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"Não se nasce confessor, se aprende a sê-lo", diz confessor de Bergoglio

07.03.2017

 

Na confissão, recebemos "uma força de transformação misericordiosa que não é nossa e nem mesmo do sacerdote" - AFP

 

Buenos Aires -  Nesta Quaresma,  tempo forte de jejum, oração e conversão, propomos um texto do "confessor do Papa", o capuchinho Padre Luis Dli, 90 anos, em que dá diversos conselhos aos confessores: "para aprender, devemos nos sentir penitentes em busca do perdão".

 

O sacerdote é o quarto de dez irmãos de uma família de agricultores, todos religiosos. Ele foi citado por Francisco em diversas ocasiões como um exemplo de confessor misericordioso. Cerca de sete horas por dia, atende confissões no Santuário de Nossa Senhora da Pompéia, em Buenos Aires.

 

"Ser confessor não se improvisa”, disse o Papa. "Tornamo-nos tal quando começamos, nós mesmos, por nos fazer penitentes em busca do perdão".

 

É de fundamental importância este aceno contido na Carta escrita para o Ano Jubilar da Misericórdia. Ter o sentido do pecado pessoal, reconhecer que nós, por primeiros, podemos resistir à misericórdia de Deus, é o que nos dispõe verdadeiramente à ação da sua graça. "Nunca esqueçamos que ser confessor significa participar da mesma missão de Jesus e ser sinal concreto da continuidade de um amor divino que perdoa e salva. Cada um de nós recebeu o dom do Espírito Santo para o perdão dos pecados; disto somos responsáveis".

 

Na Misericordiae Vultus, o Santo Padre diz duas coisas de grande relevância

A primeira, de que nós, confessores, não somos senhores da misericórdia; somos objeto de misericórdia e dispensadores do perdão que um outro, Deus, doa pela sua Graça. A segunda, que para aprender a ser confessor, antes de qualquer outra coisa, é necessário saber olhar para si mesmo. Se o meu coração não é contrito, não posso, tampouco, compreender o outro que vem pedir perdão. Não é um desconhecimento do outro devido antes de tudo a uma má vontade do confessor a que me refiro, mas depende de uma postura interior do confessor que não permite a ele penetrar em profundidade na alma de quem está diante dele, porque não a sente vibrante dos mesmos anseios que formam a sua.

 

Quando o Salmo 50 fala de "um coração contrito e humilhado" que o Senhor não despreza, oferece uma indicação ao penitente sobre como aproximar-se do Sacramento da Reconciliação, mas ao mesmo tempo diz ao confessor para olhar a si próprio para não ser juiz dos outros. O confessionário não é um tribunal, o confessor não é um juiz: é o sinal da misericórdia "visceral" de Deus em Jesus.

 

A vida, neste sentido, ensina muito: a saber ouvir, a compreender, a não ser precipitados, a dar espaço ao penitente antes que tirar conclusões, aceitar chegar com ele até onde ele quer chegar com o que confessa, segui-lo no esclarecimento até onde queira esclarecer. Às veze senta-se diante de mim e me pergunta: "Mas, como posso dizer ao senhor aquilo que gostaria dizer?". Estão bloqueados, vacilantes. "Diga como achares melhor, como te vem mais fácil", os encorajo.

 

Não se nasce confessor, se aprende a sê-lo

No início, quando eu era jovem e inexperiente, confessava rapidamente, ouvia com o “pavilhão auricular” orientado em direção a quem falava, mas pensando saber a continuação, dava algum conselho rápido e passava para o próximo. Hoje escuto mais. As pessoas têm necessidade de serem ouvidas. Santo Afonso Maria de Liguori dizia: "Devo escutar o penitente como se fosse o único, mesmo que tenha uma fila esperando". E quando não há ninguém na fila, rezo, leio e espero. Agora, por exemplo, estou lendo um pouco de cada vez a vida do Cardeal Eduardo Francesco Pironio.

 

É um argentino que assumiu cargos importante na América Latina. Foi Secretário Geral e depois Presidente do CELAM quase desde o início deste organismo, nos anos setenta. Mais tarde Paulo VI chamou-o a Roma para ser Prefeito da Congregação para os Religiosos e dos Institutos Seculares e João Paulo II o colocou à frente do Pontifício Conselho para os Leigos, onde entre outras coisas, colaborou na idealização da Jornada Mundial da Juventude.

 

Eu tive a sorte em conhecê-lo e escutá-lo, o admirava muito. Ouvi ele pregar em um retiro nos anos 80. Ele gostava de falar com o mate na mão. Era um bispo culto e atento a tudo o que acontecia na nossa América Latina. No México, na América Central, nos países dos Andes e na América do Sul. Tinha um conhecimento muito profundo do que acontecia ao nosso redor. Existem os "Discursos sobre a esperança" baseados em textos que usava muito, como aquele dos discípulos de Emaús ou o primeiro Livro de Reis, capítulo 19, com Elias está desalentado, dormindo sob uma árvore, e o Anjo que o desperta e o encoraja a continuar o caminho. São ensinamentos que depois de tê-los ouvido, ficaram gravados na memória. O Cardeal Pironio transmitia paz, serenidade e fé.

 

Isto de poder ler, meditar, rezar, é uma oportunidade preciosa na vida de um confessor. Certamente, na minha, o é. Existem dias em que não consigo concentrar-me muito na leitura, pois vem uma pessoa após outra. Em outros sim. Não disponho de estatísticas sobre quantas pessoas se confessam no decorrer de um dia normal ou em uma semana no Santuário de Pompéia, mas são muitas, isto posso afirmar, sobretudo nos finais de semana e as primeiras sextas-feiras do mês. Também posso assegurar que a presença de penitentes no Santuário aumentou consideravelmente nos últimos anos.

 

Papa, razão deste incremento

Um homem de cerca 70 anos, veio aqui não faz muito tempo e me disse nunca ter confessado desde a Primeira Comunhão, portanto, há muitos decênios. As razões eram muitas; fundamentalmente dizia não acreditar no valor da confissão e também de não encontrar a coragem para fazê-lo. "Mas ouvindo e olhando para este Papa, decidi vir",confidenciou. Ele acrescentou um outro particular: "Vi a luz do confessionário acesa e entrei". Mesmo com a decisão de confessar-se, manteve a reserva. Não conseguia fazê-lo. Dizia reconhecer-se pecador, mas não via com bons olhos contar os próprios pecados ao ouvido de outro homem; a alguém como eu - pensei imediatamente - que poderia ser mais pecador do que ele.

 

Peguei uma Bíblia, perguntei a ele se podia ler mesmo sem os óculos e indiquei a ele um ponto: João, capítulo 20, versículo 22 e 23. "Recebam o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados serão perdoados e os pecados daqueles que vocês não perdoarem, nãos eram perdoados". Falei a ele um pouco, dizendo que a confissão não é somente uma externalização de coisas que vão contra a moral, o próximo, contra a vida, em suma, mas éreceber uma força de transformação misericordiosa que não é nossa e nem mesmo do sacerdote. Uma força que a Igreja chama "sacramental" e que, se Deus quer, nos dará a força para estar à altura dos propósitos.

 

Ele confessou-se.

Depois me disse, que depois de mais de 30 anos de opressão e angústia, sentiu-se livre.

 

Se não tivesse encontrado as portas da igreja abertas, a luz do confessionário acesa, uma motivação interior dada pelo Papa, não teria tomado a decisão de ajoelhar-se e confessar.

 

Deus estava esperando por ele".

 

(JE/Vatican Insider))

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