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Congregação de Santa Teresa de Calcutá registra legalmente seu hábito tradicional

14.07.2017

 

 

 

Duas Missionárias da Caridade durante a canonização da Madre Teresa de Calcutá/ Foto: Daniel Ibáñez (ACI Prensa)

 

Roma,- As Missionárias da Caridade conseguiram os direitos autorais do desenho elaborado por Santa Teresa de Calcutá do sari – roupa feminina usado na Índia – branco com listras azuis, usado pelas religiosas.

 

Embora nunca tenham feito um anúncio oficial, os direitos autorais foram concedidos às irmãs no mesmo dia da canonização da Madre Teresa, celebrado no dia 4 de setembro de 2016.

 

As religiosas enviaram o pedido ao Registo de Marcas do Governo da Índia em dezembro de 2013 e, após três anos de procedimentos legais, conseguiram os direitos de propriedade intelectual do desenho do sari.

Em declarações ao Jornal ‘Press Trust of India’, Biswajit Sarkar, advogado especialista em propriedade intelectual, precisou que as Missionárias da Caridade não querem fazer publicidade com esta notícia.

 

Esclareceu que “estamos presenciando o uso injusto do desenho em todo o mundo” e que, por essa razão, permitir o reconhecimento do direito autoral do sari da Madre Teresa serve para “conscientizar as pessoas sobre esta marca”.

 

Sarkar também destacou que os direitos autorais do desenho do sari das Missionárias da Caridade são um caso único e é o primeiro uniforme que está protegido sob os direitos de propriedade intelectual.

 

A origem e o significado do sari das Missionárias da Caridade

Irmã Gertrude – que foi a segunda religiosa que se uniu às Missionários da Caridade depois da sua fundação – explicou o significado e a origem deste sari em um texto publicado no site das Missionárias da Caridade.

 

Ela indicou que ao se unir a Madre Teresa, em 26 de abril de 1949, “foi a primeira vez na minha vida que eu a vi usando seu sari branco com três listras azuis”.

 

“Fiquei impressionada como a Madre Teresa, uma religiosa de Loreto, minha superiora, estava vestida como uma pobre mulher bengali, com um simples sari de algodão”, expressou.

 

Em seguida, Irmã Gertrude contou que as lojas onde as religiosas compraram seus primeiros hábitos vendiam somente saris brancos ou vermelhos que tinham listras verdes ou azuis. “A Madre escolheu a listra azul porque a cor azul é associada à Virgem Maria. E representa a pureza”.

 

A cor branca do sari significa pureza e verdade, enquanto as três listras azuis nas bordas representam os votos que as religiosas fazem: o primeiro é a pobreza, o segundo é a obediência e o último é a castidade e serviço sem limites aos mais pobres dos pobres.

 

A cruz que as religiosas usam no ombro esquerdo simboliza o fato de que, para elas, Cristo crucificado é a chave para o coração.

 

As noviças usam saris brancos sem listras. Depois de quatro anos de formação, quando estão prontas para realizar seus votos, recebem o sari com listras azuis. Cada irmã tem apenas três saris.

 

Irmã Gertrude destacou que quando a ordem foi fundada, “as mulheres que varriam as ruas costumavam usar o mesmo tipo de sari. Por isso, a Madre adotou uma roupa religiosa que não só era simbólica e prática – porque não só nos ajudava a identificar-nos com os pobres –, mas também era adequada para o clima quente de Calcutá”, contou.

 

No início, as religiosas pagaram aproximadamente 2,50 rúpias (quatro centavos de dólar) pelos saris. Entretanto, quando a ordem começou a crescer, tornou-se difícil consegui-los em grandes quantidades.

 

Deste modo, quando em 1958 as irmãs abriram o hospital Gandhiji Prem Niwas para as pessoas que estavam com lepra, elas notaram que muitos pacientes não trabalhavam. Então, compraram lã e começaram a pagar para que confeccionassem saris para as religiosas.

 

Como a lepra não pode sobreviver fora do corpo humano, não há perigo de que as religiosas sejam contagiadas. Os pacientes trabalham sob rigorosa supervisão médica e, além do pagamento, as irmãs lhes oferecem comida, roupas e cuidados médicos.

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