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Homilia: Assunção da Virgem Maria

18.08.2018

 

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

 

Irmãos e irmãs, Deus na sua misteriosa Providência não nos abandona nunca; é sempre é fiel às suas promessas e a Si mesmo. Como nos diz São Paulo, isto Ele o faz, mesmo quando lhe somos infiéis, pois Ele não Se contradiz. O Amor não é nunca contraditório! Os Ct nos trazem a este respeito belíssimas expressões:  “o amor é forte como a morte” (Ct 8, 6) e “As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam”(Ct 8,7). Isto se ajusta à perfeição o que estamos hoje celebrando.

 

Tudo quanto Deus faz, desde a Criação à Redenção, tem este único objetivo: acolher-nos na vida eterna e feliz, junto de Si. Não só é o objetivo final, mas também ação no presente. As divinas promessas não são uma realidade a ser alcançada somente depois de vencida a morte, última inimiga; em Cristo Jesus, ela já foi vencida! A comunicação de Deus a nós e a nossa participação a tal vitória já se dá no acolhimento da fé e a partir do Batismo, mesmo que isto não seja ainda de forma completa e perfeita. Dizer ainda não, não significa dizer que aquilo que já experimentamos de tal vitória, coisa verdadeira não seja. O é, e isto de modo simples e cotidiano, que para ser experimentado exige a luz da fé. É ela que nos eleva para além dos limites dos sentidos naturais. Ela completa o que nos falta. Todavia, ainda isto não é toda a realidade.

 

Se vida feliz e eterna que nos quer dar o Senhor, nos é possível quando, prontos à batalha contra o mal, em nós e no mundo, a empreendemos certos de que Deus é Deus e tudo lhe é abaixo, mesmo que, por sua Misericórdia e paciência, assim não pareça ser.

 

Os textos que ouvimos hoje nos mostram o mistério desta relação de amor que quer Deus estabelecer conosco a que está Ele sempre disposto por isso. A assunção da Virgem já é nossa vitória! Nela, uma de nós, o Senhor realiza aquilo que quer para todos. A Virgem por Ele elevada aos Céus em corpo e alma, o faz como realização perfeitíssima de tal relação amorosa. Por Deus tendo sido preservada do pecado pela imaculada conceição, pela assunção, por ela, Deus nos mostra o caminho para também vencermos com Cristo.

 

A luta à qual somos chamados, pessoal e comunitariamente, é descrita com cores fortes no Apocalipse, cuja leitura ouvimos. Entretanto, o que ali vemos é um embate que se dá na perspectiva de Deus: “um grande sinal apareceu no Céu” e depois o outro sinal contrário, o dragão ou o diabo que trava luta com a Virgem. Tal luta é descrita deste modo para que não temamos. Como nos diz São Paulo “Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou” (Rm 8, 37). Estas coisas são as durezas de uma batalha que não é fácil. Tudo isto continua na história da Igreja e no mundo, como presenciamos a cada dia: as investidas do mal contra a descendência da Mulher. Notem que o Dragão pára diante da Mulher; sabe que nada pode contra ela; quer devorar-lhe o Filho. Isto, porque o Senhor assumiu nossa condição sujeita ao pecado; foi solidário com cada um de nós e, na nossa condição, superou o que Adão não foi capaz: resistir à voz do da antiga serpente ou do Dragão. Mas Deus lhe tinha preparado um lugar no deserto, lugar do encontro com Deus. Se as “águas do mar da vida” são símbolo do mal; o deserto é lugar da tentação, mas muito mais o lugar do encontro e da proteção de Deus!

 

Tudo isto dá-se na Virgem que vence também o mal, ao contrário da velha Eva. Acolheu o Senhor, porque creu; porque creu, tornou-se Mãe Virgem! Tal dignidade se extravasou. Ela ostentou tal grandeza escondendo-a e subindo às montanhas, não para afastar-se da sua e nossa condição, mas para abaixar-se e  se colocar a serviço de sua prima Isabel. Tudo isto fez, como consequência da relação de amor que firmou ao crer nas palavras do Anjo Gabriel, que são palavras de Deus. O encontro foi um suave encontro do Amante que se aproxima da amada, através de um embaixador, querendo ser acolhido. Assim Deus se aproxima de nós através da Igreja. Quer nos seduzir, fazer-nos enamorados Dele para nunca nos abandonar, até que se realize a profecia do Apocalipse: até que seja tudo em todos.

 

O prêmio desta luta, nós contemplamos com os Anjos maravilhados, na Assunção da Virgem. Ela, “terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial” (“Munificentissimus Deus”, 01-11-1950).

 

Irmãos, o que nela celebramos, é aquilo que quer o Senhor realizar também em nós. Do mesmo modo que a Virgem enamorada de Deus, a seu Filho acolheu, pela ação do Espírito Santo, quer Ele também para todos nós. Mas como suave Amante, Ele não nos violenta, é gentil. Nada nos promete que Ele próprio já não nos tenha, em Seu Filho e na Virgem, por nós realizado. Ele se oferece e nos convida a entrar em seus aposentos reais para nos alegrarmos, como o esposo que sai do seu quarto nupcial ou o herói a percorrer o seu caminho ( Sl 19, 05).

 

Que a Virgem Assunta aos Céus continue sempre a sua missão, agora do Céu, a interceder pelos que o Senhor, do alto da Cruz Bendita lhe confiou: nós, os irmãos do Senhor e Deus Jesus Cristo, feitos assim pelo Batismo. Lembremo-nos sempre da Parábola das virgens: “Mas à meia-noite ouviu-se um clamor: Aí vem o esposo, saí-lhe ao encontro” (Mt 25, 6) e, no término da Missa, renovemos a nossa consagração à Virgem e que esta solenidade reacenda em nós com mais vigor o desejo do Céu, para estarmos com a Mãe de Deus, Mãe da Igreja e nossa Mãe. Amém!

 

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

 

Autor: Prof. Pe. Mestre Samuel Pereira Viana Nascido em Duque de Caxias (RJ) e Ordenado Presbítero na Diocese de Santo Amaro. Mestre em Teologia Dogmática pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma.

Pároco: Paróquia São José (2008- atualmente)

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