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Homilia Santíssima Trindade - Ano A

10.06.2017

 

 

V. : Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo!

R.: Como era no princípio, agora e sempre, amem!

 

 

Irmãos e irmãs, hoje nos deparamos com o Mistério Santo e Inefável de Deus. Somos atraídos e nos prostramos em adoração diante do Deus Uno e Trino, Pai, Filho e Espírito Santo. As palavras são sempre insuficientes para expressar quem Deus é. Por isso, diante de Deus Três vezes Santo, devemos nos colocar na atitude dos que estão no Céu e de todos aqueles que experimentaram tal Mistério na presença de Deus: eles se prostravam em adoração.

 

Nunca se sentiram à vontade, como, infelizmente muitos acham que podem diante de Deus. A verdadeira experiência de Deus e do seu Amor é tal, que nos leva a nos vermos sem mascarar nossa real condição em relação a Ele. Por isso, Moisés, na leitura que ouvimos se prostra e adora... Reconhece quem é e também o povo que conduzia por mandato divino: um povo de dura cerviz, isto é, um povo sempre propenso a se afastar de Deus e de seus Mandamentos por causa do pecado original.

 

Mas, eis o modo como Deus aqui se apresenta: «O Senhor, o Senhor é um Deus clemente e compassivo, sem pressa para se indignar e cheio de misericórdia e fidelidade». E é isto que Moisés ao se prostrar em adoração, pois, como não se abismar, como não calar diante da infinita bondade de Deus que não desiste de nós?! As tábuas de pedra que Moisés leva são novas, pois havia quebrado as primeiras, num acesso de ira, pelo fato do povo ter construído para si o bezerro de ouro e dançado à sua volta, como fazem os pagãos diante das suas chamadas divindades. Moisés, diante do Verdadeiro Deus, tão distante pela sua Santidade, mas de nós tão próximo pelo seu imenso Amor, o que faz? Dança? Canta? Louva? Se agita como um louco descontrolado?! Não! Se prostra em oração e adoração!!!

 

Prostrar-se e adorar... Atitudes de real amor a Deus e de conhecimento da própria condição diante daquele que é Três Vezes Santo! Assim fazem os Anjos no Céu, assim fazem os adoradores que Deus quer: “em espírito e em verdade”!

 

Deus se coloca de tal modo, que se apresenta como Aquele que é lento a indignar-se e pronto ao perdão e ao amor. Tal Amor, nós experimentamos na maior prova que nos deu o Pai: entregou seu Filho, tendo poupado o de Abraão, em Sacrifício Santo, para a nossa Salvação!

 

Assim se manifesta o verdadeiro Amor: pronto ao sacrifício por quem se ama. Disse-nos os Senhor: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelo seu amigo” e mais, glórias sejam dadas a Deus!, dEle também ouvimos: “já não vos chamo servos, mas meus amigos, pois vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai”!

 

Assim, o Deus Santo e Terrível é também Fascinante. Com seu fascínio amoroso e belo constantemente nos atrai. E, pelo Seu Espírito de Amor, que enviado pelo Pai, agiu na Encarnação para que recebêssemos o Salvador, é aquele que nos faz constantemente recordar este seu Amor Infinito, de acordo com a palavra do Senhor que ouvimos semana passada: “Vou enviarei outro Paráclito que vos recordará tudo o que eu disse e vos revelará coisas futuras”. Estas coisas futuras, é bom que se diga, é uma compreensão mais profunda deste mesmo Amor do Pai e do Filho, expresso em tudo o que o Senhor disse e fez; nada de novidades “novidadeiras”, mas, nas palavras do próprio Senhor: “Ele não falará por si, mas de tudo o que tiver ouvido do Pai e de mim”! Deste modo, Deus Pai e Filho e Espírito Santo, não agem separadamente, mas numa unidade profunda de ação amorosa.  Sempre em comum.

