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O CONCEITO DE PECADO NA BÍBLIA

30.11.2017

 

Autor: Elías Nova Nova

 

 

Foto: Portal Católico

 

Este trabalho tem como objetivo dar algumas pinceladas, como faz um pintor quando está começando sua obra, sobre o conceito de pecado que existe na Bíblia. Para esse fim é necessário começar por dizer que os autores sagrados usaram muitas palavras, tanto em hebraico como em grego, para definir o conceito de pecado:

 

NO ANTIGO TESTAMENTO

Uma das primeiras palavras que apresenta a Bíblia é Hata que significa errar o alvo. E em grego é hamartano. É usada muito na época de batalhas e está ligada aos guerreiros de arco. A ideia que está por trás dessa palavra, é que o homem, ao errar o alvo, atinge outro lugar, o lugar errado. Portanto, essa palavra é usada para designar pecados morais, idolatria e pecados cerimoniais (Ex 20.20; Jz 20.16; Pv 8.36; 19.2).

 

A palavra Ra, que muitas vezes indica calamidade e frequentemente é traduzindo como mal ou algo perverso. Pode indicar, também, algo moralmente errado (Gn 3.5; 38.7; Jz 11.27). O texto de Isaías 45.7 é controverso quanto ao sentido entre calamidade e mal, cuja interpretação mais aceita é calamidade ou mal punitivo.

 

Pecha que significa rebelar, é usada no sentido de se tornar independente de quem o sustenta, de quem dá suporte e proteção, (1Rs 12.19; 2Rs 3.5;) também no sentido de transgredir ou revoltar contra seu progenitor ou ser que deu a sua origem. Ficar longe de Deus e perder seu Santo Espírito, perder a referência paternal do Senhor (Sl 51.13; Is 1.2).

 

Shagah no sentido de Errar ou extraviar-se de um preceito como uma ovelha perde de vista seu pastor (Is 28.7; Nm 15.22).

 

A Adikía que significa injustiça e toda injustiça é pecado e toda injustiça é contra Deus, mesmo quando praticada contra o próximo e, portanto, serão punidas (Ez 28.18). Deus julga retamente porque é justo, Ele é a verdade e Nele não há injustiça. Ele é a rocha, cuja obra é perfeita, porque todos seus caminhos justos são (Dt 32.4).

 

Também Asham que significa culpado, tem a ideia de culpa perante Deus e aparece muito em rituais no tabernáculo e no templo, mas sempre ligado a possibilidade de ser esquecida por meio de um sacrifício expiatório (Lv 4.13; 5.2-3).

 

Rasha que tem o significado de Perverso ou impiedade e, portanto, é contrário de justiça. Toda perversidade se volta contra o perverso se estabelecendo uma espécie de justiça. Por isso o Senhor detesta a conduta do perverso e ama quem busca e pratica a justiça. (Ex 2.13; Sl 9.16; Pv 15.9; Ez 18.23).

 

Já a palavra Taah que significa Vaguear ou extraviar-se dos preceitos do Senhor. Indica um pecado deliberado, não incidental (Nm 15.22; Sl 58.3; 119.21; Is 53.6). Mas por outro lado, o homem sempre tem a possibilidade de se voltar para Deus, visto que o Criador sempre espera o retorno da criatura. Pois a criatura não consegue andar pelos caminhos do bem sem ter como horizonte, caminho e referência seu Senhor.

 

A partir destes conceitos hebraicos é fácil chegar a algumas definições sobre o que é pecado no Antigo Testamento, portanto, pode-se afirmar, com certeza, que o pecado assume muitas formas, mas o significado de fundo é culpa, delito, iniquidade e transgressão. Do mesmo modo o homem sempre está ciente da forma particular do seu pecado.

 

O pecado é aquilo que contraria uma norma do pentateuco (cinco primeiros livros da Bíblia) onde está revelada a aliança e escritos os mandamentos da Lei, que Deus deu à Moisés e que simboliza a nova aliança de Deus com seu povo. Ele será seu Deus e estará sempre com o povo escolhido, e o povo escolhido são as pessoas que acreditam Nele e seguem seus preceitos, sem desviar-se nem para a esquerda, nem para a direita. Mas esse povo, ao final, acaba se esquecendo dessa aliança e dos seus mandamentos e termina cometendo desobediência a Deus. O povo que desobedece seu Deus está se afastando Dele, dando as costas e fugindo do seu amor e desígnios revelados na aliança; mas, por outro lado, Deus sempre está indo atrás do seu povo e o chamando a conversão por intermédio dos profetas. Mesmo que o homem se esqueça de tudo isso, o Senhor não se esquece da aliança que Ele próprio fez.

