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O CONCEITO DE FIDELIDADE NA BÍBLIA

26.10.2017

Foto: Pixaby

 

Desde os tempos remotos da humanidade é possível falar de Fidelidade no sentido que esta é a habilidade, o poder ou a virtude para cumprir as promessas ou pactos feitos num grupo de pessoas visando o bem comum. Portanto, é também, a capacidade de não enganar e não trair.  Então a Fidelidade também é uma observância rigorosa da verdade, isto é, um cumprimento rigoroso do compromisso assumido anteriormente, seja por si próprio ou por antecessores, neste sentido a Fidelidade é passada também de geração em geração.

 

É chamado de fiel a pessoa que cumpre a fidelidade, isto quer dizer que fiel é um adjetivo que significa leal, sincero e íntegro; é aquele que age com Fidelidade e que cumpre às suas promessas. Fiel é aquele que não muda seu comportamento poia é firme, constante e perseverante naquilo que assumiu como compromisso.

 

NO ANTIGO TESTAMENTO

A Fidelidade no Antigo Testamento aparece como uma característica brilhantemente no relacionamento de Deus com seu povo Israel, ao qual ele enfatiza: “Assim saberás que o Senhor teu Deus é Deus, um Deus fiel: aos que o amam e guardam seus mandamentos, lhes mantém sua aliança e seu favor por mil gerações” (Dt 7.9), esse princípio de retribuição introduz condições para que a resposta humana retorne para Deus em forma de fidelidade. Essa Fidelidade é expressada através da palavra hebraica: emunah, cuja raiz significa autenticidade, confiabilidade, constância, honestidade, segurança ou firmeza. O conceito às vezes é bem ilustrado pela metáfora da "rocha" (Dt 32.4, Sl 18: 2, Is 17:10).

 

Dos textos bíblicos segue-se que nada e ninguém podem anular os propósitos e promessas de Deus, fundamentados na solenidade de uma aliança inquebrável. Em seu tempo, Deus assegurou-lhe pelo profeta: “Ainda que os montes se retirem e vacilem as colinas, não retirarei de ti a lealdade, nem minha aliança de paz vacilará – diz o Senhor, que te ama” (Is 54:10). Mesmo as infidelidades de seu povo não podem reverter o que prometeu. Isso se tornou evidente na história de Israel.

 

Sem dúvida, a Fidelidade de Deus foi a melhor garantia de salvação para o povo de israel. Pois tudo o que ele prometeu foi plenamente realizado. E isso não em virtude dos méritos ou das obras dos israelitas, mas pela graça imerecida do Todo-Poderoso (Dt 7. 6-8, Dt 8.17-18). A apostasia e os muitos pecados de Israel atraíram julgamentos sérios, mas não extinguiram a misericórdia e a Fidelidade do Altíssimo. Depois das inumeráveis correções do plano divino de salvação, as pessoas sempre experimentaram sua ajuda. Assim, pode ser visto no cativeiro judaico na Babilônia e na restauração posterior. Israel tinha sido infiel; mas Deus permaneceu fiel. E ele permanecerá fiel até o fim do mundo (Is 40.8).

 

Fazendo um percorrido rápido por alguns eventos do Antigo Testamento é possível ver que a Fidelidade faz parte da história de salvação e, portanto, do plano divino que Deus traçou para a humanidade.  É possível que numa época em que a humanidade estava totalmente corrompida e infiel, surgiu Noé, um homem com sua família, que optou por ser fiel, justo, e temente a Deus, totalmente antagônico às demais pessoas. Recebeu a devida recompensa por isto, sendo salvo junto com sua família, da exterminação diluviana (Gn 6.8,9,22).

 

Mais tarde, aparece Abraão que não se apegou a tudo aquilo quanto possuía em sua terra natal, os valores que ele atribuía aos bens materiais e até mesmo às pessoas de sua família, bem como àquelas com as quais ele mantinha um relacionamento comercial; nada disso foi mais importante para ele do que obedecer à Deus em seu chamado. Deste modo, Abraão alcançou a graça de Deus em sua vida, sendo-lhe fiel, e tornando-se digno do amor e a Fidelidade de Deus.

