• Facebook Social Icon
  • Twitter Social Icon
  • YouTube Social  Icon
  • Instagram Social Icon
  • Google+ Social Icon

O CONCEITO DE AMOR NA BÍBLIA

26.09.2017

 

 

Partindo do fato que o Amor é um conceito universal sobre a afinidade entre as pessoas, definido de diferentes maneiras, de acordo com diferentes ideologias e pontos de vista como artístico, científico, filosófico, religiosas, etc. Principalmente no Ocidente, ele é interpretado como um sentimento relacionado com afeição e apego; produtor de uma série de atitudes, emoções e experiências.

 

No contexto filosófico, o Amor é uma virtude que representa todo o afeto, a bondade e a compaixão dos seres humanos. Ele também pode ser descrito como ações dirigidas para com os outros, e é com base na compaixão e no afeto que o Amor procura proteger e até mudar a situação da pessoa amada para melhor.

 

NO ANTIGO TESTAMENTO

No Antigo Testamento o Amor de Deus é anterior à criação. Deus não cria e, em seguida, escolhe, mas porque ele escolhe, cria. Deus cria amando. Por isso, uma das expressões mais importantes é hesed, que denota uma escolha deliberada de afeição e bondade, com um forte sentido de lealdade. Nas bíblias costuma ser traduzida normalmente por “bondade”, “graça”, “misericórdia” e “Amor longânimo”. E é principalmente usado no livro do Gênesis para expressar o Amor humano. Em Deuteronômio hesed é usado para expressar o Amor a Deus.

 

A palavra mais comum que traduz Amor, é a expressão hebraica ahab ou a variação aheb. O termo traz um sentido de Amor amplo que inclui o Amor romântico e legítimo entre pessoas, o Amor fraternal e o Amor divino. É um sentimento que tem o sentido de desejo, de possuir e de estar na presença do objeto amado como em Gn 2.23-24. O Termo heb."racham", Amor de mãe com intensa compaixão 1 Rs 3.26. Heb "ahab" expressa o Amor entre marido e mulher que é firmado no caráter pessoal de Deus, Gn 24.67; 29.18; Jz 16.4,15; 1Sm 1.5; 18.20; dos pais pelos filhos Gn 22.2; 25.28; da nora pela sogra Rt 4.15; e entre amigos 1Sm 18.1-3.

 

O significado mais comum dessas palavras é o Amor, fruto do relacionamento entre um homem e uma mulher. Portanto, existe um sentido de conotação sexual também, mas incluindo, principalmente, um significado de afeição, lealdade, admiração e desejo dentro dos limites das relações legítimas, como no caso de Isaque e Rebeca Gn 26.67. Pode se referir a uma forma de Amor que ainda está fora do âmbito de um casamento, expressando vontade de se casar e de cuidar do objeto desse Amor, como no caso de Siquém e Diná Gn 34.3.

 

No começo do Antigo Testamento não há chance para o homem procurar Deus, pois não pode procurar o que não conhece. Por isso, só pode ser o caminho inverso, isto é, partir de Deus para o homem, "mas não podes ver o meu rosto, porque ninguém pode vê-lo e continuar vivendo" (Ex 33:20). É o Amor de Deus que faz que Ele deixe sua intimidade e vá em busca dos homens, fale com eles, os ame. A ação de Deus é inconcebivelmente estreita com uma proximidade impressionante. Sua proximidade não diminui sua importância. Pelo contrário, a sua importância é que revela a singularidade do seu Amor. O Amor de Deus humaniza o próprio Deus, mas acima de tudo, diviniza o homem ao entrar na vida íntima de Deus quando o homem se deixa tocar pelo Amor de Deus.

 

Abraham nasce com a fé e o Amor por Deus e é tanta a sua correspondência por Deus, que Abraham prefere Deus ao seu próprio filho. Este é um Amor total e exclusivo. É o mesmo Deus que fala com Moisés face a face, é o Deus da gratidão infinita. Ele é maior do que a criação do evento mundial. Deus revela a sua privacidade pessoal saindo de si e vindo ao encontro do homem por Amor.

 

Também é comum encontrar heb "chashaq" que é o Amor no sentido espiritual e está ligado a Deus, ansiar, como o salmista, desejoso por Deus Sl 91.14. Deus escolheu Israel como seu povo especial porque o amava: “Porque amava vossos pais e escolheu seus descendentes, Ele em pessoa te tirou do Egito com grande poder” Dt 4.37. “no entanto, o Senhor se enAmorou somente de vossos pais, amou-os, e de sua descendência vos escolheu entre todos os povos, como acontece hoje” Dt 10.15.

