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HOMILIA NO XXVII DOMINGO COMUM A

07.10.2017

 

Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

 

 

Irmãos e irmãs, hoje nos é descoberto um segredo que de tão simples e óbvio, somente as almas mais sensíveis às realidades espirituais são capazes de perceber e aceitar. É um convite que é destinado a todos nós e que, pelo fato de muitos desconhecerem ou fazerem pouco caso, sempre necessita ser lembrado e posto bem diante de nossos olhos.

 

Isto não é de estranhar. Quando queremos enxergar bem alguma coisa, nós temos de nos afastar para ganharmos perspectiva. Assim, quando um artista está pintando ou esculpindo, necessita parar várias vezes, afastar-se, ganhar perspectiva e, contemplando, verificar se sua obra tem harmonia e corresponde ao que deseja exprimir, seja a realidade mesma da coisa representada ou um leitura própria, mas que tem alguma referência à realidade.

 

Na nossa vida afetiva o mesmo fenômeno se dá. Quando muito perto da pessoa que nos atrai, nem sempre é possível verificar se de fato o que sentimos é amor. O amor de verdade só existe se a quem dizemos amar, existe de fato na realidade. Muitas vezes o que há é uma paixão que logo acaba quando descobrimos de fato a pessoa, se esta não corresponde ao que “pensávamos que fosse”. Aqui está um problema do nosso tempo nos relacionamentos falidos: muitos, de tão perto que estão, não conseguem “ver a realidade”do outro... Ficam míopes! Assim não conseguem, à semelhança do artista, afastar-se, ganhar perspectiva, contemplar e verificar se quem diz amar realmente existe.

 

Ora, retornemos ao texto sagrado que nos auxilia na descoberta do segredo de bem viver, amando a Deus e ao próximo na sua Vinha, a Igreja e, a partir deste relacionamento amoroso, a bem amá-Lo também na vida de cada dia.

 

Na I Leitura que ouvimos, o Profeta Isaías, nos traz um belíssimo texto sobre a Vinha do Senhor. É um canto em que é expresso o amor de Deus pelo Povo de Israel. No Evangelho, o mesmo tema retorna, desta vez nos lábios do próprio Senhor em forma de parábola e com o objetivo de levar o Povo de Israel a refletir e acolhê-Lo. A vinha, o Povo; os trabalhadores são os Profetas que Deus enviara e, por fim, o próprio Filho é o Senhor Jesus Cristo, aqui revelando sua identidade de Filho de Deus, não mais um trabalhador, não mais um profeta entre outros. Sabemos o que se deu. Eles não receberam o Filho do Dono da Vinha... O Profeta anuncia o definhar da Vinha; Nosso Senhor, porém anuncia a transferência do cuidado da Vinha para um povo que produza os frutos esperados por Deus Pai. Esta Vinha agora é a Igreja que o Senhor fundou Una, Santa, Católica e Apostólica que, antes de ser nossa, é dEle! A nós foi dada, para nela estando, produzirmos os frutos esperados por seu único proprietário: Deus, nosso Pai.

Isto nos leva à mesma responsabilidade do Povo de Israel: produzir frutos da vinha, uvas boas e não frutos amargos. Que frutos bons são esses?

 

São Paulo resume-nos dizendo: “Quanto ao resto, irmãos, tudo o que é verdadeiro e nobre, tudo o que é justo e puro, tudo o que é amável e de boa reputação, tudo o que é virtude e digno de louvor é o que deveis ter no pensamento. O que aprendestes, recebestes e vistes em mim é o que deveis praticar”.

 

Mas muitos se perguntam: mas de que jeito?

 

Retornamos ao início. O segredo de agradar a Deus. Celebramos no início do mês a memória de Santa Terezinha do Menino Jesus. Ela nos ajuda a enxergar o que São Paulo põe diante de nós. Ela buscou durante muito tempo o seu lugar na Igreja. Desejava agradar a Deus e a servi-lo da melhor forma, mas como nos diz no seu “História de uma Alma”, não conseguia encontrar: queria ser homem, para ser sacerdote, missionário, lutar nas cruzadas. Nada do que podia, pois era mulher e freira. Sofria com tudo isto até encontrar-se com um texto de São Paulo, o Hino à Caridade, o capítulo 13 da I Epístola aos Coríntios. Coisa tão simples que sua sensibilidade lhe ajudou a compreender: "Compreendi que a Igreja tinha um corpo, composto de diferentes membros, e não lhe faltava o membro mais nobre e mais necessário. Compreendi que a Igreja tinha um coração, e que este coração ardia de amor. Compreendi que só o amor fazia os membros da Igreja agirem, que se o amor viesse a se apagar, os Apóstolos não anunciariam mais o Evangelho, os Mártires se recusariam a derramar seu sangue..." Chega a ser comovente. São palavras simples, mas que brotaram de um coração sincero que desejava amar e servir a Deus e à Igreja da melhor forma que pudesse. Iniciou assim sua pequena via, ou o caminho simples. Dedicou toda a sua vida à fidelidade e ao amor nas atividades diárias, tudo realizando por amor ao Senhor que tinha sempre na mente, no coração e no que fazia. Cumpriu do seu modo o que São Paulo hoje nos disse. Produziu frutos bons! Conseguiu ser tudo o que queria na clausura, oferecendo tudo pelos Sacerdotes e Missionários que anunciavam Aquele a quem amava e, por isso, foi proclamada principal padroeira das missões em 1927, pelo Papa Pio XI; padroeira secundária da França em 1944, e Doutora da Igreja, pelo Papa e Beato João Paulo II em 1997, na data do seu centenário. Tudo isso nos ensina o caminho da santidade pela humildade. Ela mesma testemunha que a primeira palavra que leu sozinha foi: “céus”; agora a última, na sua entrada nesta morada foi: “meu Deus, eu vos amo...eu vos amo”. Amemos também a Deus de verdade e em nossas ações de cada dia,  sem romantismo ou sentimentalismo infértil, mas com obras e com o vigor que a jovem Teresinha nos descobre, e cada qual ofereça também suas boas ações, “tudo o que é justo e puro, tudo o que é amável e de boa reputação, tudo o que é virtude e digno de louvor”.

 

E como diz a outra Teresa, a de Jesus, antes de Teresinha, “obras é que são amores”. É este o segredo de uma vida cristã e está ao alcance de todos se, quais ramos, permanecermos unidos a Cristo Videira na Vinha do Senhor, a Sua Igreja que foi dada a nós para que nela produzamos uvas boas e doces e não frutos amargos. Como Santa Terezinha e ouvindo São Paulo “em todas as circunstâncias, apresentai os vossos pedidos diante de Deus, com orações, súplicas e ações de graças. E a paz de Deus, que está acima de toda a inteligência, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus”. Paz que nós somos capazes de ter se não esquecermos de que Deus nos ama e aguarda sempre que o amemos de volta! Repitamos com Santa Terezinha suas últimas palavras neste mundo partindo para o Céu: “meu Deus, eu vos amo...eu vos amo”. Amém!

 

Autor: Prof. Pe. Mestre Samuel Pereira Viana Nascido em Duque de Caxias (RJ) e Ordenado Presbítero na Diocese de Santo Amaro. Mestre em Teologia Dogmática pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma.

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