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Papa: rezar pelas crianças vítimas do aborto, da fome e do recrutamento forçado

29.12.2017

 

No tweet publicado na Festa dos Santos Inocentes Mártires, o Papa Francisco recordou três dramas que atingem milhões de crianças em todo o mundo

 

“Rezemos hoje pelas crianças impedidas de nascer, que choram por causa da fome, que não têm nas mãos brinquedos, mas armas.”

 

O tweet do Papa Francisco neste 28 de dezembro – Festa dos  Santos Inocentes Mártires – fala de três chagas que afligem milhões de crianças em todo o mundo: o aborto, a fome e as crianças-soldado.

 

O aborto

“Quero reiterar com todas as minhas forças – disse o Papa na Carta Apostólica “Misericordia et misera” - que o aborto é um grave pecado, porque põe fim a uma vida inocente; mas, com igual força, posso e devo afirmar que não existe algum pecado que a misericórdia de Deus não possa alcançar e destruir, quando encontra um coração arrependido que pede para se reconciliar com o Pai.”

 

O aborto é um genocídio silencioso, filho daquela que o Santo Padre definiu várias vezes como “cultura do descarte”.

 

Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde, a cada ano são cometidos mais de 56 milhões de abortos, ou seja, cerca de 153 mil a cada dia.

 

Dirigindo-se em 15 de novembro de 2014 aos participantes do Congresso da Associação dos médicos católicos italianos por ocasião dos 70 anos de fundação, o Pontífice recordou em particular o ensinamento do Magistério da Igreja no campo médico-moral:

 

“O pensamento dominante propõe por vezes uma «falsa compaixão», que considera uma ajuda para a mulher favorecer o aborto, um ato de dignidade proporcionar a eutanásia, uma conquista científica «produzir» um filho considerado um direito em vez de o acolher como dom; ou usar vidas humanas como cobaias de laboratório presumivelmente para salvar outras. Ao contrário, a compaixão evangélica é aquela que acompanha no momento da necessidade, ou seja, do Bom Samaritano, que «vê», «tem compaixão», se aproxima e oferece ajuda concreta (cf. Lc 10, 33)”. 

 

A fome

Outra chaga que atinge milhões de crianças é a fome. Segundo a organização humanitária “Save the Children”, 3 milhões de menores morrem a cada ano antes de completar 5 anos, por falta de comida e de comida adequada.

 

Diante deste trágico cenário – afirmou em diversas ocasiões o Papa – não se pode ficar indiferentes.

Dirigindo-se em 3 de outubro de 2015 aos participantes do encontro promovido pelo Banco Alimentar, o Santo Padre sublinhou que se deve “constrastar o desperdício de alimento, recuperá-lo e distribuí-lo” às pessoas indigentes. A fome – acrescenta – é uma injustiça:

 

“Atualmente, a fome assumiu as dimensões de um verdadeiro «escândalo» que ameaça a vida e a dignidade de muitas pessoas — homens, mulheres, crianças e idosos. Todos os dias devemos confrontar-nos com esta injustiça, permito-me dizer mais, com este pecado; num mundo rico de recursos alimentares, graças também aos enormes progressos tecnológicos, são demasiados os que não têm o necessário para sobreviver; e não só nos países pobres, mas cada vez mais também nas sociedades ricas e desenvolvidas”.

 

Crianças-soldado

O terceiro vil fenômeno recordado no tweet do Papa Francisco é o das crianças-soldado.

 

Segundo estimativas recentes do Unicef, são mais de 250 mil as crianças usadas nos conflitos em todo o mundo. A África é o continente onde este drama é mais difundido.

 

Particularmente tocante foi o encontro do Papa Francisco com os jovens em Uganda durante a Viagem Apostólica em novembro de 2015.

 

Naquela ocasião, o Papa comoveu-se ao ouvir o testemunho de um jovem obrigado a tornar-se um soldado quando ainda criança.

 

A ele e a todos dos jovens vítimas desta terrível chaga, o Pontífice  dirigiu palavras de proximidade e encorajamento, convidando-os a vencer o ódio com o amor.

 

“Deus – disse Francisco – é mais forte do que qualquer campanha de recrutamento”.

Na videomensagem com as intenções de oração de dezembro de 2016, o Santo Padre havia pedido: “Fazer todo o possível para que a dignidade das crianças seja respeitada e colocar fim à toda forma de escravidão”.

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