnaum, na movimentada rota de Damasco.  Razão da presença de aduanas e dos respectivos cobradores de impostos, chamados publicanos (telovai), dentre os quais Levi, também chamado Mateus, nome hebraico, provavelmente abreviação de Matatías, que significa “dom de Deus”. Ao saber da chegada do Mestre, Levi o convida para uma refeição com os seus amigos e colegas cobradores de impostos, como ele. “Os fariseus, vendo isto, perguntam aos discípulos: Por que ele come com os publicanos e os pecadores? ”. E, entre si, diziam: “Como pode Ele participar de uma festa com tais pessoas? ”. Ouvindo o burburinho, Jesus levantou a cabeça e, em severo silêncio, olhou para os que o acusavam. Após alguns instantes, repete-lhes o que dissera em outras ocasiões: “Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas os doentes”. De fato, Jesus demonstra amor e ilimitada misericórdia até para com os que o rejeitam. 

 

A tradição patrística e a literatura ascética destacam dois aspectos fundamentais da vocação de Levi: o apelo gratuito e eficaz do Senhor, que revela a sua bondade e o seu poder, pois, no dizer de S. Beda, “Ele o viu mais com os olhos interiores do seu amor do que com os olhos corporais”; e a resposta pronta e incondicional de Mateus, que aponta para sua acolhida e disponibilidade. 

 

O fato de ele deixar tudo e passar a pertencer ao grupo dos discípulos impressionou vivamente S. Jerônimo, que declara “ter Levi dito ser um publicano para mostrar que ninguém deve se desesperar sobre sua salvação”. Com efeito, toda pessoa é digna da atenção e do perdão de Jesus, que se aproxima dos pecadores para avivar em seus corações o desejo de uma vida nova. Indispensável, é colocar nele, acima de qualquer outra coisa, sua alegria e confiança, pois, no dizer de S. João Crisóstomo, “Ele conhece os secretos pensamentos de cada pessoa, e sabe o momento em que cada pessoa está pronta para ouvir o seu chamado”.  

Então, com sua ternura amorosa, diz-lhe Jesus: “Vem comigo”, expressão muitas vezes traduzida por “segue-me”. Levi o segue, menos com seus passos, acompanhando-o; muito mais como um familiar, que partilha de sua intimidade. Anima-o a alegria de poder desempenhar a inefável missão de anunciar a todos o sentido do derradeiro apelo feito pelo Mestre aos seus adversários: “Ide, pois, e aprendei o que significa: misericórdia é que eu quero, e não sacrifício”.  

 

 

Dom Fernando Antônio Figueiredo, ofm

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