 

Mesmo sendo assim, nossa mente não é capaz de penetrar no Mistério a não ser amando este mesmo Mistério e se calando ao contemplá-lo. Deus é Pai e Filho e Espírito Santo! A Ele honra e glória pelos séculos dos séculos!

 

A vida divina é Amor e amor se transmite, pois “não cabe em si, por ser amor”, como diz o nosso cancioneiro. “Amor, diffusivum sui”, o amor se difunde por si e não se aquieta enquanto não se transmite e comunica. É da natureza do Amor de Deus que se encontra inscrito no amor humano, por Deus mesmo.

 

Por isso, ouvimos a saudação de Paulo aos Coríntios e que se faz presente quando a Igreja é reunida para a celebração do Sacramento da Caridade ou do Amor de Deus por nós, a Eucaristia. Nela, é o Sacrifício Santo do Filho de Deus que celebramos. É o sacrifício do Amor de Deus por nós! Plenos deste Amor, somos chamados a transbordá-lo nas nossas relações. Assim, a Igreja é imagem da vida divina. Ícone da Trindade, na expressão de um teólogo italiano, Bruno Forte. A comunhão dos batizados, na Igreja, tem onde olhar para medir sua qualidade. Neste sentido é que o Apóstolo exorta: “Irmãos: Sede alegres, trabalhai pela vossa perfeição, animai-vos uns aos outros, tende os mesmos sentimentos, vivei em paz. E o Deus do amor e da paz estará convosco. Saudai-vos uns aos outros com o ósculo santo”.

 

Irmãos, Deus Se revelou-nos porque é Amor; Deus entregou seu Filho, porque somos também povo de dura cerviz e Ele nos ama e é sempre pronto a perdoar, pois não desiste da obra das suas mãos; enviou-nos seu Espírito para que não ficássemos órfãos, por isso o Espírito é chamado também: Amor, fogo, unção espiritual e “pai dos pobres”, pois é assim que somos chamados a nos colocarmos diante dele; disso devemos pedir sempre a Ele para nos convencer e nunca esquecer, sem nenhuma arrogância pagã de nossa parte. Não fomos reunidos para nos divertirmos nem nos sentirmos bem. A sagrada Liturgia não é entretenimento religioso, como não se cansa de recordar Bento XVI. Papa Emérito.

 

O Senhor nos reúne sempre para se comunicar a nós e nos dar o seu Amor. E nós nos reconhecermos como somos, tantas vezes, como o povo no deserto: “se trata de um povo de dura cerviz, mas Vós perdoareis os nossos pecados e iniquidades e fareis de nós a vossa herança”.

 

É esta atitude diante da presença tremenda e fascinante de Deus, que nos garante a herança eterna, não a de arrogantes barulhentos que se celebram a si mesmos e os seu projetos mesquinhos de bem estar mundano!

 

Jesus Cristo, o Filho Encarnado de Deus, pelo poder do Espírito Santo de Amor, é nossa salvação somente se o recebermos sempre em nossas vidas. Não recebê-lo é já condenação.

 

Mas Deus Pai nos conhece mais do que nós mesmos: “se trata de um povo de dura cerviz, mas Vós perdoareis os nossos pecados e iniquidades e fareis de nós a vossa herança”. De fato, enviou-nos seu Filho que morreu por nós, deu-nos o Espírito para dEle nem de seu Amor nos esquecermos. Portanto, peçamos junto com Moisés: “... encontrei, Senhor, aceitação a vossos olhos, digne-Se o Senhor caminhar no meio de nós”!

 

R.: Vem ó Senhor com o teu povo caminhar, / teu Corpo e Sangue, Vida e Força vem nos dar (bis).

 

V. : Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo!

R.: Como era no princípio, agora e sempre, amem!

 

Autor: Prof. Pe. Mestre Samuel Pereira Viana Nascido em Duque de Caxias (RJ) e Ordenado Presbítero na Diocese de Santo Amaro. Mestre em Teologia Dogmática pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma.Pároco: Paróquia São José (2008- atualmente).

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