 

Moisés é um outro exemplo de servo fiel, mesmo sentindo-se incapaz para a obra de libertação da escravidão dos hebreus no Egito, obedeceu aos desígnios divinos para sua vida. Pois, entendeu que na realidade tudo que Deus quer do homem é sua Fidelidade à Ele, as demais coisas Ele faz conforme seu magnânimo poder e soberania (Gn 3.10-4.17).

 

Israel foi o povo escolhido para mostrar e revelar a presencia de Deus diante das demais nações para que estas se converterem a Deus, e através daquilo que ocorreria na história de Israel, deveria expressar ao mundo a Fidelidade à Deus. O que ocorreu na história hebreia foi o contrário, o povo se contaminou com as práticas pecaminosas das outras nações, serviu a outros deuses, e fez tudo aquilo que Deus severamente lhes ordenara que não fizessem. Foram infiéis, e a consequência disto foi muito sofrimento, escravidões, guerras, enfermidades e maldições que recaíram sobre a nação de Israel. E quando se arrependiam de seus males, o grande amor de Deus os reconduzia ao estado de nação tutelada por Deus.

 

NO NOVO TESTAMENTO

No Novo Testamento é comum encontrar a palavra pisto para falar de Fiel, no sentido de confiável (confiança, firme, seguro, sólido); também o derivado pisteuo para significar acreditar, ser fiel. Nesse sentido a Fidelidade é permanecer, ser firme no que foi iniciado; a Fidelidade é a Fidelidade a todo custo. Por outro lado, o termo pistós (fiel) é etimologicamente relacionado à pístis (fé ou confiança).

 

Para Paulo, por exemplo, (Rm 3: 3-4) é central o tema da fidelidade, articulado sobre formas da raiz grega pist = confiar, ser fiel/infiel. Deus confiou ao povo israelita seus oráculos, sua revelação (Hb 5.12) Quem confie algo a outrem confia nele, se fia nele (Nm 12.7). Se este é infiel e trai a confiança, nem por isso quem lhe demostrou confiança é infiel. Pois bem, Deus é fiel (Ex 34.6 e Dt 7.9); é o homem que não merece a confiança (Sl 116.11). Na Epístola aos Gálatas, Paulo utilizou esse mesmo termo grego para se referir a uma das virtudes do fruto do Espírito Santo (Gl 5.22). Então, como um aspecto do fruto do Espírito, a palavra Fidelidade se refere, principalmente, a Fidelidade a Deus e ao Evangelho, e, consequentemente, a lealdade de uns para com os outros.

 

Dessa forma, é fácil entender que a Fidelidade é um dos atributos morais de Deus, de modo que tudo que provém de Deus é verdadeiro e infalivelmente confiável (Hb 10.23). Pois a Fidelidade como uma qualidade de Deus, está também ligada a outro de seus atributos: a imutabilidade. Deus é imutável, ou seja, Ele é sempre o mesmo (Ml 3.6; Hb 13.8). Se Deus é imutável então sua Fidelidade encoraja e conforta os homens para confiar que suas promessas nunca falharão, e que sua aliança é inviolável porque Deus permanece sempre fiel (Dt 7.9; Ml 3.16; 2Tm 2.13).

 

A imutabilidade de Deus é um de seus atributos incomunicáveis, ou seja, um atributo que Ele não compartilha ou transmite a ninguém, mas a fidelidade, como uma qualidade do caráter divino, pode ser refletida na conduta daqueles que são guiados pelo Espírito, não por seus próprios méritos, mas porque o Espírito Santo produz neles a virtude da Fidelidade (Gl 5.22).

 

Como resultado disso, esses homens de fé possuem conduta exemplar, são confiáveis, defendem o que é correto e justo, e demonstram uma lealdade tal para com a causa do reino de Deus que, se necessário, enfrentam até mesmo o martírio (Ap 2.10). Essas pessoas compreendem que o fortalecimento que precisam para perseverarem e vencerem as mais duras aflições dessa vida está fundamentado na Fidelidade do Senhor, que é fiel para perdoar os pecados e purificar da injustiça (1Co 10.13; 1Ts 5.24; 1Jo 1.9; 1Pe 4.19).

