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Homilia: Homilia: 17 Domingo Comum - Ano A

28.07.2017

 

 

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

 

 

Irmãos e irmãs, hoje Deus nos coloca diante de duas opções que não se excluem, mas que Ele nos chama a integrar na nossa vida. Semana passada, terminei a reflexão lembrando que devemos buscar as coisas do alto, sursum corda, mas com os pés bem fincados no chão. Continuemos daqui a refletir sobre o que o Senhor nos pretende ensinar nestes últimos Domingos sobre o Reino de Deus.

 

Ele nos fala do Reino de Deus em parábolas, pois o Reino de Deus começa quando nós nos abrimos à sua mensagem e Àquele que o realiza de modo perfeito em Si próprio, que é Cristo Jesus. Assim, não podemos identificar o Reino de Deus com nenhuma realidade deste mundo, passageiro por natureza. Nem mesmo a Igreja do Senhor realiza neste mundo o Reino, mas o antecipa em si em mistério. Na verdade, ela mesma ensina que o “reino de Cristo [ou de Deus] já presente em mistério, cresce visivelmente no mundo pelo poder de Deus...” (LG 3) e mais adiante: “A Igreja recebe a missão de anunciar e estabelecer em todas as gentes o Reino de Cristo e de Deus, e constitui ela própria na terra o germe e o início desse Reino” (LG, 5). Isto leva-nos a compreender a razão do Senhor se referir ao Reino do modo como temos ouvido. Ele é uma realidade misteriosa da qual já participamos.

 

São Paulo, na segunda leitura, nos ensina que, o que Deus quer para nós, já nos concedeu em Cristo, primeiro nos conhecendo, nos predestinando, nos chamando, justificando e glorificando. Tudo isto tendo por Cristo o início, o desenvolvimento e a realização na glória. Assim, n’Ele se realiza o Reino de Deus e em nós, na medida e pela resposta que damos a Deus. Mais, todos são chamados por Deus à participação neste Reino. Participação que iniciamos quando acolhemos a Salvação que é oferecida pelo anúncio do Evangelho, pela fé que daí brota, da celebração dos Sacramentos, da união com Deus e da vida em Caridade.

 

É, em outras palavras, a oferta de uma Amizade e Amor que não encontra paralelo neste mundo e que só se realizará em nós, de modo perfeito, no outro.

 

Aqui é necessário fazer uma importante observação. Diz respeito à nossa liberdade que é posta diante desta oferta amorosa. É próprio do amor sair de si e dar-se, o Amor é um êxtase, isto é, um sair de si em direção ao amado. Mas entre o amor que é oferecido ao amado e a resposta que recebe, se encontra todo o drama da nossa existência. Em primeiro lugar: Deus é o Amante e nós os amados por Deus. Como se dá nas nossas relações naturais, nem sempre que amamos, nosso amor é acolhido. Isto, em nós pode diminuir o amor e até mesmo fazê-lo desaparecer, dependendo da resposta que recebemos. Em Deus, porém, que é Amor por excelência, isto não se dá. Ele é o Amor! Sendo Amor Máximo não necessita da nossa correspondência para ser como é. Sendo Máximo Amor, Ele é desde sempre e para sempre Aquele que nos ama, por isso nos criou, e que, diante do nosso não acolhimento, não é diminuído nem desaparece. Isto não significa que é indiferente à nossa resposta. Pelo contrário! Continuamente oferente no seu Amor, não cessa de nos oferecer as provas. A maior delas, temos na sua Sacrossanta Paixão e Morte de Cruz. Assim é o Amor de Deus. Assim se vive, também naturalmente e de verdade, o amor entre seres que amam, não necessariamente se são amados em resposta: disposição para o sacrifício, se ele é necessário, mesmo que pelo amado exigido não seja.

 

Mesmo não sendo exigido, se vivido, o sacrifício se torna a oferta constante da partilha da vida. Acolhê-lo generosamente, sim, pois também a generosidade se vive não somente dando, mas também sabendo acolher, é a realização do que Deus e os que amam desejam, a união do Amante e do amado. O gozo que se experimenta é a alegria perfeita. Esta alegria de amar, ser amado e tudo o que brota desta relação nós ouvimos descrita na relação de gratidão e de não exigência de outra coisa senão a correspondência ao Amor de Deus que Salomão hoje nos dá.

 

Diante da oferta de Deus, o que pede Salomão? Em primeiro lugar, ele responde com gratidão: “Senhor, meu Deus, Vós fizestes reinar o vosso servo em lugar do meu pai Davi”, o reconhecimento da sua condição: “e eu sou muito novo e não sei como proceder”. Somente depois, considerando o Amor imerecido de Deus por ele, é que pede. Mas o que pede? A condição necessária para corresponder ao amor oferecido e acolhido: “Dai, portanto, ao vosso servo um coração inteligente, para saber distinguir o bem do mal”.

 

Um “coração inteligente”, isto porque, na SE, é o coração o órgão responsável pelas decisões mais profundas; o coração chega mesmo a identificar o que seja a pessoa. Por isso falamos: “fulano tem bom coração”, de “pedra” ou “mal”.

 

Assim, é a partir do coração que somos inclinados para cá ou para acolá. Daí a expressão “coração vagabundo ou insensato” quando age movido pelos impulsos e não pela razão que deve também reger o coração, pois a razão descobre a verdade do coração e a confirma, ou não. Verdade e amor se encontram e se beijam. Não são competidores, mas siameses, andam de mãos dadas... E, quando se divorciam, o que se dá são conseqüências desastrosas...

 

E hoje, caros irmãos, Nosso Senhor, ao nos falar do Reino de Deus, nos apresenta duas imagens que põe em marcha a razão e o coração, quais dois valentes guerreiros para alcançar o que realmente importa nesta e na vida eterna: o Reino de Deus.

 

Em primeiro lugar, o Reino de Deus é apresentado como um tesouro a ser descoberto e conquistado, mas ao mesmo tempo é-nos apresentado com a beleza e a pureza da pérola preciosa. Realidades que somos capazes de compreender: coisas que exigem esforço. Pela imagem da pérola contemplamos a beleza que nos seduz e atrai por ser oferecida; pela imagem do tesouro, o seu valor. Diante destas imagens, Cristo quer nos indicar o esforço necessário para alcançá-lo e dele viver. Em Cristo já o alcançamos, como nos diz São Paulo, mas também N’Ele temos de escolher permanecer.

 

E é aqui que voltamos ao drama da nossa existência: oferta de amor, resposta requerida e resposta dada. União gozosa ou dispersão frustrante...

Deus nos quer porque nos ama. Nos quer amando a Ele e nós, mutuamente. Mas, honestamente, também nós, como Salomão, somos novos e não sabemos como proceder. E é aqui que hoje somos chamados à responder também a Deus. O que pedir a Ele? O que cada um de nós pedimos? Aprendamos de Salomão. Peçamos um coração inteligente para distinguir o bem do mal. Como a Salomão, também a nós o Senhor dará o que pedirmos e todo o resto.

 

A Ele, a honra, a glória e o poder para sempre. Amém!

 

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

 

 

Autor: Prof. Pe. Mestre Samuel Pereira Viana Nascido em Duque de Caxias (RJ) e Ordenado Presbítero na Diocese de Santo Amaro. Mestre em Teologia Dogmática pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma.Pároco: Paróquia São José (2008- atualmente)

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