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Sobre o que os bispos da Venezuela falarão com o Papa Francisco na Colômbia?

07.09.2017

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

BOGOTÁ - Em meio a rumores de que durante sua viagem à Colômbia o Papa Francisco não poderia receber os Bispos da Venezuela que chegaram ao país, o Arcebispo de Caracas, Cardeal Jorge Urosa, garantiu que o encontro ocorrerá e mencionou os temas que serão abordados.

 

No avião que leva o Papa Francisco de Roma a Bogotá, o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Greg Burke, confirmou que o Santo Padre saudará “na sacristia, em privado, os bispos da Venezuela que estão na Colômbia”.

 

Em declarações à CNN Espanhol, o Cardeal Urosa disse que os bispos que estarão no encontro com o Pontífice, além dele mesmo, são o Cardeal Baltazar Porras, Arcebispo de Mérida, Dom Jesús González de Zárate, Bispo Auxiliar de Caracas, Dom Maria Moronta, Bispo de San Cristóbal, e Dom José Luis Azuaje, Bispo de Barinas e presidente da Cáritas da América Latina.

 

Ao concluir a Missa que presidiu ontem à noite na paróquia Cristo Rei, em Bogotá, onde pediu pela paz na Venezuela, o Arcebispo venezuelano garantiu aos fiéis que “nos reuniremos com o Papa” e disse que o encontro será “na quinta-feira depois da Missa” que o Santo Padre celebrará á tarde no Parque Simón Bolívar, em Bogotá.

 

Em declarações ao Grupo ACI, o Cardeal Urosa assinalou que os Bispos da Venezuela, “em primeiro lugar, manifestaremos ao Santo Padre o carinho do povo venezuelano para com o sucessor de Pedro”, pois “uma das características do catolicismo venezuelano, assim como do catolicismo da América Latina, é o amor ao Papa, como sucessor de Pedro, como Vigário de Cristo”.

 

“Além disso, com certeza, conversaremos com o Papa, vamos agradecer o seu apoio aos venezuelanos nas circunstâncias difíceis pelas quais estamos passando, e também manifestaremos as nossas inquietações em relação a alguns problemas da situação atual”, disse.

 

O Cardeal Urosa assinalou que a Venezuela atualmente está passando por “uma situação gravíssima, é uma situação de penúria e angústia”.

 

“Nós, que estamos dentro do país, estamos vivendo uma situação de grande angústia, de grande turbulência política e penúria pela escassez de alimentos, de comida, algumas pessoas simplesmente não estão comendo ou estão comendo muito mal e também faltam medicamentos. É uma vergonha que não haja medicamentos na Venezuela”.

 

“Mas, além disso, há uma situação de agitação permanente e de angústia pela violação dos direitos de muitos venezuelanos em diversas áreas”, assinalou.

 

O Cardeal Urosa também refletiu sobre a situação de “muitos venezuelanos que tiveram que migrar, devido a circunstâncias adversas e isso é sempre algo muito doloroso”.

 

“Mas, graças a Deus, esses venezuelanos estão atentos ao país, estão rezando pela Venezuela e estão unidos, pedindo a Deus para que possamos resolver os nossos conflitos de forma pacífica”, destacou.

 

Apesar da crise que a Venezuela enfrenta, o Cardeal Urosa encorajou os fiéis a não perder a esperança.

 

“Devemos ter esperança contra toda esperança. Devemos certamente confiar em Deus, nosso Senhor, e devemos agir”.

 

O Arcebispo venezuelano lamentou que muitas vezes “as pessoas desanimam e já não querem mais agir. Não me refiro a criar situações de violência, mas defender os nossos direitos e os direitos dos outros”.

 

O Cardeal encorajou os fiéis a se “organizar, a procurar manifestar o nosso descontentamento, apoiar as pessoas que estão sofrendo, apoiar os prisioneiros, apoiar as pessoas que estão procurando trabalho, tudo isso é o que devemos fazer e não começar a chorar de uma forma absolutamente ineficiente e frustrante”.

 

Durante sua homilia, o Cardeal Urosa destacou o papel crítico dos bispos venezuelanos ante o governo, desde antes do começo da crise que a Venezuela vive atualmente.

 

“Enquanto no ano 1999, no ano 2000, havia silêncio, ninguém criticava o governo, ninguém dizia nada, os bispos venezuelanos indicamos uma série de falhas gravíssimas do governo e por isso o presidente (Hugo Chávez) nos atacou”, recordou.

 

“Nós sempre tivemos o interesse de trabalhar e defender o nosso povo”, assinalou, pois “queremos ser bons pastores”.

 

O Cardeal disse ao Grupo ACI que os bispos venezuelanos “cumprimos o nosso dever de bons pastores: o bom pastor dá a vida por suas ovelhas, o bom pastor busca o bem das suas ovelhas, o bom pastor não quer que as ovelhas sejam maltratadas e tudo isso nós estamos fazendo e continuaremos, pois esse é o nosso dever”.

 

“Tomara que o Senhor escute as nossas orações e em breve possamos resolver esta situação tão ruim que estamos vivendo”, expressou.

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