 

Outra palavra para expressar o sentido de Amor no Antigo Testamento é haham. Traduzida normalmente por “Amor” e “compaixão”. O significado da raiz da palavra é “nascido do mesmo ventre” e representa a ideia do sentimento do Amor entre irmãos. O Sentimento de um pai pelo seus primogénito; “porque te aprecio e és valioso, e eu te amo; entregarei homens em troca de ti, povos em troca de tua vida” Is 43,4. Como povo escolhido por Deus para derramar seu Amor gratuitamente, “Escuta Israel, o Senhor nosso Deus é somente um. Amarás o Senhor teu Deus com todo o coração, com toda a alma, com todas as forças” Dt 6.4-5.

 

Os israelitas também foram instruídos a ter boa vontade sincera com o outro, “não te vingarás nem guardarás rancor dos teus concidadãos. Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor” Lv 19.18. Isto indica que não se trata de puro sentimentalismo, mas parece inculcar o respeito ao outro, que exige solidariedade radical que vê no outro algo de si próprio.

 

NO NOVO TESTAMENTO

Como o Novo Testamento foi escrito em grego, por ser a língua principal da época, foram usadas diversas palavras para descrever as diferentes expressões e manifestações do Amor. A palavra Storge tem o significado de “afeição natural” para descrever a relação entre mãe e filho; A apalavra Philia tem o significado de afeição de amigos; a apalavra Eros tem o significado de atração do desejo, especialmente no Amor sexual. Mas é a palavra Ágape que expressa no Novo Testamento o Amor auto doador de Deus, revelado em Jesus Cristo, e que constitui o poder motivador e o padrão da vida crista.

 

Essas quatro palavras, a pesar de ter significados diferentes, para o Amor, expressam em comum um estado interior de sentimento e uma disposição do coração de proteção, além de uma atitude mental e uma forma de conduta, de ação ou reação, para com o objeto do Amor.

 

O termo Ágape é o que melhor expressa o sentido de Amor semelhante ao de Deus, pois é um tipo de Amor desinteressado, que só procura o bem do amado, sem pedir nada em troca. Os três primeiros são, todos, naturais, mesmo no homem decaído, enquanto Ágape é Amor semelhante ao de Deus. Todos os quatro são essencialmente dados por Deus, mas o pecado, na humanidade decaída, distorceu de modo perverso os três primeiros e efetivamente afastou o Ágape, até a graça do Espirito Santo de Deus começar a recria-lo com a regeneração e renovação da pessoa humana, gradativamente, à imagem de Deus.

 

Quando se trata do Amor de Deus pela criação e, portanto, pela humanidade é usada a palavra Ágape. O Ágape, a diferencia do eros e da filia, não é um Amor que ama por que o amado seja digno do Amor ou porque deseje possuir o amado. O Ágape é Amor imerecido de Deus, é o Amor que, não busca possuir, mas melhorar, abençoar e fazer feliz preenchendo o vazio no coração das pessoas com seu Espírito.

 

Philós aparece 30 vezes no Novo Testamento e expressa um relacionamento próximo de amizade, estima e afeto terno Lc 14.12; Jo 11.11 At 19.31. É o termo usado para expressar os “amigos do noivo” em João 3.29. Os discípulos são chamados de “amigos de Jesus” Lc 12.4, assim como Abraão é chamado philós de Jesus Tg 2.23 e Pilatos de philós de César Jo 19.12. Como derivado do substantivo philós, está o verbo phileo que aparece pelo menos 25 vezes no Novo Testamento, com diferentes significados. E é usado para definir o Amor parental e filial Mt 10.37. Jesus amou Lázaro Jo 11.3, 36 e os discípulos amavam Jesus Jo 21.15-17. Portanto, phileo é muito bem usado para expressar o Amor de Deus pelo Seu Filho Jo 5.50 e pelo seu povo Jo 16.27; Ap 3.19, mas nunca é usado para caracterizar a relação dos seres humanos para com Deus.

 

No evangelho de João a expressão “discípulo amado”, é descrita em 20.2 com o verbo phileo, enquanto que nas outras passagens é usado o verbo agapão 13.23; 19.26; 21.7, 20. Para entender melhor a distinção entre o verbo phileo e agapão é necessário recorrer a perícope de João 21.15-17.

 

Onde Jesus inicia seu diálogo com Pedro perguntando nas duas primeiras vezes: “você me agapao?” A resposta de Pedro foi: “o Senhor sabe que eu phileo. Para não deixar Pedro mais constrangido, na terceira vez que Jesus inquire o Amor de Pedro, Ele pergunta: “você me phileo?”, e o discípulo responde pela terceira vez “tu sabes que eu phileo.” Assim como Pedro negou três vezes a Jesus, Ele lhe questionou por três vezes a fidelidade que deve existir nas relações de Amor.