 

A desobediência envolve, tanto a omissão como o erro deliberado. O pecado também, não é apenas errar o alvo, mas acertar o lugar errado. Isso é algo que o homem sempre tenta esconder e negar, portanto, não reconhece seu pecado e até esquece de tudo o que o Senhor fez no passado por ele. Por isso, o profetismo veio para lembrar das promessas feitas a Abraão, Jacob e Moisés e as formas milagrosas que o Senhor fez para tirar o povo da escravidão e trazê-lo de volta para a terra prometida.

 

O pecado é desobedecer a Deus, não seguindo seu padrão perfeito. Por causa do pecado, todos ficaram separados de Deus e condenados a morrer. O pecado é a razão por que existe maldade no mundo.

 

O pecado é a forma como o mal afeta a comunhão do homem com Deus e o afasta de sua maravilhosa presença. Mas mesmo que o pecado traga morte e destruição e o afaste do seu criador, há uma maravilhosa promessa a todos aqueles que invocarem o nome do Senhor e escutarem a sua voz, pois assim “...diz o Senhor. Embora os seus pecados sejam vermelhos como escarlate, eles se tornarão brancos como a neve; embora sejam rubros como púrpura, como a lã se tornarão” (Is 1.18).

 

NO NOVO TESTAMENTO

Com a vinda de Jesus, a aliança se renova mais uma vez, portanto, todas a Lei e os profetas adquirem um novo sentido e é revelado o verdadeiro significado do plano divino que Deus tem para toda a humanidade. Deus revela seu rosto mais paterno e misericordioso. Todos os homens são chamados à conversão e ao seguimento de Jesus que é o Caminho, a Verdade e a Vida (Jo 14,6). Jesus torna-se o único caminho não para terra prometida, mas para volta a Deus; torna-se a única verdade, não para substituir o pentateuco mas para revelar o verdadeiro projeto de Deus; e torna-se a única vida, não para voltar a viver no pecado, mas para uma vida eterna junto de Deus.

A Palavra Kakós Significa algo ruim, pode ser um mal físico (Mt 21.41) mas, normalmente indica um mal moral (Mc 7.21; At 9.13; Rm 12.17); isto é, mostrar um comportamento contrário ao maior dos mandamentos que é o amor. Portanto causa dano moral.

 

O termo Ponerós, está diretamente relacionado ao mal moral (Mt 7.11; Rm 12.9). Também é usado para referir-se a Satanás (Mt 13.19,38; 1Jo 2.13-14). Demônios também são chamados, pelo evangelista Lucas de espíritos malignos (Lc 11.26; At 19.12).

 

De novo encontrasse a palavra Hamartia com o mesmo significado do Antigo Testamento errar o alvo. Mas, no Novo Testamento, quase sempre ocorre no contexto que fala de perdão ou de salvação (Mt 1.21; Jo 1.29); Portanto, o pecado é alvo direto da missão de Jesus. Jesus veio para perdoar os pecados e dar a salvação definitiva, passando de uma vida de pecado para uma vida santa. As consequências do pecado é a morte da vida e Jesus veio, justamente, para fazer o contrário, isto é libertar o homem da morte do pecado e lhe dar a vida eterna. (Rm 5.12; 1Co 15.3; e Tg 1.15).

 

Adikía que Para Platão é o vício da alma, que acaba por destruí-la. O Novo Testamento traz da tradição judaico e grega os conceitos de injustiça, mas principalmente através de Paulo e João a injustiça tem um foco maior no sentido de pecado, pois é obra da natureza caída, que é inimiga de Deus (Rm 5.20). De modo coerente, Paulo e os demais escritores cristãos empregam parábasis (e parabátes, “transgressor”) no contexto da lei (Rm 2.23; Gl 3.19; Hb 9.15);

 

Planáo no sentido de desgarrar (1Pe 2.25), levar alguém para um caminho mau (Mt 24.5-6) e enganar-se a si mesmo (1Jo 1.8), portanto, a humanidade está num estado PLANÁO, ou seja, enganada, iludida, perdida, entorpecida, longe da Verdade. É um estado mental que leva uma pessoa a agir errado convictamente.

 

Paraptôma que apresenta a ideia de cair ao lado de, na maioria das vezes de modo deliberado. Com frequência é traduzida como ofensa (Mt 6.14; Rm 5.15-20; Gl 6.1). Hypókrisis que é uma palavra que Incorpora três ideias: Interpretar falsamente, como faria um oráculo; fingir, como faria um ator; e seguir uma interpretação reconhecidamente falsa (1Tm 4.2).

 

A partir destas ideias pode-se concluir que, o sentido de pecado no Novo Testamento, expressa a existência de um padrão claro contra o qual o pecado é cometido, o próximo. No final de tudo, o pecado é uma rebelião contra Deus e uma transgressão de seus padrões de vida, isto é, contra seus ensinamentos. Também no Novo Testamento o mal pode assumir muitas formas e a responsabilidade do homem é entendida de forma clara e definitiva.

