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Homilia: Missa 23º Domingo Tempo Comum - Ano A - 10.09.2017



Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!


Caros irmãos e irmãs, há dois Domingos vimos contemplando o Senhor a se deter com os Apóstolos e discípulos, dirigindo-lhes palavras fundamentais para o futuro da Sua Igreja. Sim, futuro que se já anunciava e se fazia presente nestas mesmas escolhas e indicações, que são características fundamentais da Igreja que Ele quis e quer como continuadora da Sua Missão e Presença neste mundo, até que venha novamente, pela ação do Espírito Santo a nos conduzir ao Pai.


Hoje não é diferente. Após ter chamado a Simão de Pedro, colocando-se a Si como fundamento e pedra angular que os construtores rejeitaram, Ele indicou, Domingo passado que, por isso, é sempre a partir dEle que tudo deve ser discernido na ação mesma dos discípulos e nas suas orações. Quanto a isso, temos hoje uma sua indicação para a solução de conflitos que venham a surgir no interior mesmo da comunidade dos discípulos e futuros fiéis, e sobre a oração dos que iriam aderir ao seu chamado e Pessoa.


Aqui, tem papel fundamental aqueles mesmos a quem chama para serem seus, como que prepostos, ou como ouvimos na I Leitura, vigias e sentinelas a guardar aqueles que seu Sangue conquistou. Ora, a missão destes é dirigir a todos, ímpios e fiéis, a Palavra do Senhor, seja ela de consolo ou correção. Tal missão é de tal importância que o seu cumprimento coloca em jogo a salvação mesma tanto de uns quanto de outros. Os profetas, e depois os Apóstolos e discípulos, porém correm maior risco, pois podem ser negligentes querendo agradar aos ouvintes, não lhes corrigindo quando devem, podendo por isso serem condenados com os que não se querem corrigir por sua própria culpa.


No Evangelho, o mesmo tema recorre, porém com regras bem precisas sobre a correção fraterna e a penitência. Tudo deve ser realizado em primeiro lugar com o que erra, a sós; depois, se não se corrige, na presença de uma ou duas pessoas; se ainda assim não se resolve a questão, deve a Igreja intervir para o bem do que erra. Todavia, se a solução não é positiva, o Senhor dá uma regra que soa estranha aos ouvidos da nossa época que quer defender mesmo um suposto direito ao erro e ao crime, sem a devida correção e pena. O que diz o Senhor? “Se nem mesmo à Igreja ele ouvir, seja tratado como se fosse um pagão ou um pecador público”. São Paulo usa uma expressão mais dura ainda: ‘seja entregue a Satanás’(cfr. 1 Cor 5, 1-13) E isto, em razão da sua própria culpa e não por falta de misericórdia. Não nos esqueçamos que corrigir os que erram, é uma obra de misericórdia, tendo em vista a salvação da pessoa!


A dureza da pena imposta, porém, não é vingança nem visa o simples castigar o pecador, mas antes, pela pena imposta seu arrependimento e sua salvação, como ouvimos na I Leitura. E isto por ordem divina!


É uma das aplicações do poder das chaves que o Senhor concedeu a Pedro e à Igreja. E quando o Senhor diz que o acordo na terra, entre dois ou mais, é uma garantia de nos ser concedido o que pedimos, e, ainda, que Ele está onde dois ou três estiverem reunidos, não podemos nos esquecer de que deve ser em Seu Nome.


Ora, esta expressão ‘em meu nome’ tem um significado jurídico e quer significar, simplesmente o pedir o que Ele mesmo quer. Não é a satisfação dos nossos caprichos ou desejos, mesmo legítimos que aqui nos está garantido. Como na regra para a solução dos conflitos e pecados cometidos, também no caso da oração, o que está em jogo é a nossa salvação eterna, não a satisfação dos nossos desejos. Mesmo sendo legítimos, não podemos esquecer que nem tudo é para todos e em qualquer tempo. Tudo deve sempre ser adequado ao fim a que Deus nos propõe, a nossa salvação. Como o mandamento do Amor, hoje chamado por São Paulo como perfeição da Lei, não nos esqueçamos que tudo quanto que Deus de nós exige tem sempre esta motivação: Ele nos ama e quer que nos amemos!


Por isso, a Igreja põe em nossos lábios as palavras do Salmista, e nos fez repetir como refrão, as palavras do Sl 94: “Não fecheis o coração, ouvi, hoje, a voz de Deus”.


Ouçamos, caros irmãos e irmãs, e coloquemo-nos todos de acordo hoje em pedir a Deus somente aquilo que Ele nos quer dar, pois Ele sabe do que temos necessidade, antes mesmo de o pedirmos... Abramos nosso coração, agradeçamos, peçamos, desejemos, somos tão confusos!... Mas deixemos sempre, como se dizia um tempo, tudo à sua Divina Mercê. Tudo segundo a Sua Santa Vontade.


Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!


Autor: Prof. Pe. Mestre Samuel Pereira Viana Nascido em Duque de Caxias (RJ) e Ordenado Presbítero na Diocese de Santo Amaro. Mestre em Teologia Dogmática pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma.

Pároco: Paróquia São José (2008- atualmente)

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