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A dor do Papa pela tragédia das crianças-soldado

14.02.2018

 

O Papa Francisco recorda em um tuíte este drama que atinge 250 mil crianças no mundo.

Giada Aquilino e Jackson Erpen - Cidade do Vaticano

 

“É forte a dor que sinto pelas muitas crianças arrancadas de suas famílias para serem usadas como soldados. Isso é uma tragédia!”.

 

Esta é a mensagem do Papa Francisco publicada em sua conta twitter neste Dia Internacional contra o Uso de Crianças-Soldado, recorrência que marca a entrada em vigor em 12  de fevereiro de 2002, do Protocolo opcional à Convenção sobre direitos da Infância.

 

Segundo dados da ONU, ao menos 250 mil crianças lutam em diversos conflitos armados em todo o mundo.

 

Precedentes apelos do Papa

A voz do Pontífice levantou-se em diversas oportunidades contra esta chaga. No discurso ao membros do Corpo Diplomático acreditado junto à Santa Sé no início de 2014, o Papa Francisco recordou como causa “horror” o simples pensar sobre a existência de crianças que ainda hoje são utilizadas como soldados, por forças regulares ou irregulares que sejam.

Na videomensagem com as intenções de oração para o mês de dezembro de 2016, assim como em um tuíte em 2017, Francisco exortou a  se “fazer todo o possível” para que seja respeitada a dignidade das crianças e para se colocar fim a tal “forma de escravidão”.

 

Esta chaga segundo “Terre des Hommes”

Infelizmente nos últimos anos, “com o multiplicar-se das guerras irregulares, de guerrilhas, com os novos fenômenos do terrorismo e com o prolongar-se de todos estes conflitos, o número de crianças-soldado – e falamos de crianças, com 11,12, 13 anos – começou a aumentar”, explica Raffaele Salinari, presidente da organização “Terre des Hommes” Itália, que há anos faz parte da coalização internacional “Stop Child Soldiers”.

 

Crianças-soldado no mundo

Os países mais atingidos pelo fenômeno são os africanos: “a África central e agora, nos últimos anos, também a África Subsaariana”, precisa Salinari, explicando porém tratar-se de “um fenômeno que sempre teve também uma forte incidência na América Latina, nas guerrilhas latino-americanas, que arrefeceram nos últimos anos, como por exemplo as Farc, na Colômbia”.

 

O fenômeno permanece também no “sudeste asiático, por exemplo, nas Filipinas, no Sri Lanka e em algumas partes na fronteira entre a Índia e Paquistão”.

 

Os usos e a violência

As Nações Unidas explicam que estas crianças são empregadas como combatentes, mensageiros, espiões, cozinheiros; e as jovens, em particular, são obrigadas a prestar serviços sexuais, o que as privando de seus direitos à infância.

 

“Devemos dizer – prossegue o presidente de Terre des Hommes Italia – que se trata, de fato, de crianças”, pequenos “usados” como “verdadeiros soldados, que são enviados às batalhas”.

 

Hoje, “as armas mais comuns – e falamos de Ak47, de Kalashnikov – foram readaptadas para serem usadas também por crianças de 12, 13, 14 anos”.

 

Depois são destinados à logística: “a criança é veloz, é aquela que menos se percebe, que pode transportar armas de um lugar a outro na fronteira”, observa Salinari.

 

Por fim, um emprego “ao qual seguidamente são destinadas as meninas”, é o “da tropa: não somente para trabalhos mais humildes, mas também para prostituição infantil”.

 

O esforço do Papa, com crentes e não-crentes

Uma verdadeira tragédia, não hesita o Papa Francisco em definir o fenômeno.

Raffaele Salinari explica que a voz do Pontífice “é uma voz de grande testemunho”, que deve levar “crentes e não crentes”, antes de tudo, “a ocuparem-se da obra de desmobilização destas crianças”, procurando “levar a paz e assim evitar que os exércitos, especialmente os irregulares, recrutem os pequenos”.

 

Uma vez realizada a desmobilização – sublinha ele – “a criança tem necessidade de um longo período de reintegração” e “de ser ouvida”.

 

Portanto, é necessário “que os seus talentos e as suas capacidades tenham uma alteração de sinal: uma criança que pode utilizar uma arma é também uma criança que pode tornar-se um bravo mecânico; uma criança que tem certa noção de território é – conclui – também uma criança que pode se tornar um líder de comunidade”.

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