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Aparecida: grito de solidariedade em defesa dos direitos dos trabalhadores


Terceiro dia de Assembleia Geral em Aparecida - RV


Aparecida – Nesta última sexta-feira, terceiro dia da Assembleia Geral dos Bispos do Brasil em Aparecida o dia começou, como de costume, com a Santa Missa no Santuário Nacional. Hoje a celebração foi presidida por Dom Luiz Soares Vieira, Arcebispo emérito de Manaus e concelebrada por diversos bispos eméritos.


Nesta manhã a reunião reservada dos bispos com o Núncio Apostólico no Brasil, Dom Giovanni D’Aniello.


O tema central dos trabalhos “Iniciação à Vida Cristã”, cuja elaboração ficou a cargo de uma comissão montada especialmente para sua elaboração volta ao plenário durante o dia. O texto final, depois de ser aprovado pelos bispos será assumido como um documento oficial da CNBB.


Mas esta sexta-feira é uma sexta-feira diferente para os brasileiros com manifestações em todo o país convocadas por movimentos sociais e sindicatos para pedir esclarecimentos a respeito de questões como da Previdência Social e a Reforma Trabalhista.


Na conclusão da celebração eucarística nesta manhã o Presidente da CNBB, o Arcebispo de Brasília, Cardeal Sérgio da Rocha, fez um apelo aos brasileiros que se manifestam no dia de hoje...


Os bispos reunidos em Aparecida também divulgaram uma nota para o Dia do Trabalhador, Dia 1º de maio. A nota foi lida pelo Secretário da CNBB, Dom Leonardo Steiner. A mensagem recorda que a CNBB reunida em Aparecida se une aos trabalhadores e às trabalhadoras, da cidade e do campo, por ocasião do dia 1º de maio. Brota do nosso coração de pastores um grito de solidariedade em defesa de seus direitos, particularmente dos 13 milhões de desempregados….


O trabalho é fundamental para a dignidade da pessoa, constitui uma dimensão da existência humana sobre a terra. Pelo trabalho, a pessoa participa da obra da criação, contribui para a construção de uma sociedade justa, tornando-se, assim, semelhante a Deus que trabalha sempre. O trabalhador não é mercadoria, por isso, não pode ser coisificado. Ele é sujeito e tem direito à justa remuneração, que não se mede apenas pelo custo da força de trabalho, mas também pelo direito à qualidade de vida digna.


Ao longo da nossa história, as lutas dos trabalhadores e trabalhadoras pela conquista de direitos contribuíram para a construção de uma nação com ideais republicanos e democráticos.


O dia do trabalhador e da trabalhadora é celebrado, neste ano de 2017, em meio a um ataque sistemático e ostensivo aos direitos conquistados, precarizando as condições de vida, enfraquecendo o Estado e absolutizando o Mercado. Diante disso, dizemos não ao “conceito economicista da sociedade, que procura o lucro egoísta, fora dos parâmetros da justiça social” (Papa Francisco, Audiência Geral, 1º. de maio de 2013).


Nessa lógica perversa do mercado, os Poderes Executivo e Legislativo reduzem o dever do Estado de mediar a relação entre capital e trabalho, e de garantir a proteção social. Exemplos disso são os Projetos de Lei 4302/98 (Lei das Terceirizações) e 6787/16 (Reforma Trabalhista), bem como a Proposta de Emenda à Constituição 287/16 (Reforma da Previdência). É inaceitável que decisões de tamanha incidência na vida das pessoas e que retiram direitos já conquistados, sejam aprovadas no Congresso Nacional, sem um amplo diálogo com a sociedade.

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