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Gaudete – Alegrai-vos


A motivação penitencial e purificadora é do espírito do Advento que nos ajuda a preparar dignamente a celebração do Natal. Neste terceiro domingo do Advento, porém, a Liturgia dá uma pausa a esse caminhar compenetrado e sisudo e nos convida a dar saltos de alegria. A Antífona da entrada da Missa nos propõe a cantar: “Gaudéte in Dómino semper: íterum dico, gaudéte” – Alegrai-vos sempre no Senhor. Ainda uma vez vos digo: alegrai-vos. Porque o Senhor está perto e a salvação, próxima (Fl 4,4.5). A cor roxa penitencial da Liturgia do Advento é substituída hoje pelo róseo alegre do anúncio dos novos horizontes como apresentados pelos textos bíblicos da Missa.


No Evangelho, São Mateus conta que João Batista, estando na prisão e ouvindo falar das boas obras de Cristo, enviou alguns discípulos a lhe perguntar: “És Tu aquele que há de vir ou devemos esperar outro?”. Jesus lhes responde: “Ide contar a João o que estais vendo: os cegos recuperam as vistas, os paralíticos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobres são evangelizados.


Feliz aquele que não se escandaliza por causa de mim!”. Eis aqui os sinais da libertação já em curso praticados por Jesus, que passou por este mundo fazendo o bem, sinais de que é Ele mesmo o esperado das nações e não outro. Na sequência do Evangelho, Jesus aproveitou para falar ao povo que o seguia a respeito de João Batista. Lançou-lhes a pergunta: “O que fostes ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento? Um homem vestido com roupas finas, como os que estão nos palácios dos reis? Um profeta? Sim, Eu vos afirmo, e alguém que é mais do que profeta. É dele que está escrito: ‘Eis que envio o meu mensageiro à tua frente; ele vai preparar o teu caminho diante de Ti. Em verdade vos digo, de todos os homens que já nasceram nenhum é maior do que João Batista. No entanto, o menor no reino dos céus é maior do que ele’”.


Alegrando-nos com a proximidade do Natal, roguemos ao Senhor para que renove a esperança, afaste o desânimo, realize as maravilhas da salvação e venha em socorro do nosso amado Brasil.


É aterrador o momento da vida brasileira. O estado democrático de direito configurado constitucionalmente na Carta Magna da nação corre o risco de se transformar em mais um sonho que se não virar em tragédia para a nação virará em tremenda frustração para o povo brasileiro. As instituições da República estão ameaçadas por seus líderes, seus representantes oficiais eleitos, nomeados ou concursados, os tais dos agentes públicos. Nem é preciso falar do legislativo e do executivo. Salva-se ainda o judiciário? Infelizmente, ministros do nosso Supremo Tribunal Federal estão a nos decepcionar. Desrespeitam a Constituição, atropelando leis maiores para acomodá-las, segundo dizem, ao espírito progressista do tempo. Depois reclamam que se proponham regras para controlar o abuso de poder no judiciário.


Veja-se a recente questão do aborto. Reinaldo Azevedo, articulista da Folha de São Paulo, escreveu na edição do dia 2 do presente: “No Supremo, o ministro Roberto Barroso, seguido por dois outros (Rosa Weber e Edson Fachin), produz retórica eivada de ilegalidade e inconstitucionalidade no julgamento de um simples habeas corpus e, tomando-se por um Congresso inteiro, ousa reescrever o Código Penal e a Constituição e finge que pode descriminar o aborto até o terceiro mês de gestação. Ignorou o feto, o bem protegido pela lei”. Outro articulista da Folha, Luís Francisco Carvalho Filho também pondera, como escreveu no dia seguinte, dia 3: “Em semana marcada pelo desconforto institucional... com parlamentares tentando encurralar juízes e promotores e, por outro lado, como se fossem funcionários do bem, juízes e promotores tentando impor, goela abaixo, um conjunto temerário de reformas de inspiração messiânica, a questão do aborto surge como ingrediente adicional na crise entre Judiciário e Legislativo... Imaginar que agentes iluminados do poder público podem impor seu pensamento ‘esclarecido’ ao resto do país é ingênuo e, eventualmente, contraproducente”.


No dia 7, segundo escreve Bernardo Mello Franco na Folha, o Supremo “daria uma pirueta jurídica para salvar o alagoano (Renan Calheiros), com o patrocínio do governo e transmissão ao vivo na TV”. Renan, que é réu e contra quem correm 11 inquéritos, bateu pé e não saiu da cadeira de presidente do Senado, descumprindo a ordem judicial. Fosse qualquer cidadão comum já estaria na cadeia. Pior ainda, o Supremo acaba de decidir que Renan fica incólume no cargo, fatiando preceito constitucional. Falando de fatiamento legal, recentemente o ínclito ministro Lewandowski que presidiu o impeachment da Dilma, fatiando outro preceito legal, livrou a presidente deposta da pena do crime, em subserviência ao Senado Federal. Não é a toa que o historiador Marco Antonio Villa do Jornal da Cultura se refere a este senhor com desdém como o petista impoluto da região da “polenta com frango”, do ABC paulista. Gostei da charge do Benett na Folha do dia 3 que apresenta a figura do Pai eterno, rodeado de anjo, dizendo atônito: “A constituição deles é tipo a Bíblia: cada um lê e interpreta da maneira que for mais conveniente...” Como diz o ditado popular “Seria engraçado se não fosse trágico!”.


Dá para confiar nessa gente toda? Para salvar o Brasil, só confiando em Deus mesmo. Mas precisamos, como afirma um destes articulistas, repudiar fascistoides de esquerda, de direita e de toga.. Então, saiamos por aí com uma vela acesa à procura de algum justo que não vendeu a sua alma ao diabo e venha como o mensageiro da alegria da salvação, com o espírito de João Batista. João é o mensageiro apontado por Isaías, o que de Deus recebeu esta ordem: “Dizei às pessoas deprimidas: ‘Criai ânimo, não tenhais medo! Vede, é vosso Deus, é a vingança que vem, é a recompensa de Deus; Ele que vem para vos salvar’” (Is 35, 4). E João Batista declarava: “Eu não sou o salvador, o Messias salvador da humanidade é Jesus Cristo”.

Oremos: Vinde Senhor Jesus, neste Natal, trazer-nos a alegria da salvação que só Vós podeis nos dar.


Autor: Dom Caetano Ferrari

Diocese de Bauru, SP

#Advento #Gaudete #Liturgia

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