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Não usem a Bíblia para promover a pena de morte, exortam bispos das Filipinas

27.03.2017

 

 

Imagem referencial / Pixabay (Domínio Público)

 

MANILA - Lembrem-se do que significa a cruz de Jesus e não abusem da Bíblia para justificar a pena de morte, exortaram os bispos das Filipinas em um comunicado que foi lido em todas as Missas no país no domingo, 19 de março.

 

“Precisamos assinalar às pessoas que usam a Bíblia para defender a pena de morte quantos outros crimes contra a humanidade foram justificados usando a mesma Bíblia?”, perguntaram os prelados na declaração assinada pelo Presidente da Conferência Episcopal das Filipinas, Dom Socrates Villegas.

 

“Humildemente pedimos que interpretem corretamente as Escrituras, que seja lida como uma revelação progressiva de Deus à humanidade, com o seu cumprimento final em Jesus Cristo, a Palavra definitiva de Deus ao mundo”, acrescentaram.

 

Além disso, os bispos explicaram que Jesus não veio abolir a lei, mas cumpri-la, porque “Jesus nunca foi a favor de alguma forma de ‘assassinato legal’”.

 

“Defendeu a mulher adúltera contra aqueles que exigiam o seu sangue e desafiou os que entre eles estavam sem pecado a serem os primeiros a jogar uma pedra nela”.

 

A pena de morte foi abolida nas Filipinas em 2006. Entretanto, o atual presidente Rodrigo Duterte, que está liderando uma repressão brutal contra o narcotráfico, defende a sua restauração.

 

Em sua carta, os bispos detalharam a recente aprovação da Câmara dos Representantes de um projeto de lei que restauraria a pena de morte.

 

“Na Quarta-feira de Cinzas, os membros da Câmara dos Deputados, durante a segunda leitura do projeto de lei da pena de morte, votaram a favor. Ironicamente, apareceram na televisão gritando a favor da morte com suas testas marcadas com cruzes feitas de cinzas”, detalharam.

 

“Será que esqueceram o que significava esta cruz?”, lamentaram os prelados.

 

Do mesmo modo, indicaram que a expressão na Bíblia “olho por olho, dente por dente” foi desafiada por Jesus, que não defendia a represália do mal pelo mal, mas pela justiça fundada na misericórdia.

 

“Inclusive com as melhores intenções, a pena de morte nunca demonstrou ser eficaz como elemento que impede o crime. Obviamente, é mais fácil matar os criminosos do que se livrar das causas fundamentais da criminalidade na sociedade. A pena de morte e um sistema jurídico defeituoso são sempre uma mistura mortal”, indicaram os prelados.

 

A declaração também se referiu às vítimas, pois temem que a pena de morte seja mais aplicada aos pobres, “que não podem pagar as defesas legais adequadas”.

 

Em seguida, os bispos asseguraram que os culpados devem se arrepender e reparar os seus pecados e, por outro lado, ofereceram amor, compaixão e esperança aos afetados.

 

“Como uma lei, a pena de morte contradiz diretamente o princípio da inalienabilidade do direito humano básico à vida, que está na maioria das constituições dos países que assinaram a Declaração Universal dos Direitos Humanos”, manifestaram.

 

Finalmente, os bispos das Filipinas pediram orações pelos legisladores do país e ofereceram Missas pela salvação deles, “para tocar suas consciências e ajudá-los a abolir a pena de morte de uma vez por todas”.

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