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Peregrinação a Meca chega a ponto culminante no Monte Arafat

21.08.2018

 

 

Segundo a tradição muçulmana, foi no Monte Arafat que o profeta Maomé fez o sermão de despedida

 

Mais de 2 milhões de muçulmanos pediram nesta segunda-feira clemência a Deus no Monte Arafat, perto de Meca, Arábia Saudita, em um dos momentos culminantes de sua peregrinação.

 

Com as mãos para o alto, cada peregrino repetiu “Allahu Akbar” (“Deus é grande”, em árabe) antes de declarar solenemente que “o único Deus é Alá”.

 

“É um sentimento indescritível”, afirmou Oum Ahamd, egípcio de 61 anos que percorre o “hajj” (“a grande peregrinação”) após a aposentadoria.

 

“É um lugar sagrado para todos os muçulmanos e provoca um sentimento maravilhoso”, disse Jai Salim.

 

Também conhecida como Montanha da Misericórdia, esta famosa colina, cercada por outras montanhas, recebeu dezenas de milhares de peregrinos nesta segunda-feira, um dia após o início da peregrinação em Meca.

 

Segundo a tradição muçulmana, foi no Monte Arafat que o profeta Maomé fez o sermão de despedida aos muçulmanos que o acompanharam em sua última peregrinação antes da morte.

 

Dezenas de fiéis, vestidos com túnicas brancas, inciaram a caminhada no domingo à noite. Alguns acompanhavam parentes em cadeiras de rodas e muitos carregavam água para o longo trajeto.

 

Ao lado de um painel com a frase, em inglês, “Arafat começa aqui”, alguns trabalhadores recolhiam garrafas vazias do chão.

 

Uma forte chuva atingiu a região de Meca no domingo à noite, mas não afetou a peregrinação, segundo as autoridades sauditas.

 

Nesta segunda-feira, muitos peregrinos se protegiam do calor com guarda-chuvas.

 

Os fiéis têm consciência da dificuldade em uma etapa essencial da peregrinação, que consiste em passar um dia com a temperatura acima de 40°C no Monte Arafat.

 

“Sabia que era difícil. Por este motivo, me preparei antes praticando esportes. E me preparei realmente para esta etapa. Se Deus quiser, resistiremos”, declarou Saidu Bureima, um peregrino nigeriano.

 

Após a passagem pelo Monte Arafat, os peregrinos seguirão para Mozdalifa para recolher pedras que serão usadas no apedrejamento das colunas que representam Satanás.

 

O hajj terminará oficialmente na terça-feira com a festa do sacrifício (Aid Al Adha).

 

Os peregrinos sacrificarão um animal para recordar o sacrifício de Abraão, que segundo a tradição muçulmana esteve a ponto de imolar o filho, mas no último momento o arcanjo Gabriel o mandou que o substituísse por um animal.

 

A peregrinação à Meca é um do cinco pilares do Islã que todo fiel deve cumprir pelo menos uma vez em sua vida se tiver meios para isso.

 

Desde 1987, centenas de pessoas morreram em tumultos ou confrontos entre policiais sauritas e peregrinos iranianos, que criticam os Estados Unidos e Israel.

 

As autoridades sauditas proíbem qualquer manifestação de caráter político durante a peregrinação.

 

Em 2015, o hajj teve um final trágico, quando um tumulto provocou 2.300 mortes, incluindo centenas de iranianos.

 

Após um ano de boicote, os iranianos retornaram à Meca em 2017 e este ano 86.000 cidadãos do país devem participar na peregrinação.

 

As autoridades sauditas informaram que quase 2,4 milhões de pessoas participam no hajj este ano.

 

(AFP)

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