 

No texto do Novo Testamento também é comum achar três expressões derivadas do verbo phileo: philadelphia “Amor fraternal” At 28.2; philanthropia “Amor pela humanidade” Tt 3.4; e philarguria “Amor pelo dinheiro” 1Tm 6.10. Mas a palavra mais comum no Novo Testamento para Amor é agapao. Essa forma verbal aparece 137 vezes e a forma nominal (Amor) é usada outras 116 vezes. O sentido da palavra é igual ao equivalente hebraico e é usado nos mais variados sentidos: de Deus para com os seres humanos, destes para com Deus e as relações entre o gênero humano. O termo cognato agapetós ocorre 62 vezes e é geralmente traduzido por “amado”.

 

Agapao é empregado para descrever a atitude de Deus para com Seu Filho, para com os seres humanos em geral Jo 17.26; 3.16 e para com aqueles que tem fé em Jesus Jo 14.21. É usado também para transmitir a vontade de Deus para seus filhos em relação à atitude de uns para com os outros Jo 13.34.

 

O Termo agapao consegue expressar a verdadeira essência da natureza de Deus de forma plena, pois Deus é absolutamente Amor e ama incondicionalmente 1Jo 4:8. No Novo Testamento esse Amor foi demonstrado perfeitamente por Jesus 1Co 5.14; Ef 2.4. Portanto, num sentido espiritual, os cristãos são convidados a replicar o Amor de Cristo, pois o fruto do Espírito é o Amor Gl 5.22. O Amor é manifesto pelo cristão quando obedece a lei e os mandamentos de Deus, Jo 14.15, 21, 23; 1Jo 2.5; 5.3.

 

O Amor é descrito por Jesus como totalmente destituído do “eu quero”, “eu desejo”. A verdadeira felicidade está “em” amar de forma desinteressada. Amar no sentido bíblico significa: dar-se, entregar-se, servir o outro com extrema afeição. Amor é entrega! “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu filho único...”Jo 3.16. Assim, o Amor bíblico é de natureza heterocêntrica, centrado no outro, em vez de egocêntrico, centrado em si mesmo.

 

Paulo, no contexto de Efésios 5.21ss estabelece o sentido de Amor como genuíno entre marido e esposa. O marido ama (entrega-se) à esposa. Essa, por sua vez, se sujeita ao esposo. Amar e sujeitar-se são expressões sinônimas no contexto bíblico. Isto é, no verdadeiro relacionamento de Amor, há uma inter-relação de entregas, de sujeições, em nome do Amor. Portanto, neste contexto, essa é a forma pela qual Deus ama sua igreja e esta deve responder com o mesmo valor.

 

Também, Paulo em 1 Cor 13 mostra que o verdadeiro amante não busca seus próprios interesses de forma egoísta nem age inconvenientemente. Paulo encontra em Corinto uma cultura grega totalmente despreparada para receber o evangelho, é uma cultura árida de Amor, de bondade e totalmente egocêntrica. Mesmo assim decide preparar o terreno para plantar o evangelho. Finalmente Paulo escreveu esta mensagem de parte de Deus para que pudessem trabalhar e superar tudo.

 

Este capítulo de 1 Cor 13 é considerado o maior tesouro de sabedoria e poder do Amor (ágape), este texto foi escrito para os crentes de Corinto repensar novamente suas vidas e lembrar para o qual objetivo foram convocados no evangelho. O ser humano deve enfrentar, ao longa da vida, grandes conflitos que o leva a agir de uma maneira errada; uma forma que não é a de Cristo. Eles agem de acordo com o que está dentro deles. Quando alguém é egoísta e vive para si mesmo, age muito ao contrário do que Deus quer do ser humano, e agem desse jeito porque ainda não receberam ou não reconheceram o Amor de Deus que inunda o coração do ser humano e o faz sair de si mesmo para servir a amar os outros.

 

O homem não é maior por falar línguas, dançar ou pregar 1 Cor 13.1; só será grande quando puder amar de verdade. Se não, será como o bronze que soa, como metais quando colidem produzindo um ruído alto. O mesmo acontece com o ser humano quando se relaciona sem Amor. Assim, o Amor é a força que pode transmitir a essência de Deus aos outros. O homem poderia ter todo o conhecimento (a ciência) e toda a fé para transformas todas as circunstâncias para o bem, mas sem Amor não terá sucesso, pois seria só para preencher o ego.

