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BIOMAS E FRATERNIDADE

06.03.2017

 

 

           

Soa estranho uma instituição religiosa unir questões ambientais à espiritualidade e fé de seu rebanho.  O que tem a ver em comum uma questão e outra? Essa é a pergunta que muitos se fazem, em especial aqueles que se sentem mais diretamente responsáveis com esse tema e o têm como assunto de inteira responsabilidade deles, não da Igreja. Pois bem: a Igreja se apossou desse assunto e força seu debate a nível nacional, dentro das já tradicionais campanhas da fraternidade que realiza nos períodos quaresmais. Está em curso mais uma CF, com o tema “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida” e o lema: “Cultivar e guardar a criação”.

           

Estaria a Igreja roubando para si algo que não lhe diz respeito, em especial ao se considerar sua função evangelizadora? Não seria muita petulância dos seus pastores esse debate estritamente temporal, cujas causas e efeitos acenam para a preservação do paraíso terreno, não do Paraíso Celestial do qual tanto zela e apregoa a fé cristã? As duas questões se complementam numa resposta além da realidade terrena, pois que o Éden terreno foi prenúncio do Éden Celestial. Aqui ganha forma a preocupação pastoral da Igreja, em especial quando seus ensinamentos partem do princípio da realidade humana, do meio que ocupa e da vida em seu aspecto físico e espiritual. Corpo e alma, matéria e espírito; eis o que somos. Então, sim, vamos preservar nossos biomas; forçando um pouco: nossa bioalma. Realidade biológica, enquanto criaturas desse mundo e realidade da alma, enquanto seres espirituais em trânsito.

           

Uma Igreja capaz de discutir com profundidade e responsabilidade um tema dessa envergadura, “laudato si”, já caminha para sua plenitude e maturidade espiritual. É partindo de nossa realidade terrena que embocaremos na fluidez líquida e serena da realidade espiritual que nos envolve. Não há como separar uma da outra. Se o meio nos leva à contemplação do milagre da Criação e de suas benesses, nos ensina a louvar e agradecer, a bendizer o nome do Senhor e nos faz partícipes dessa Obra, é lógico, estamos exercitando nossa fé e purificando nossos sentimentos em função da origem da vida e espírito de gratidão que o Meio nos oferece. Com efeito, ao findar sua obra, “Deus viu que tudo era bom” e ao enviar seu Filho, este viveu “em plena harmonia com a criação”. Portanto, não é só a veste que faz o monge, mas o meio também faz o devoto. Preservá-lo é atitude de fé.

           

Como povo herdeiro de um território rico em sua biodiversidade, que ocupa um continente extraordinariamente fértil e promissor, com seis biomas bem definidos, não poderíamos excluir de nossos debates essa questão ambiental. Mais ainda depois da publicação do alerta paternal, mas assaz oportuno, que a encíclica Laudato Si fez ao homem moderno diante de seu mundo usado e abusado pela política do “cada um pra si”, que suga da Terra os seus recursos mais primários. “A nossa Terra está mais ou menos assim, deixada à toa, usada e abusada” (LS 17) e o que vemos destrói qualquer esperança de vida plena. Terra devastada é casa do demônio. Quando o meio não satisfaz o íntimo, não agrada aos olhos, fatalmente sufoca o coração e afeta o espírito que nos habita. Dai a relação do material com o espiritual. Daí a preocupação da Igreja em preservar o meio, para crescer dentro de nós a harmonia e o bem estar do corpo e da alma. “Esta ruptura é o pecado. A harmonia entre o Criador, a humanidade e toda a criação foi destruída por termos pretendido ocupar o lugar de Deus” (LS). Eis o maior conflito dos dias atuais. Destruindo a natureza, ofuscamos a ação de Deus entre nós.

 

Autor: WAGNER PEDRO MENEZES

wagner@meac.com.br

 

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