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O consciente exercício da democracia


Caros amigos, no próximo domingo somos chamados a exercer livre e responsavelmente o nosso papel cívico. Pelo poder do voto, elegeremos o novo presidente da República, além de governadores, senadores, deputados federais e estaduais.


A utilização das urnas eletrônicas “pretende” prover a segurança em todo o processo eleitoral, garantindo o sigilo do voto, a imparcialidade e agilidade na apuração dos resultados. Mas diante desta excelência tecnológica, faz-se necessário levantarmos alguns questionamentos: O uso da tecnologia traz decisões mais ponderadas e à prova de fraudes para os agentes políticos? O Estado possui mecanismos de autoproteção e de preservação do corpo social contra arbitrariedades de líderes oportunistas e sem escrúpulos?


Essas indagações ajudam-nos a concluir que, apesar do incrível patamar tecnológico alcançado no processo eleitoral brasileiro, ele pouco valerá se for utilizado para legitimar no poder cidadãos inaptos para assumir condutas éticas, racionais e todos os compromissos que a coletividade espera deles.


A formação sólida da própria consciência é imprescindível. O exercício da democracia exige da população o discernimento pessoal em quem votar, o conhecimento da trajetória na vida pública dos candidatos, a cuidadosa pesquisa do nível de coerência entre discursos e ações políticas. A cada brasileiro se coloca o desafio de identificar o que há de autêntico em cada candidato e suas propostas, para conferir ao próprio voto o peso de uma opção esclarecida e transformadora para o futuro de milhões de famílias e de indivíduos.


“As grandes novidades que o quadro atual do desenvolvimento dos povos apresenta, exigem em muitos casos novas soluções. Estas devem ser procuradas conjuntamente no respeito das leis próprias de cada realidade e à luz de uma visão integral do homem, que espelhe os vários aspectos da pessoa humana, contemplada com o olhar purificado da caridade” (Caritas in Veritate, n. 32).


A escolha dos candidatos deve considerar a aptidão para empreender ‘soluções novas e de valores’, que se traduzam em justiça social, na concretização dos direitos fundamentais à vida, à liberdade, à segurança, à educação, à saúde, ao trabalho, enfim, de uma existência mais digna para todos.


E mais, não se pode esquecer que o desenvolvimento humano integral supõe a liberdade responsável da pessoa e dos povos. “A verdade do desenvolvimento consiste na sua integralidade: se não é desenvolvimento do homem todo e de todo o homem, não é desenvolvimento” (Caritas in Veritate, n. 18).


Sobre esse aspecto, deve-se evitar uma política pautada pela ética da conveniência, por meras ideologias, velhas soluções populistas e pelo lamentável relativismo. Os que governam para se perpetuarem no poder, iludem toda uma geração, difundem, em algum grau, o abandono de condutas honestas e éticas. São agentes do subdesenvolvimento, porque descuidam os seus deveres de solidariedade com o povo e assumem decisões que afastam o homem de si mesmo e do outro, roubando as possibilidades da sociedade alcançar sua plenitude. Cedem ao totalitarismo político e ideológicos, que enfatizam o poder público, ao mesmo tempo que minam as liberdades de consciência, de pensamento e de religião. Recheiam as pautas de ‘lugares comuns’ em defesa do aborto, da ideologia de gênero, do laicismo, do comunismo, dos interesses menores de grupos econômicos que agridem a natureza humana e o equilíbrio ambiental, num triste empobrecimento geral da nação. Tais políticos profissionais ilustram oportunidades perdidas de mudança. Tornam-se votos atirados ao lixo.


É preciso considerar na escolha dos que irão nos governar se, evitando as debilidades morais e éticas do nosso tempo, tendem a combater a corrupção em todas suas manifestações, ampliar a fraternidade e a participação social, respeitar o sadio pluralismo e cumprir com exemplariedade as leis justas. Se eles dedicam suas vidas a lutar, de modo coerente, pela paz e pelo desenvolvimento sustentável. Se não hesitam em defender o nascituro, a infância, as mulheres e os idosos em situações de vulnerabilidade, a facilitar aos pobres as condições vitais básicas, a unidade da família, a educação para valores e virtudes, a liberdade religiosa, os direitos dos trabalhadores, o cuidado com o meio-ambiente, a transparência na execução orçamentária, a qualidade e a eficiência nos serviços públicos essenciais. Se concebem o progresso e a economia com ‘rosto humano’. Se são homens e mulheres públicos que agem na verdade, ‘selando’ os seus mandatos com inúmeras obras de atenção às demandas da população. Se são promotores de prosperidade, patriotas que têm a coragem de dizer ‘não’ aos esquemas, às propinas, aos conluios e à demolição da cultura trazida pelo pensamento marxista de corte gramsciano.


A Igreja sente o peso da responsabilidade na conscientização da sociedade acerca da desagregação de si mesma. Por esta razão, anima os eleitores a votarem lucidamente e com responsabilidade pessoal, sem improvisos e enganos, para que, após o escrutínio, vençam nas urnas aqueles que possam levar a cabo uma gestão mais honesta da res publica (coisa pública), legislem com sabedoria e razoabilidade, tudo na perspectiva do desenvolvimento humano integral e do bem comum.


A Palavra de Deus nos oferece um critério seguro para discernir por onde passa a verdade neste turbilhão de informações que nos chegam pela grande mídia e também pelas redes sociais. Jesus, que é Caminho, Verdade e Vida, nos ensina que “Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinhos e figos dos abrolhos? Toda árvore boa dá bons frutos; toda árvore má dá maus frutos. Uma árvore boa não pode dar maus frutos; nem uma árvore má, bons frutos. Toda árvore que não der bons frutos será cortada e lançada ao fogo. Pelos seus frutos os conhecereis” (Mt 7,16-20).



Autor: Dom Edney Gouvêa Mattoso

Bispo de Nova Friburgo (RJ)

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