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Homilias de Dom Fernando Antônio Figueiredo

05.03.2017

Lc 4,1-11 - Tentação no deserto

 

 

 A história do desígnio de Deus oferece uma maravilhosa continuidade, desde o tempo de Israel até o tempo da Igreja, passando pelo tempo de Jesus. Nele, reencontramos os elementos do Antigo Testamento, reunidos, sintetizados e transfigurados definitivamente. No entanto, toda a questão reside no fato de conceber Cristo, que, longe de ser menos humano por ser plenamente divino, assumiu nossa humanidade, que foi totalmente renovada.  

 

No início de sua missão, guiado pelo Espírito Santo, Jesus é conduzido ao deserto, espaço de recolhimento e de oração. Após jejuar durante 40 dias, Ele enfrenta ilusões e pretensões de um futuro prazeroso e tranquilo, apresentado pelo tentador como algo concreto e real. As tentações, com belas imagens, encobrem a verdadeira intenção de desviá-lo do cumprimento da vontade do Pai e, consequentemente, afastá-lo de sua missão salvadora: são prenúncios das contradições, acusações e ataques que Ele iria sofrer ao longo de sua vida pública, assim como Israel no deserto, por quarenta anos, e Moisés, por quarenta dias, no alto do monte Sinai. Também nós, durante quarenta dias, tempo da Quaresma, preparando-nos para celebrar a Páscoa do Senhor: sua paixão, morte e ressurreição.

 

Daí se infere que a tentação não está ligada diretamente à ideia do pecado, mas é uma provocação, que visa pôr Jesus à prova. Na História bíblica, o exemplo típico é o de Abraão, testado em sua confiança em Deus, antes de receber a promessa de “uma posteridade tão numerosa como as estrelas do céu e quanto a areia que está na beira do mar” (Gn 22,17). Nesse sentido, é significativo o teor das tentações de Jesus, sobretudo, a primeira e a terceira, nas quais o tentador visa provar ser Ele o Filho de Deus, sugerindo-lhe que mude a pedra em pão ou, na terceira, propondo-lhe atirar-se do alto do pináculo para ser acolhido pelos anjos. A segunda tentação se realiza no alto de uma montanha, donde se descortinam os reinos do mundo, insinuando a ideia de um Messias político, em âmbito mundial.

 

Em sua resposta, Jesus reafirma ser Ele o Filho de Deus, não por realizar milagres, muito menos por ostentar poder e riquezas materiais, mas por sua obediência ao Pai, em quem Ele confia de modo absoluto. Vencido, afastando-se, o tentador ouve uma voz, dizendo-lhe: Ele saciará a fome espiritual de todos aqueles que partilharão o seu pão com os famintos e pobres do mundo, e, no tempo oportuno, Ele se entregará nas mãos do Pai, que o ressuscitará no terceiro dia. Então, vozes invisíveis entoaram um hino triunfal, pois, em outra montanha, distante daquela, não há outro pensamento, outro enlevo senão o das bem-aventuranças, do amor e da misericórdia, riquezas incomparáveis, fonte de perdão e de salvação para todos os corações humildes e simples. 

 

 

Dom Fernando Antônio Figueiredo, ofm

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