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Você vai votar?

14.08.2018

 

A pergunta é pertinente dentro do clima político dos últimos tempos no Brasil. Muitos estão dizendo que não vão votar, ou anular seu voto, porque estão insatisfeitos com a atuação dos nossos atuais políticos. Há uma generalizada desconfiança em relação ao que dizem nas campanhas eleitorais. Dizem, prometem, e não fazem. Parece que há uma perfeita tapeação da relação deles com os eleitores.

 

Realmente não é fácil votar bem. Aliás, nem sabemos o que significa votar bem. Os candidatos não têm estrela na testa. Têm sim um currículo de vida que deve ser observado com mais atenção. Acontece que são os mesmos de sempre que aparecem, porque veem a gestão política como um cabide de emprego e de poder. Não enxergam o bem comum como alvo principal da coisa pública.

 

Deixar de votar não é o caminho melhor para a vida do país, porque significa fugir da responsabilidade social e do compromisso com o bem das pessoas. É necessário fazer uma investigação na vida dos candidatos para identificar se são autênticos na vida real. Qualquer deslize de conduta que apresentam em relação à prática da justiça e da honestidade na vida comum, não merecem nosso voto.

 

Na 55ª Assembleia Geral da CNBB foi dito que “o Estado democrático de direito, reconquistado com intensa participação popular após o regime de exceção, corre riscos na medida em que crescem o descrédito e o desencanto com a política e com os Poderes da República cuja prática tem demonstrado enorme distanciamento das aspirações de grande parte da população”.

 

Se as pessoas não conseguem sentir o valor e o peso de um voto na escolha de um candidato para a vida pública, significa que não conseguimos ainda construir uma democracia verdadeiramente participativa. O processo de politização está tão fragilizado chegando a um “fisiologismo político que leva a barganhas sem escrúpulos, com graves consequências para o bem do povo brasileiro” (CNBB).

 

Ao bem da verdade, a força está realmente nas mãos do povo. Podemos varrer do cenário privilegiado de conforto, usando uma linguagem popular, aqueles que vivem “mamando nas tetas” do Estado brasileiro. Muitos dos políticos fazem isso sem merecimento, porque contribuem quase nada para a edificação de uma Nação sólida e comprometida com o bem de seu povo. Votemos conscientes.

 

Autor: Dom Paulo Mendes Peixoto

Arcebispo de Uberaba

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