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Férias

17.01.2018

 

Muitas pessoas, nesta época do ano, têm a oportunidade de fazer as suas merecidas férias. Interromper a rotina de trabalho, de estudos e de outras atividades é salutar. Porém, férias não significa fazer nada, mas fazer coisas diferentes que o cotidiano nos obriga a fazer apressadamente. Planejar e vivenciar estes breves dias é necessário para alcançar os objetivos. O que fazer nas férias? Não existe um caminho único, pelo simples fato das pessoas exerceram atividades diferentes, terem habilidades e gostos diferentes.

 

Talvez a primeira descoberta a ser feita é o que me faz descansar? Do que devo abrir mão para distanciar-me daquilo que faço cotidianamente? Pois, mesmo mudando de ritmo ou indo em outros lugares, posso levar o trabalho comigo.

 

As férias são uma oportunidade para vivenciar o silêncio. Em certas circunstâncias, principalmente para recordar falecidos, se faz o minuto de silêncio. Não se diz nada, não se faz nada, mas pode constituir-se um momento forte. Não se trata de um silêncio vivido somente como um vazio, como uma ausência de rumores e de palavras. O que vale é a qualidade de silêncio, nesse caso qualidade de presença de escuta, grande concentração. Ouvir-se a si mesmo. Propor o silêncio é uma arte que pede muito cuidado e necessita ser preparado para não tornar-se insignificante e cansativo ou reduzir-se a um vazio e a uma ausência momentânea de rumor. O silêncio é, antes de tudo, uma qualidade de presença, de encontro consigo mesmo.

 

As férias também possibilitam uma convivência mais prolongada com a família e os amigos. Estar presente, ser presença é a prioridade. É uma escolha consciente. Administrar a presença onipresente dos diferentes meios de comunicação virtuais na convivência exige bom senso e sabedoria. A qualquer momento alguém de fora pode invadir e interferir a intimidade familiar gerando distanciamento ou indiferença.

 

É uma oportunidade de melhorar a capacidade de comunicação e de amar as pessoas próximas. Relações se constroem e melhoram com uma comunicação mais sincera, profunda e confiante. A falta dela rompe amizades, separa famílias e impede de resolver conflitos. A palavra se torna um instrumento para a realização do encontro das pessoas gerando a unidade, pois a palavra é criadora.

 

Para quem gosta de ler, lembro-me de uma recomendação dada por um professor quando iniciei a faculdade de filosofia. Recomendava-nos que não lêssemos somente livros de filosofia, mas das mais diferentes áreas. Ler algo diferente da área profissional amplia o horizonte daquele mundo que nos ocupa todo ano.

 

Tempo de férias é tempo propício para cultivar a espiritualidade. Para o cristão a espiritualidade é aproximar-se de Deus. Comungar com o Seu modo de pensar o mundo e as pessoas. É compartilhar os mesmos sentimentos de misericórdia, de solidariedade, de justiça e fraternidade. É ter compaixão com a dor alheia. É colocar-se em oração e diálogo de amor. É abrir-se ao espírito divino. É tomar consciência que somos mais que matéria finita. É dar tempo para estar com Deus.

 

Autor: Dom Rodolfo Luís Weber

Arcebispo de Passo Fundo

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