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Homilia: Solenidade todos os Santos - Ano A - 05.11.2017


Irmãos e irmãs, hoje a Igreja reúne numa só festa a veneração de todos os santos e santas de Deus, os do Antigo como do Novo Testamento, bem como de todos os tempos até que o Senhor venha. Santos são todos aqueles que souberam servir a Deus no cumprimento fiel da sua vocação. Esta vocação, comum a todos nós, nós a temos dos lábios do próprio Senhor quando Ele nos diz: “Sede santos como vosso Pai celeste é Santo”!


Esta ordem do Senhor nos faz estremecer de espanto. Imediatamente, nosso espírito se dirige ao Senhor para contestá-Lo: mas como, Senhor, isto é possível? Ser Santo como Deus é Santo? Ele é o Três Vezes Santo! Nós pobres filhos de Adão, a custo somos capazes de querer obedecer-Te... Como isto é possível?


Antes de prosseguir nas nossas sandices, aparentemente piedosas, pois não passam de uma desculpa para não levarmos a sério o que o Senhor nos pede, ouçamos o que nos diz São João: “Caríssimos: Vede que admirável amor o Pai nos consagrou em nos chamar filhos de Deus. E somo-lo de fato”.


Ora, nós já somos filhos de Deus pelo nosso Batismo. Fomos marcados na fronte com o sinal de Cristo Salvador. Pertencemos a Ele! Somos já aquilo que o Senhor nos pede: “Sede santos”... Mas antes que alguém se inflame de orgulho vão por esta condição, é necessário continuar ouvindo Evangelista: “Caríssimos, agora somos filhos de Deus e ainda não se manifestou o que havemos de ser”.


“Ainda”... Isto significa que “a grande tribulação” do início continua diante de nós como uma luta, um desafio, uma batalha a ser travada. Pelo fato de já participarmos da vida de Deus pelo Batismo, isto não nos dá o direito de nos acomodar à preguiça espiritual. Somos chamados a lutar contra o pecado dentro e fora de nós. A grande multidão com palmas nas mãos, que ouvimos da leitura do Apocalipse, indica todos aqueles que travaram tal luta e a venceram porque alvejaram suas vestes no Sangue do Cordeiro, ou seja, por Ele, com Ele e nEle! O sinal que têm na fronte é o sinal de Cristo Salvador, sua Cruz que recebemos no dia do nosso Batismo.


Mas como, então, combater?


Nosso Senhor nos dá um roteiro a ser seguido nas Bem Aventuranças que ouvimos. Longe de ser somente um belo texto, suave de ser ouvido, é um programa de vida para todo cristão, de qualquer classe que seja. A santidade é para todos os filhos de Deus!


Muito já se refletiu e se comentou sobre este texto. Muito gostaria também eu de falar, mas o tempo não nos é favorável. Mas algo deve ser dito. Nisto me calo e convido todos a ouvir as palavras que o Santo Padre emérito Bento XVI pronunciou num Ângelus deste dia em São Pedro: “Hoje veneramos exatamente esta inumerável comunidade de Todos os Santos, os quais, através dos mais diferentes percursos de vida, nos indicam diversas estradas de santidade,reunidas em um único denominador: seguir Jesus e configurar-se a Ele, até o ultimo momento da nossa trajetória humana. Todos os estados de vida, de fato, podem tornar-se, com a ação da graça e com o empenho e a perseverança de cada um, vias de santificação”.


Nós só o poderemos, caros irmãos com o auxílio da graça de Deus e nos unindo aqueles que já venceram. Eles intercedem por nós junto de Deus, enquanto caminhamos e lutamos. É a majestosa comunhão dos santos que professamos no credo. Eles venceram e, pelos seus méritos, somos ajudados enquanto caminhamos para a nossa verdadeira pátria, o Céu!


Não desanimemos e assumamos as Bem Aventuranças como um programa de vida no seguimento de Cristo e no fiel cumprimento dos nossos deveres cotidianos. É assim que venceremos, é assim que já vencemos um dia depois do outro até encontrarmos o descanso que buscamos. Descanso que não será ociosidade, pois os que estão junto de Deus, continuam sua luta através da intercessão por nós, pela Igreja inteira e pelo mundo.


Lembrem-se, mais uma vez, do que nos disse São João Evangelista: somos filhos de Deus, mas ainda não se manifestou o que seremos. Não desanimemos e aquilo que nos tornamos no dia do nosso Batismo cresça cada dia mais, produzindo seus frutos até desabrochar plenamente na eternidade onde poderemos nos apresentar diante de Deus, do modo como cá nos comportamos: quais crianças, entregues confiantes ao abraço terno e eterno de Deus que nos aguarda, porque de lá nos chama e nos atrai, inflamando nosso coração, pelo Espírito que foi derramado em nossos corações nos configurando a seu Filho, obediente até a morte e morte de Cruz. Só assim poderemos ter palmas nas mãos no grande dia, na grande Festa, na grande Mesa que o Senhor nos tem preparado desde a fundação do mundo.


Desde já, pelos nossos atos, preparemos nossas vestes e as alvejemos no Sangue do Cordeiro!


Todos os Santos e Santas de Deus, rogai por nós!


E agora, umas poucas palavras de agradecimento a Deus que me chamou a buscar a santidade de vida no serviço a Ele e à sua Igreja, por graça me configurando no ser a seu Filho Jesus Cristo, Sumo e Eterno Sacerdote e até aqui tem me mantido nestes 26 anos.


Quando nos deparamos com a realidade da Ordem Sagrada, nos entregamos cheios de maravilha diante de Deus, e louvamos sua santa loucura e escândalo que realiza diante dos mundo. Sim, é assim, pois quanta inadequação! Deus escolher aquilo que é desprezível aos olhos do mundo para, através do serviço sacerdotal, fazer-se presente no seio da sua Igreja e do mundo; pelos santos mistérios celebrados continuar se comunicando e Se dando a todos. Inadequação e escândalo que foi também a Encarnação do Senhor, sua Paixão e Morte na Cruz... Deus gosta de nos confundir... nos surpreender manifestando seu Amor. E este se mostra sempre na santa loucura a ponto de por nós morrer e nos aguardar na vida da Ressurreição.


Sim, caros irmãos, somos destinatários constantes do Amor do Pai e ainda mais, ao sermos associados, nós Sacerdotes, de modo particular a esta sua loucura de Amor pelos homens, pois também a nós Ele pede o mesmo: uma entrega desinteressada e motivada tão somente por Amor. Grande tesouro este que trazemos em vasos de barro!


Maravilha que nos abre o coração e enche os olhos que se derramam em lágrimas de gratidão e alegria, como oferta humilde ao Senhor por tamanho dom misterioso...


Rezem por todos nós Sacerdotes, caros irmãos e irmãs, para que o Senhor que nos chamou e consagrou, nos ajude a perseverar e combater o bom combate no serviço que nos confiou para que, apesar da fragilidade da argila, seja este imenso tesouro no seu interior a torná-la forte e resistente no combate que nos é proposto: a vossa e a nossa santificação.


Gratias agamus, Domino Deo nostro, quia vere dignum et iustum est!


Amen!


Autor: Prof. Pe. Mestre Samuel Pereira Viana Nascido em Duque de Caxias (RJ) e Ordenado Presbítero na Diocese de Santo Amaro. Mestre em Teologia Dogmática pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma.

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