No Novo Testamento Jesus assume o lugar do servo fiel, pois é a palavra de Deus que se fez carne para cumprir a escritura e a obra do seu Pai (Mc 10.45; Lc 24.44; Jo 19.28), pois Nele estão a salvação e a glória dos eleitos (2Tm 2.10).  Por outro lado, é utilizado o título de “fie” para designar os discípulos de Cristo, para aqueles que têm fé nele (At 10.45; 2Cor 6.15; Ef 1.1).

 

Na nova aliança, essa Fidelidade tem uma alma, que é amor, pois a Fidelidade é a prova do amor autêntico. Jesus insiste nesse ponto: “Permanecei no meu amor. Se cumprirem meus mandamentos, permaneceis no meu amor; assim como eu cumpro os mandamentos do meu Pai e permaneço em seu amor” (Jo 15.9, 14, 21, 21, 23). João, fiel à lição de Cristo, inculca aos seus "filhos" convidando-os a "caminhar na verdade", isto é, em Fidelidade ao mandamento do amor mútuo (2Jn 4s); mas ele acrescenta de uma só vez: “O amor consiste em caminhar segundo os seus mandamentos” (2Jn 6). Para esta Fidelidade é reservada a recompensa de ter uma participação na alegria do Senhor (Mt 25,21,23; Jn 15,11). Mas essa Fidelidade exige uma luta contra o tentador, o maligno, que exige vigilância e oração (Mt 6.13; 26.41; 1Pe 5.8s).

 

CONCLUSÃO

A Fidelidade segundo da Bíblia é o cumprimento pleno de tudo quanto foi estabelecido na aliança, firmada entre Deus e a humanidade. Para isto, Deus estabeleceu normas ou leis que norteariam o comportamento humano, no individual e no coletivo. Tais normas ou leis devem ser integralmente cumpridos para manter a plena manutenção do pacto firmado. A violação de uma só norma ou lei implica em violação do pacto e a consequentemente a quebra da aliança firmada entre Deus e os homens.

 

Fidelidade é uma das características de Deus, e significa que Deus não desiste, não vira as costas, não abandona seus filhos. Deus também espera que os seus filhos expressem Fidelidade em relação a Ele. Por tanto, a Fidelidade é uma constância na relação de Deus com o homem, e os homens deve responder sendo fies ao plano de salvação, isto é, seguindo os mandamentos firmados na aliança.

 

Pois, a Fidelidade emet, é o maior atributo de Deus (Ex 34.6), muitas vezes está associado à sua bondade paterna Hesed para o povo da aliança. Esses dois atributos complementares indicam que a aliança é tanto um presente livre, quanto um vínculo, cuja força resiste à prova dos séculos e, portanto, se estende até os dias atuais. São duas atitudes, que resumem os caminhos de Deus (Sl 25,10), o homem deve responder seguindo este caminho de fidelidade, observando os preceitos da aliança para alcançar a salvação plena que Jesus veio mostrar para todos.

 

A Fidelidade é o a consequência da vivencia do amor de Deus no coração do ser humano, que decidiu se abrir para viver a aliança feita por Deus com a humanidade.

 

Bibliografia Consultada

1 – A Bíblia do Peregrino.

2 – Chave Bíblica.

3 – Harris, R. Laird, Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento.

4 – Smith, Ralph L., Teologia do Antigo Testamento.

5 – Gonzáles, Justo L. Diccinario Manual Teológico,

6 – Martín A. (1969) Teología de la Esperanza, Respuesta a la Angustia Existencia.

7 – Comentario al Nuevo Testamento, William Barclay. 1999 por CLIE para la versión española. Publicado originalmente en 1970 y actualizado en 1991 por The Saint Andrew Press, Escocia.

 

 

 

 

Elías Nova Nova

Diplomado em Teologia – Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia – FAJE | Minas Gerais, Brasil (2002)

Licenciatura Plena em Filosofia e Letras – Universidade de Santo Tomás de Aquino | Bogotá, Colômbia (1996)

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