 

Paulo sabia o que era o Amor. Ele tinha conhecido o Amor para poder fazer o seu ministério. Era para cumprir o seu chamado e ministério que ele tinha deixado tudo sem procurar qualquer recompensa. Se Paulo fosse tentando atrair a atenção e procurar um grande nome entre as pessoas de seu tempo, em seguida, a sua exibição da virtude não teria valor. Por isso Paulo disse: "... o que para mim era ganho, por causa de Cristo considerei perda" Fl 3.7.

 

Os Coríntios eram pessoas difíceis. Eles eram impacientes, vivia descontentes, eram invejosos, eram cheios de orgulho, egoísmo, eles viviam indiferentes aos sentimentos dos outros, eram suspeitos, rancorosos e críticos. Neste contexto Paulo escreve e apresenta, em contraste as características do verdadeiro Amor 1 Cor 13. 4-7. Mostra para eles que o Amor é paciente, que é sofrido e serviçal. Ele explica que o Amor suporta um padecimento sem decomposição, que tudo suporta com grande resignação sem gritar seu sofrimento. O Amor é gentil, atencioso, amável, generoso, doce e sereno.

 

Não é ciumento e não quer nada dos outros, ele está muito feliz e satisfeito com o que é seu e por isso nunca será capaz de tirar nada do outro. Não é arrogante e orgulhoso. O Amor percebe que tudo que tem é o dom de Deus e que nada há no homem do que ele possa se orgulhar. O Amor não se comporta de maneira rude. Ele não vai buscar o seu próprio bem de forma cortês e atenciosa. O Amor não busca os seus próprios interesses egoisticamente, mas está interessado no que pode ser de ajuda para os outros. O Amor não se irrita, mas está disposto a suportar escárnio e insultos. O Amor não leva em conta o mal e por essa razão não guarda rancor. Não há engano nele. Ele gosta da verdade, e não da injustiça.

 

CONCLUSÃO

Falar de Amor para os seres humanos aparentemente seria como falar para mestres no assunto, mas na verdade até os animais são verdadeiros doutores quando se trata de afeito, de doação total para com o outro.

 

O Amor de Deus ao homem, visto nos textos bíblicos, é o capítulo mais impressionante na história da humanidade, e Deus quer que o homem se entregue no Amor, esse Amor que tem sua fonte inesgotável em Deus e que transcende o coração do ser humano de tal forma que o faz sair de si mesmo e ir em busca do outro em forma de serviço. Deus só quer que o ser humano seja feliz amando.

 

O Amor é como um fogo ardente, que só queima quando acesso, de igual forma o Amor só existe no ser humano quando ele se deixa amar por Deus que é Amor, e sai amando seu próximo. O Amor é o verdadeiro destino da vida humana e cristã. O Amor é a concentração de vida. A ordem absoluta e universal. É a plenitude da lei de Deus. A maturidade do ser. A realização final. Com Amor vale tudo.

 

Deus ama o ser humano porque Deus é Amor e é o único que ele tem para dar: Amor. Deus é Amor em si mesmo, e é tão grande esse Amor que sai de Deus e vem procurar o ser humano para que faça parte desse Amor infinito e esse Amor infinito só é completo se sai do coração do homem para amar o próximo, percorrendo a humanidade inteira e retornado para Deus.

 

A vida é o grande milagre do Amor. O Amor é a base de todos os mandamentos que Deus entregou para a humanidade, portanto quando o ser humano ama está sendo semelhante a Deus, pois a essência da vida está nas relações baseadas no Amor para com os outros.

 

Bibliografia Consultada

1 – A Bíblia do Peregrino.

2 – Chave Bíblica.

3 – Harris, R. Laird, Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento.

4 – Smith, Ralph L., Teologia do Antigo Testamento.

5 – Gonzáles, Justo L. Diccinario Manual Teológico,

6 – Martín A. (1969) Teología de la Esperanza, Respuesta a la Angustia Existencia.

7 – Comentario al Nuevo Testamento, William Barclay. 1999 por CLIE para la versión española. Publicado originalmente en 1970 y actualizado en 1991 por The Saint Andrew Press, Escocia.

 

 

 

Autor: Elías Nova Nova

Diplomado em Teologia – Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia – FAJE | Minas Gerais, Brasil (2002)

Licenciatura Plena em Filosofia e Letras – Universidade de Santo Tomás de Aquino | Bogotá, Colômbia (1996)

Please reload

DESTAQUE

21 sugestões para viver melhor esta Sexta-Feira Santa

18 Apr 2019

1/10
Please reload

April 18, 2019

April 18, 2019

Please reload