 

As normas de Deus são perfeitas, têm um nível muito elevado; e quando o homem não atinge esse nível na vida, está em pecado (Romanos 3:23). Distorcer ou desviar-se das normas, quando não são atingidas as normas de Deus, ou quando são mudadas as normas para serem contrárias às de Deus, entra o pecamos (Romanos 1:18). Rebelião contra as normas, isto é, quando se rejeita as normas de Deus (Romanos 8:7).

A Bíblia diz que o homem faz coisas que são pecado e que o pecado é uma parte de do homem, como uma doença crônica. Existe na natureza humana a tendência a pecar. Isso não significa que cada pessoa pode escolher pecar ou não.

 

CONCLUSÃO

Os escritores sagrados, tentaram, de uma forma lúdica, mostrar que o pecado apareceu no mundo, não fazendo parte da criação, mas como fruto do livre arbítrio do homem. Quando Deus fez o homem o fez livre para pensar, decidir e escolher, mas como toda escolha tem suas consequências positivas e negativas. Portanto, quando o homem aparece no livro do Gênesis, capítulo 1 e 2, como sendo a última peça da criação, o que significa que Deus preparou toda a criação para receber o homem como dono e senhor da sua obra. E não estava no plano divino que o homem pecasse e se afastasse de Deus, pois no seu projeto de criação estava que o homem e mulher fossem felizes para sempre, no meio do paraíso que seria o Jardim do Éden. Onde não existe o pecado.

 

Mas o Gênesis conta que num determinado momento de suas vidas, pela desobediência a Deus, o pecado entrou na vida de Adão e Eva. Isto é, quando decidiram comer do fruto proibido, por intercessão da serpente (Demônio), contrariando a única norma que Deus tinha dado até o momento, não comer o fruto da árvore que estava no centro do jardim (Gn 2.17). Quando o homem decide transgredir as normas, não ganha nada, ao contrário perde sua dignidade. Comete pecado e se afasta dos projetos divinos. Fica nu perante si próprio (Gn 3.7), perde a referência de Deus e fica olhando para si mesmo, reconhecendo sua nudez por ter se afastado da proteção do Criador, do abrigo que o protege de tudo.

 

Nesta primeira transgressão fica configurado o que mais tarde será conhecido como Pecado original; que é o nome dado à condição de pecadores, que a humanidade herda de Adão e Eva. Paulo fala a respeito desse primeiro pecado que resultou na contaminação de todos os seres humanos: “Pois bem, por um homem entrou o pecado no mundo e pelo pecado a morte, assim morte se estendeu a toda a humanidade, já que todos pecaram” (Rm 5:12).

 

A partir do pecado original surgiram os pecados atuais, como fruto desse primeiro pecado. Pois, o pecado é um desacordo com a lei de Deus. Quando alguém peca está ofendendo a Deus, por desobedecer aquilo que Deus orienta, como sendo sua vontade. O pecado é desobedecer a vontade de Deus.

 

O pecado assume formas como desobediência, transgressão (Quebra de uma ordem, de um dever ou de uma lei), iniquidade, mal, maldade, malignidade, perversidade, rebelião, rebeldia, engano, injustiça, erro, falta, impiedade, concupiscência (Forte e continuado desejo de fazer ou de ter o que Deus não quer que faças ou tenha o homem), depravação.

 

Todas as formas do pecado levam ao caminho oposto ao de Deus. O pecado separa o homem de Deus e o leva para longe Dele, longe dos seus ensinamentos, longe da sua proteção, longe do seu amor, longe do projeto divino, tão longe que o homem não consegue voltar sozinho, e por isso Deus se volta para o homem através do seu Filho, com um plano de salvação.

 

E o afastamento do amor de Deus traz consequências. Paulo diz que a consequência mais terrível do pecado é a morte (Rm 6:23). O pecado gera Insegurança e perda de sentido, pois em Deus encontra-se toda identidade; sem Ele, a vida deixa de fazer sentido. E até afasta o homem das outras pessoas, pois o pecado, muitas vezes, prejudica as pessoas que estão por perto, estragando os relacionamentos com outras pessoas.

 

Algumas pessoas conseguem sentir culpa que corrói a vida, sem oferecer uma solução; a pessoa se condena, pois não sabe como mudar de vida. Pode se tornar uma pessoa insensível ao ponto de perder a noção de certo e errado e continuar pecando sem entender as consequências.

 

Bibliografia Consultada

1 - A Bíblia do Peregrino.

2 – Chave Bíblica.

3 - Harris, R. Laird,Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento.

4 - Smith, Ralph L., Teologia do Antigo Testamento.

 

 

Autor: Elías Nova Nova

Diplomado em Teologia – Faculdade Jesuíta de Filosofía e Teologia – FAJE | Minas Gerais, Brasil (2002)

Licenciatura Plena em Filosofia e Letras – Universidade de Santo Tomás de Aquino | Bogotá, Colômbia (1996)

 

Email: eliasnova@gmail.com

http://www.linkedin.com/in/eliasnovanova

 

 

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