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Homilias de Dom Fernando Antônio Figueiredo

09.03.2017

Mt 7, 7-12 - Confiar no Pai - Pedi e vos será dado

 

 

Desde os primeiros anos da vida da Igreja, quer nos desesperos escondidos, quer nos templos do amor e da esperança, a alegria espiritual floresce no coração dos que vivem a confiança e a simplicidade. “No espírito de criança”, os que seguem Jesus banem da vida uma visão estreita e egoísta, e adquirem um modo despretensioso de ser e de agir. A propósito, evitando ter uma alma tortuosa e inquieta, que os fizesse duvidar deles mesmos e de Cristo, eles recomendam, como condição essencial de salvação, a irrestrita confiança em Deus. 

 

Porém, como sucede conosco, a ansiedade, qual lâmina fria, penetra o peito de muitos cristãos, levando-os à dúvida e à indecisão: será que não podíamos ter realizado algo de modo diferente? Ansiedade significa ter duas mentes, sentir-se aflito por julgar ter errado ou cometido uma falha, que bate à porta do seu coração. Nesse momento de angústia, quão preciosa é a voz tranquila e serena de Jesus, que diz: “Não podeis servir a dois senhores ao mesmo tempo”. Só há um Mestre, e Ele tem o poder de nos tornar livres do medo e do próprio pecado: Ele chega mesmo a cuidar dos pássaros e peixes. Então, a ansiedade e toda preocupação são lançadas para longe de nós, e, como crianças, colocados em suas mãos, somos acalentados e confortados pelo calor de sua presença. 

 

A confiança e a serenidade, dons preciosos, trazem verdadeira alegria ao nosso coração, pois nos dão a garantia de que o Pai nos acolhe, vale dizer, torna-nos livres das preocupações, das inquietações, do medo e da insegurança. Tendo por objetivo alimentar em nós essa confiança no Pai, Jesus conta a parábola do amigo importuno, que é atendido graças à sua perseverança: nós, animados por suas palavras, apresentamos ao Pai, nossas esperanças e dores, com a mesma insistência, pois diz o Senhor: “Pedi e vos será dado; buscai e achareis, batei e vos será aberto”. Dissipam-se as dúvidas e incertezas, e nós, envolvidos pelas palavras do Mestre: “pedi”, “buscai”, “batei”, seremos atendidos pelo Criador do universo, autor das forças da natureza. Afirma S. João Crisóstomo: “O Senhor não simplesmente ordena pedir, mas quer que as nossas preces sejam fervorosas e perseverantes: eis o sentido da palavra ‘buscai’”. 

 

Nas palavras de Jesus, há uma inversão das expectativas: não existe apenas a de sermos atendidos pelo Pai, mas também e principalmente a expectativa do Pai, que está à espera do nosso pedido. Assim, afastada toda e qualquer hesitação, confiantes, batemos à porta do Pai, exclamando com S. Agostinho: “Demos graças ao doador de todo o bem. A Ele rendamos graças, sem deixar de suplicar o que ainda não nos foi outorgado. Se nós nos enriquecemos recebendo, Ele não se empobrece dando”. 

 

 

Dom Fernando Antônio Figueiredo, ofm

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